"Seguirei os ensinamentos do meu mestre. Ele me preparou para isso e honrarei seu legado da única maneira que conheço. Observe-me, Jack... suas lições jamais serão esquecidas."
Att.: Conde Vladimir
Londres, 1890
O relógio marcava nove horas da noite.
As ruas de Londres começavam a esvaziar-se, enquanto os últimos casais retornavam para casa antes que a névoa dominasse completamente a cidade.
Era justamente esse o horário de que eu mais gostava.
A escuridão escondia pecados.
E eu era um deles.
Caminhava lentamente pela Rua Brompton observando cada rosto que cruzava meu caminho. Procurava alguém distraído, alguém sozinho... alguém que jamais faria falta antes do amanhecer.
Na semana anterior, os jornais haviam estampado a manchete que tanto me divertiu.
"Jovem é encontrado morto em um beco no centro de Londres. A vítima apresentava sinais de extrema violência. A polícia acredita que o assassino continue à solta."
Sorri discretamente.
Era curioso ver investigadores tentando compreender uma mente como a minha.
Eram homens inteligentes...
Mas procuravam pistas onde eu jamais as deixaria.
Desta vez, porém, pretendia deixar algo diferente.
Uma assinatura.
A Praça de Portobello
Cheguei à pequena praça da Rua Portobello.
Sentei-me em um banco de madeira e esperei.
Dez minutos se passaram.
Então ela apareceu.
Uma jovem elegante caminhava sozinha pela calçada, olhando ocasionalmente para os lados.
Ajustei o chapéu para esconder parte do rosto.
Levantei-me.
— Boa noite, senhorita. Receio estar perdido. Poderia ajudar um velho cavalheiro?
Ela sorriu educadamente.
— Claro. Posso ajudá-lo.
Sua voz transmitia gentileza.
Era exatamente esse tipo de pessoa que mais me fascinava.
As bondosas sempre acreditavam que o mal possuía aparência monstruosa.
Nunca imaginavam que ele pudesse usar roupas caras.
Ou um título de nobreza.
O Espetáculo
Caminhamos lado a lado durante vários minutos.
Conversamos sobre assuntos banais enquanto nos afastávamos das ruas movimentadas.
Até que chegamos a um beco envolto pela névoa.
Parei de caminhar.
Ela fez o mesmo.
Seu sorriso desapareceu quando percebeu que não havia mais ninguém por perto.
Olhou para mim.
Pela primeira vez enxergou quem eu realmente era.
— Senhor...?
Retirei lentamente um punhal escondido sob o sobretudo.
— Você sabe quem eu sou?
Ela empalideceu.
— O... o Conde Vladimir...
Assenti.
— Exatamente.
Ela tentou correr.
Não conseguiu.
O silêncio da viela foi interrompido apenas por um breve grito.
Depois...
Nada.
Apenas a névoa voltando a ocupar seu lugar.
Enquanto a cidade dormia, deixei para trás uma nova cena que desafiaria os melhores investigadores de Londres.
E, ao lado do corpo, um pequeno bilhete cuidadosamente dobrado.
Na manhã seguinte
JORNAL EXTRA DE LONDRES
"Jovem é encontrada morta em um beco da região central. A polícia afirma que o crime apresenta semelhanças com outros assassinatos ocorridos nas últimas semanas. Nenhum suspeito foi identificado."
"Ao lado da vítima foi encontrado apenas um bilhete contendo uma única frase."
"Pegue-me, se puder."