Desde pequeno sou apaixonado pela escrita. O imenso universo que existe dentro dos livros sempre me fascinou.
Foi por isso que me tornei escritor. Eu queria despertar nas pessoas o mesmo sentimento que experimentava toda vez que mergulhava em uma boa história.
Acho que consegui. Todas as pessoas que leem meus livros me parabenizam e dizem que sou um excelente escritor. Ainda assim, nunca concordei com elas. Para mim, sempre falta alguma coisa em minhas histórias.
Foi justamente por causa dessa insatisfação que decidi criar a história perfeita: uma sequência de assassinatos que seguiria, à risca, tudo aquilo que eu escrevesse.
Comecei planejando o assassinato de uma família.
Da minha própria família.
Passei algumas horas aguardando até que minha esposa e minhas duas filhas chegassem em casa.
Fui até a garagem, peguei um machado de cortar lenha e caminhei em direção ao meu quarto. Encontrei minha esposa deitada na cama, distraída, lendo uma revista.
Aproximei-me em silêncio e desferi o primeiro golpe. Os gritos que vieram em seguida apenas aumentaram minha excitação. Continuei o ataque até ter certeza de que ela não ofereceria mais resistência. Quando tudo terminou, deixei seu corpo sobre a cama.
Em seguida, fui até o quarto da minha filha mais nova. Ela foi a vítima que menos resistiu. Em poucos instantes, tudo havia acabado.
Restava apenas minha filha mais velha.
Resolvi que faria dela o ponto alto da minha história.
Voltei até a garagem, peguei um alicate e um maçarico e segui até o quarto dela.
Ela estava de frente para o espelho, arrumando os cabelos, completamente alheia à minha presença.
Aproximei-me por trás e a golpeei com força na cabeça usando o alicate, fazendo-a perder os sentidos.
Amarrei-a a uma cadeira e comecei a transformar minhas palavras em realidade. Cada detalhe havia sido planejado previamente. Tudo precisava acontecer exatamente como estava escrito.
Quando terminei, deixei o quarto em silêncio.
Voltei ao meu escritório, sentei-me diante da máquina de escrever e comecei a registrar, linha por linha, tudo o que havia acabado de acontecer.
Naquele instante, finalmente compreendi o que faltava às minhas histórias durante todos aqueles anos.
Elas precisavam ser reais.
Texto revisado em 29 de junho de 2026.