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Os passos da sua morte

Minha vida nem sempre foi monótona. Já tive amigos. Porém, eles nunca compreenderam a forma como eu enxergava o mundo. Foi por isso que os matei.

Pode parecer estranho eu falar tão abertamente sobre um ato tão cruel, mas a morte é algo natural. Tenho certeza de que, de certa forma, eu os libertei. Ainda assim, não quero entrar em detalhes sobre como me tornei quem sou.

Minha filosofia é simples: a vida é frágil. A humanidade nasceu para morrer, e não há nada de extraordinário nisso. É justamente essa certeza que me impulsiona a aperfeiçoar minha técnica.

Ah... por favor, não me compare a um serial killer. Sou muito melhor do que esses psicopatas sedentos por sangue. Talvez você não acredite nas minhas palavras e ache que sou apenas mais um doente mental.

Mas eu acredito em VOCÊ.

E meu objetivo é encontrá-lo.

Criei um perfil em um lugar onde quase ninguém se atreve a entrar: a famosa Deep Web. Está cheia de pessoas que se dizem hackers, mas mal conseguem programar o próprio computador.

Espero que guarde o que vou lhe contar a seguir. Afinal, ninguém precisa conhecer o nosso pequeno segredo.

Existe um fórum secreto frequentado por assassinos, e eu faço parte dele. Antes de aceitar qualquer serviço, deixo uma coisa bem clara ao contratante:

— Desculpe se não correspondo às suas expectativas. Minha prioridade sempre será corresponder às minhas.

Depois que o acordo é firmado, inicio a caçada.

Gosto de estudar cada alvo com calma. Observo hábitos, rotina, horários e pequenos detalhes que quase ninguém percebe. Registro mentalmente cada vida que consumo. Para mim, isso é tão prazeroso quanto inevitável.

A noite é meu maior aliado. Ela me envolve como um manto, escondendo meus passos enquanto caminho silenciosamente até o quarto da próxima vítima.

Você sente algo.

Uma presença.

Abre os olhos por um instante e olha ao redor.

Mas o quarto está completamente escuro.

Você não vê ninguém.

Então se convence de que foi apenas impressão e volta a fechar os olhos.

É exatamente esse o momento que eu esperava.

Retiro lentamente uma pequena lâmina do bolso. Mesmo sem enxergar seu rosto, sei exatamente onde você está deitado.

Com um único movimento, deslizo a lâmina profundamente sobre sua garganta.

Você desperta em desespero.

Leva as mãos ao pescoço enquanto tenta conter o sangue que escapa entre seus dedos. Cambaleando, alcança o abajur e acende a luz.

É então que nossos olhares finalmente se encontram.

Você tenta correr.

Mas eu não permito.

Derrubo você no chão e corto os tendões dos seus pés. Seu corpo se contorce de dor enquanto o sangue se espalha pelo quarto.

Você já não consegue pedir ajuda.

Apenas emite sons abafados.

Eu me aproximo lentamente.

Observo seus olhos perderem o brilho da vida.

Esse é o verdadeiro espetáculo.

É por esse instante que vivo.

Você demorou para morrer.

E, por isso, ganhou uma anotação especial no meu caderno:

"Para todo ser vivo, o sofrimento e a morte são tão certos quanto a própria existência."

Conto revisado em 30 de junho de 2026.

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Autor Luciano
Publicado em 17 de fevereiro de 2017
Categoria Contos