Uma mulher desperta em um hospital sem fazer ideia do que aconteceu ou de como foi parar ali. Ainda confusa, leva a mão até a barriga e percebe vários ferimentos provocados por facadas.
Pouco depois, um médico entra no quarto.
— Doutor... como eu vim parar aqui? — pergunta ela.
O homem consulta rapidamente sua prancheta antes de responder.
— Você foi encontrada caída à beira de uma estrada. Tinha diversos ferimentos de faca e perdeu muito sangue. Foi um milagre ter sobrevivido.
Ela tenta se lembrar de alguma coisa, mas sua memória parece completamente vazia.
Após alguns dias internada, recebe alta. Ainda sentindo dores, deixa o hospital e começa a caminhar sem rumo pelas ruas, tentando compreender quem era e o que havia acontecido.
Enquanto caminhava distraída, uma mulher usando um longo capuz passou ao seu lado e, sem querer, esbarrou exatamente em um dos ferimentos.
A dor foi intensa.
Irritada, ela começou a xingar a desconhecida.
A mulher encapuzada colocou lentamente a mão dentro do bolso. Por um instante, parecia que iria sacar uma arma.
Mas apenas sorriu.
— Não tocarei em uma única mecha do seu cabelo. Em vez disso... deixarei o próprio tempo amaldiçoá-la.
Sem dizer mais nada, virou as costas e desapareceu entre as pessoas.
A mulher ficou alguns segundos parada, tentando entender o significado daquelas palavras, mas acabou seguindo seu caminho.
Dias depois, conheceu uma jovem que lhe pareceu estranhamente familiar. A garota revelou fazer parte de um misterioso Esquadrão do Tempo, uma organização responsável por preservar o fluxo temporal.
Sem ter qualquer lembrança de seu passado e sem saber para onde ir, ela aceitou fazer parte do grupo.
Algum tempo depois, recebeu sua primeira missão.
Ela deveria viajar para outra época e assassinar uma determinada mulher.
A missão parecia simples.
Ela encontrou o alvo em uma estrada deserta.
Sem hesitar, desferiu diversas facadas.
Depois abandonou o corpo à beira da estrada e começou a deixar o local.
Enquanto caminhava, percebeu que alguém se aproximava ao longe.
Instintivamente colocou o capuz sobre a cabeça para esconder o rosto.
Foi então que, sem querer, esbarrou em uma mulher.
O choque atingiu exatamente um dos ferimentos que ela possuía na barriga.
A desconhecida começou a insultá-la, tomada pela dor.
Por um breve instante, pensou em matá-la também.
Mas isso poderia comprometer toda a missão.
Então apenas colocou a mão no bolso, sorriu discretamente e disse:
— Não tocarei em uma única mecha do seu cabelo. Em vez disso... deixarei o próprio tempo amaldiçoá-la.
Ela seguiu seu caminho.
Somente alguns segundos depois compreendeu.
A mulher que acabara de amaldiçoar...
Era ela mesma.
O corpo que havia deixado ensanguentado à beira da estrada era justamente a mulher que despertaria dias depois naquele hospital, sem memória de nada.
Naquele instante, percebeu que estava presa em um ciclo temporal sem início e sem fim.
E compreendeu o verdadeiro significado da maldição.
Ela jamais conseguiria escapar do próprio tempo.
Conto revistado em 29 de junho de 2026.