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O Anjo

Meggie era uma garotinha pequena, delicada e incrivelmente corajosa. Tinha um sorriso capaz de iluminar qualquer ambiente e uma curiosidade que fazia perguntas até para o silêncio.

Talvez tenha sido exatamente por isso que me tornei obcecado por ela.

Há semanas observo sua rotina.

Sei a hora em que acorda, quando brinca no quintal e o momento exato em que sua mãe apaga a luz do quarto.

Todas as noites, quando a casa mergulha no silêncio, entro pela janela apenas para vê-la dormir.

Na primeira vez, passei delicadamente a mão por seus cabelos dourados.

Ela abriu os olhos.

Não gritou.

Apenas me encarou com a inocência de uma criança.

— Quem é você?

Sorri.

— Sou seu amigo.

Ela inclinou a cabeça.

— Você é um monstro?

— Não... Sou um anjo. Estou aqui para proteger você.

— Proteger de quê?

— Do que existe lá fora.

Ela permaneceu em silêncio.

Então completei:

— Mas não conte aos seus pais que me viu. Eles não entenderiam... e fariam com que eu fosse embora.

Meggie apenas sorriu, virou-se para o outro lado e voltou a dormir.

Desde aquela noite, passei a visitá-la sempre.

Sentava-me ao lado da cama.

Observava seu rosto tranquilo.

Às vezes ela conversava comigo antes de adormecer.

Ela realmente acreditava que eu era seu anjo da guarda.

E, por algum tempo, aquilo foi suficiente.

Até que tudo mudou.

Certa noite ouvi Meggie contar aos pais sobre o anjo que aparecia em seu quarto enquanto ela dormia.

Os dois subiram as escadas imediatamente.

Antes que abrissem a porta, desapareci pela janela.

Depois daquela noite, o quarto ganhou uma fechadura nova.

As cortinas permaneceram fechadas.

E Meggie nunca mais apareceu sozinha perto da janela.

Ela estava sendo afastada de mim.

Na sexta-feira seguinte, esperei até que toda a casa adormecesse.

Consegui entrar novamente.

Meggie acordou assim que me aproximei.

Seus olhos, antes cheios de confiança, agora demonstravam medo.

— Você mentiu...

Ela sussurrou.

— Você não é um anjo.

Fiquei alguns segundos olhando para ela.

Depois sorri.

— Não...

— Mas você continuará acreditando nisso para sempre.

Na manhã seguinte, a casa inteira despertou com os gritos dos pais.

O quarto estava vazio.

A janela permanecia aberta.

Nunca encontraram Meggie.

A única pista deixada para trás foi uma única pena branca sobre o travesseiro.

E, às vezes, durante a madrugada, moradores juram ouvir uma voz infantil conversando sozinha naquele quarto vazio.

Como se alguém ainda acreditasse que um anjo a visita todas as noites.

Conto revisado em 30 de junho de 2026.

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Autor Felipe Santos
Publicado em 28 de fevereiro de 2017
Categoria Contos