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Capítulo I – A Origem da Maldição

1553, sul de Roma.

Eram aproximadamente 2h45 da madrugada quando um movimento incomum chamou minha atenção em uma casa isolada. A noite estava fria e mergulhada em uma escuridão incomum. A lua cheia permanecia escondida atrás de uma espessa camada de neblina, tornando tudo ainda mais sombrio.

Ao me aproximar, vi um homem alto e extremamente pálido através da janela. Ele parecia totalmente concentrado no que fazia, embora demonstrasse um nervosismo evidente. Vestia roupas escuras e amarrotadas, deixando parte do peito descoberta. Sobre sua pele havia um símbolo desenhado com tinta vermelha: uma estrela de oito pontas.

Sua voz escapava pela janela em um sussurro quase imperceptível.

— ...em teu nome, eu invoco...

Minha vontade era ir embora imediatamente, mas algo aconteceu assim que ele terminou a frase.

Diante dele havia um enorme espelho negro. Sua superfície começou a ondular lentamente, como se fosse feita de água. Uma figura obscura parecia surgir de seu interior.

No mesmo instante, um forte cheiro de carne apodrecida tomou conta do ambiente.

Olhei ao redor, imaginando que algum animal morto estivesse próximo dali. Não havia absolutamente nada.

Quando tornei a olhar para dentro da casa, o homem havia desaparecido.

Meu coração disparou.

Antes que eu pudesse compreender o que estava acontecendo, ouvi uma voz atrás de mim.

— Está me espionando?

Virei-me imediatamente.

O homem estava parado a poucos passos de mim.

Fiquei completamente sem reação.

— Me... me desculpe, senhor... Eu estava passando e vi a luz acesa. Achei que talvez precisasse de ajuda.

Ele me encarou por alguns segundos.

— E por que imaginou isso? Uma pessoa não pode acender um candeeiro durante a noite?

Respirei fundo antes de responder.

— Não às três horas da manhã.

Seu semblante mudou instantaneamente.

Ele desviou os olhos de mim e olhou lentamente para o interior da casa.

Seu rosto perdeu toda a cor.

Sem dizer mais uma palavra, correu desesperadamente para dentro.

Resolvi ir embora.

Mal havia caminhado alguns metros quando ouvi seus gritos.

Eram gritos de puro terror.

Logo em seguida, todas as luzes da casa se apagaram.

Fiquei imóvel.

Parte de mim queria fugir para nunca mais voltar.

A outra insistia que alguém precisava de ajuda.

Respirei fundo e retornei.

A porta permanecia aberta.

Assim que entrei, o cheiro de podridão tornou-se quase insuportável.

Pensei que pudesse encontrar algum corpo escondido pela casa.

Não demorou.

Encontrei o homem.

Seu corpo pendia do teto por uma corda presa ao pescoço.

Por alguns segundos permaneci completamente paralisado.

Então percebi que havia algo atrás dele.

Dois olhos vermelhos surgiram lentamente na escuridão.

Antes mesmo que eu pudesse correr, uma sombra negra avançou contra mim.

Depois disso...

Não me lembro de absolutamente mais nada.

Um dia depois

— Então essa é a sua versão dos fatos, Sr. Savedro?

O policial fechou lentamente seu bloco de anotações.

— Nós o encontramos ao lado do corpo do professor Córzon. Como pretende provar sua inocência?

Olhei para ele por alguns segundos antes de responder.

— Não sei como convencer vocês do que vi.

Fiz uma pausa.

— Mas tenho certeza de uma coisa...

— Aquela noite foi apenas o começo.

Continua...

Conto revisado em 29 de junho de 2026.

JC
Autor JC Botelho
Publicado em 29 de outubro de 2016
Categoria Contos