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O Ato Final

Antes de qualquer julgamento, permita-me esclarecer uma coisa.

Eu não sou um assassino.

Sou um artista.

Existe uma enorme diferença entre destruir uma vida e transformá-la em algo eterno.

A maioria das pessoas jamais compreenderá isso. Estão acostumadas a pendurar quadros em paredes e chamá-los de arte. Eu prefiro trabalhar com emoções. Com medo. Com silêncio.

Toda grande obra precisa provocar algo em quem a contempla.

As minhas também.

Uso uma máscara durante cada apresentação.

Já faz tantos anos que sequer consigo lembrar como era meu verdadeiro rosto. Talvez isso seja o preço da dedicação absoluta. Um artista não deve ser lembrado por sua aparência, mas por seu legado.

Meu palco favorito sempre foram festas.

Lugares onde todos sorriem sem desconfiar que a felicidade pode desaparecer em poucos segundos.

É curioso observar as pessoas.

Pais distraídos.

Convidados conversando.

Música alta.

Ninguém realmente presta atenção em ninguém.

Todos acreditam que o perigo tem uma aparência assustadora.

Nunca imaginam que ele possa usar um sorriso pintado no rosto.

Foi exatamente assim naquela noite.

Enquanto os convidados comemoravam, deixei o salão discretamente e caminhei até o bosque atrás da casa.

Alguns minutos depois, ouvi passos.

Sorri.

A inspiração havia chegado.

Não importa quem era.

Nomes nunca fizeram diferença para mim.

Conversamos por alguns instantes.

Ganhar confiança sempre foi meu maior talento.

As pessoas gostam de acreditar que conseguem reconhecer o mal quando o encontram.

Elas estão erradas.

Muito erradas.

Na manhã seguinte, o bosque foi cercado pela polícia.

Jornalistas disputavam espaço enquanto investigadores caminhavam entre as árvores tentando entender o que havia acontecido durante a madrugada.

Ninguém encontrou impressões digitais.

Nenhuma testemunha.

Nenhuma pista.

Apenas um pequeno palco improvisado com tecidos brancos cuidadosamente organizados no centro da clareira.

Sobre eles havia uma antiga máscara de palhaço.

E um bilhete.

"A verdadeira arte nunca nasce da perfeição. Ela nasce daquilo que as pessoas têm medo de enxergar."

Os jornais passaram semanas debatendo o significado daquela frase.

Especialistas em comportamento tentaram traçar o perfil do autor.

Psicólogos falaram sobre narcisismo.

Criminólogos sobre psicopatia.

Nenhum deles compreendeu.

Não busco fama.

Não busco dinheiro.

Busco apenas criar algo que permaneça na memória das pessoas para sempre.

E isso, convenhamos...

Pouquíssimos artistas conseguem alcançar.

Hoje continuo trabalhando.

Sempre de máscara.

Sempre procurando uma nova inspiração.

Talvez você até já tenha passado por mim na rua.

Talvez tenha sorrido de volta.

Afinal...

As melhores obras de arte nunca anunciam quando estão prestes a começar.

Conto revisado em 30 de junho de 2026.

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Autor Luciano
Publicado em 27 de janeiro de 2017
Categoria Creepypasta