Olá.
Entrei neste fórum sobre bruxaria porque preciso contar o que aconteceu comigo.
Talvez alguém saiba explicar.
Talvez alguém ainda consiga me ajudar.
Eu tinha cerca de dez anos quando fui transferido de escola.
No primeiro dia de aula, tudo parecia normal.
Exceto por uma garota.
Ela nunca falava com ninguém. Permanecia sempre sozinha no fundo da sala, olhando pela janela como se estivesse esperando alguma coisa.
No dia seguinte, fiz amizade com um garoto da turma.
Movido pela curiosidade, perguntei quem era aquela menina.
Ele respondeu em voz baixa:
— Dizem que a família dela pratica magia negra.
Aquilo ficou na minha cabeça o resto do dia.
Queria descobrir se era verdade.
Depois da aula, eu e meu amigo resolvemos segui-la até em casa.
Ela morava em uma enorme cabana de madeira, cercada por árvores.
Esperamos alguns minutos até termos certeza de que havia entrado.
Então pulamos a cerca dos fundos.
Nos escondemos atrás de alguns arbustos enquanto observávamos a movimentação pela janela.
Foi quando ela entrou no banheiro.
A pequena janela dava para o quintal.
Naquela idade, a curiosidade falou mais alto.
Aproximamo-nos para olhar.
Foi um erro.
Senti uma mão pousar lentamente sobre meu ombro.
Virei assustado.
Era o pai dela.
Ele não parecia bravo.
Nem levantou a voz.
Apenas colocou uma antiga moeda na palma da minha mão.
Depois sorriu.
— Você vai se arrepender do que fez.
Saí correndo sem olhar para trás.
Quando cheguei em casa, ainda ofegante, olhei pela janela da sala.
Havia alguém parado do outro lado da rua.
Ou melhor...
Alguma coisa.
Tinha corpo humano.
Mas sua cabeça era a de um bode completamente negro.
Pisquei.
A criatura desapareceu.
Nos dias seguintes, ela voltou.
Sempre mais perto.
No começo aparecia apenas na rua.
Depois passou a ficar no quintal.
Mais tarde...
No corredor da minha casa.
Todas as noites eu acordava e a encontrava parada em algum canto escuro do quarto.
Ela nunca dizia uma palavra.
Apenas me observava.
Até aquela noite.
Acordei exatamente às três da manhã.
Ouvi um barulho vindo do quarto dos meus pais.
Quando entrei...
Eles estavam mortos.
Os corpos haviam sido completamente mutilados.
O cheiro de sangue era insuportável.
Caí de joelhos.
Foi então que ouvi um ruído atrás de mim.
Olhei lentamente.
A criatura estava parada na porta.
Em uma das mãos, arrastava o corpo do meu amigo pela perna.
Na outra...
A antiga moeda.
Ela começou a caminhar em minha direção.
Eu entendi.
Era a minha vez.
Corri até o computador.
Escrevi tudo o mais rápido que consegui.
Talvez alguém leia isso.
Talvez alguém descubra o que aquela moeda significa.
Porque, neste exato momento...
Estou sentindo uma mão fria tocar meu ombro.
E desta vez...
Não é o pai daquela garota.
Conto revisado em 30 de junho de 2026.