O Depoimento
"Menino de 12 anos é o único sobrevivente de um ataque que matou duas famílias em um parque florestal. Peritos acreditam que o responsável seja um grande urso ou um lobo de proporções incomuns."
*Click.*
— Desliga isso, Steve. Quero assistir ao restante da reportagem antes de interrogarmos o garoto.
— Para com isso, John. Somos investigadores, não jornalistas. Vamos ouvir a testemunha.
John suspirou e desligou a televisão.
Os dois seguiram até o quarto do hospital.
Ao entrarem, encontraram um menino coberto de curativos. Seus braços estavam marcados por cortes profundos, havia enormes mordidas espalhadas pelo corpo e diversos pontos fechavam rasgos que pareciam impossíveis de um animal comum causar.
John desviou o olhar por alguns segundos.
Steve permaneceu imóvel.
Sentaram-se diante da criança.
— Qual é o seu nome?
O garoto respondeu quase num sussurro.
— Eduardo...
Steve abriu um bloco de anotações.
— Eduardo... precisamos que conte exatamente o que aconteceu.
O menino demorou alguns segundos para responder.
— Eu preciso?
— Precisamos encontrar o responsável.
Eduardo respirou fundo.
Bebeu um gole de água.
Então começou.
O Ataque
— Nós estávamos passando o dia no parque. Já estava escurecendo quando meus pais decidiram ir embora.
Depois de guardar nossas coisas, seguimos em direção ao estacionamento.
Foi então que ouvimos um grito.
Um grito que eu nunca vou esquecer.
Quando olhamos para trás, vimos uma mulher completamente coberta de sangue.
Ela segurava o que restava do corpo de um bebê.
Minha mãe me pegou no colo.
Meu pai ficou na nossa frente.
Ele tentou ajudá-la.
Mas a mulher apenas gritava:
"Corram... ele está vindo... ele vai matar todos vocês..."
Então nós vimos.
Era enorme.
Muito maior que qualquer urso.
Tinha o corpo coberto por pelos cinzentos.
As garras pareciam facas.
Os dentes... eram enormes.
Ele agarrou a mulher pelo pescoço.
Meu pai cobriu meus olhos.
Mas já era tarde.
Eu tinha visto o monstro.
Nunca mais consegui esquecer seu rosto.
Eduardo começou a chorar.
Steve fechou o caderno.
Já tinham informações suficientes.
A Caçada
Na manhã seguinte, uma equipe formada por policiais, caçadores e agentes florestais entrou no parque.
Encontraram apenas sangue.
Ossos.
Silêncio.
Nenhum pássaro cantava.
Nenhum animal aparecia.
Era como se toda a floresta estivesse fugindo de alguma coisa.
Poucos minutos depois...
Ela apareceu.
Uma criatura gigantesca saltou entre as árvores.
Em segundos metade da equipe estava morta.
Nenhum tiro parecia causar qualquer efeito.
Restaram apenas John, Steve e um velho caçador.
Eles correram até uma pequena caverna escondida atrás de uma cachoeira.
Ali esperariam o amanhecer.
Ou era o que acreditavam.
A Verdadeira Caçada
Já passava da meia-noite quando Steve acabou adormecendo.
John tentava conter o sangramento provocado pelas enormes garras que haviam rasgado seu abdômen.
O velho caçador alimentava uma pequena fogueira.
Foi então que ouviram um rosnado.
A criatura havia encontrado a caverna.
Ela entrou lentamente.
O caçador sequer teve tempo de reagir.
Foi despedaçado diante dos policiais.
Steve descarregou toda a pistola calibre .40 contra a cabeça do monstro.
Nenhum disparo atravessou sua pele.
A criatura apenas sorriu.
Com um único golpe arrancou a cabeça de Steve.
O sangue cobriu toda a caverna.
John ficou sozinho.
Esperava morrer.
Mas o monstro apenas o observou.
Então falou.
"Eu não mato os da minha espécie..."
John arregalou os olhos.
— O quê?
O monstro aproximou o focinho de seu rosto.
— Você pertence à minha matilha agora.
E desapareceu na floresta.
A Lua Cheia
John foi encontrado horas depois.
Ninguém acreditou em sua história.
O caso foi encerrado como ataque de animal selvagem.
Mas havia algo errado.
O enorme ferimento em seu abdômen desapareceu em poucos dias.
Sua audição ficou mais aguçada.
Seu olfato tornou-se sobrenatural.
Na primeira noite de lua cheia...
A dor começou.
Seus ossos estalaram.
Sua pele rasgou.
Pelos cinzentos cobriram seu corpo.
As unhas tornaram-se garras.
Os dentes cresceram.
O homem desapareceu.
Restou apenas a fera.
Na manhã seguinte, dezenas de cães e gatos foram encontrados mortos pela cidade.
John não se lembrava de absolutamente nada.
Na noite seguinte voltou ao parque.
Como se alguém o chamasse.
Lá, entre as árvores, o enorme lobisomem o esperava.
Ao redor dele havia outras criaturas.
Uma matilha inteira.
O Alfa aproximou-se e sorriu.
— Bem-vindo à caça.
E naquela noite mais uma família desapareceu na floresta.
Creepypasta revisada em 30 de junho de 2026.