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Laurie Cabot – A Vingança da Bruxa

Século XV.

Os inquisidores nunca deixaram de nos caçar.

Diziam agir em nome de Deus, mas tudo o que espalhavam era medo, fogo e morte. Acreditavam que sua fé era a única verdade possível e que qualquer conhecimento vindo da natureza era obra do demônio.

Mal sabiam eles que foram justamente as mulheres que chamavam de bruxas que salvaram suas vidas durante gerações.

Durante séculos, curamos doenças, auxiliamos partos, preparamos remédios e protegemos aldeias inteiras quando a medicina pouco podia fazer.

Em troca...

Recebemos perseguição.

Recebemos fogueiras.

Recebemos a morte.

No inverno de 1447, eles queimaram minha irmã diante de toda a aldeia.

Obrigaram homens, mulheres e crianças a assistir enquanto as chamas consumiam alguém cujo único crime era conhecer os segredos da floresta.

Naquele dia, algo dentro de mim também morreu.

E algo muito pior nasceu.

Meu nome é Laurie Cabot.

E jurei que cada inquisidor responsável por aquele massacre conheceria o verdadeiro significado da palavra vingança.

A Poção

Desde jovem, aprendi que toda magia nasce da natureza.

Cada folha, raiz, flor e pedra carrega um fragmento de poder para aqueles que sabem ouvi-las.

Enquanto a Igreja pregava o medo, eu estudava os antigos conhecimentos deixados por mulheres muito mais sábias do que eu.

Foi assim que preparei minha obra-prima.

Uma poção capaz de alterar as emoções humanas.

Ela não escravizava a mente.

Apenas amplificava sentimentos já existentes... até que eles consumissem completamente quem a bebesse.

Esperei pacientemente.

A vingança nunca deve ser apressada.

A Quarta Lua Cheia

Na quarta lua cheia após a morte de minha irmã, um grupo de inquisidores apareceu diante da minha casa.

Os aldeões observaram assustados.

Pensavam que eu seria presa.

Não imaginavam que aqueles homens já estavam sob efeito da minha magia.

Seus olhares revelavam uma devoção irracional.

Já não obedeciam à Igreja.

Obedeciam apenas a mim.

Convidei-os para entrar.

Servi-lhes chá.

Sorri durante toda a noite.

Na manhã seguinte, cada um deles acreditava ser o único homem digno do meu amor.

Então lhes fiz uma proposta.

— Apenas um poderá conquistar meu coração.

O silêncio durou poucos segundos.

Logo deu lugar ao caos.

Os homens que pregavam paz e justiça voltaram suas espadas uns contra os outros.

A praça da aldeia transformou-se em um campo de batalha.

O orgulho venceu a razão.

A fé foi substituída pela obsessão.

E eu apenas observava.

Quando tudo terminou, restava apenas um sobrevivente.

Ferido, coberto de sangue e quase incapaz de permanecer em pé, ele caminhou até mim.

— Eu... consegui...

— Eu venci...

Sorri.

Talvez tenha sido o sorriso mais sincero da minha vida.

— Não...

— Apenas foi o último a morrer.

A poção começou então a agir em sua etapa final.

O desespero tomou conta de seus olhos enquanto ele caía diante dos meus pés.

Seu corpo já não respondia aos seus comandos.

Nem seus companheiros.

Nem sua fé.

Nem suas orações.

Em poucos instantes, o silêncio voltou a dominar a aldeia.

O Início da Caçada

Naquele dia compreendi que justiça e vingança raramente caminham separadas.

Minha irmã jamais retornaria.

As mulheres queimadas jamais seriam lembradas pelos livros da Igreja.

Mas eu faria questão de lembrar os inquisidores.

Cada fogueira acesa contra uma bruxa seria respondida.

Cada execução inocente teria um preço.

Enquanto existisse um único homem disposto a perseguir mulheres em nome do fanatismo...

Eu estaria nas sombras.

Esperando.

Meu nome é Laurie Cabot.

E alguns passaram a me chamar de bruxa.

Outros...

Preferiram me chamar de maldição.

Para mim, tanto faz.

Porque, no fim, toda lenda nasce da mesma forma.

Primeiro queimam a mulher.

Depois passam séculos contando histórias para explicar por que ainda têm medo dela.

L
Autor Lord Thanos, o Titã
Publicado em 9 de março de 2017
Categoria Creepypasta