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Alicerce

Meus dias são eternos,

Minha paz é passageira

E minha loucura assombrosa.

Minha luxuria me consome,

Noite após noite.

Consumido pelo ódio mortal

Que sinto pelos devaneios

Cósmicos que visitam meus sonhos,

Tornando deles verdadeiros

E infinitos pesadelos

E é no processo de mutação

Da minha psiquê que perco ali

Minha identidade, minha sanidade,

Meu alicerce, perco a mim mesmo,

Na loucura! No medo e na perversidade

Das antigas criaturas que rastejam

Em minha consciência.

Os antigos sinos que em seus badalares

Eufóricos e horripilantes transmutam

E despedaçam minha mente, a fragmentando,

Cada pedaço de luz transformado em escuridão.

Repugnantes pensamentos me assombram.

Enquanto o céu estrelado em sua magnitude

Abraça todo o meu ser diabólico,

Enquanto os anjos em seus delírios

Cantam em meus ouvidos cânticos

mais antigos que o tempo,

Mais ainda que eles mesmos.

Na mudança e na deslocação

Da minha psiquê fico de frente

Com a própria luz sendo consumida,

Fica de frente ao abismo mais escuro;

Minha mente, sua mente!

Você que me lê,

Agora estou em ti,

Como você está nesses versos.

Nessas linhas que amaldiçoadas

Por minha escrita poética,

Por esses versos de um mundo surreal,

de um lugar que dorme no fundo

de um pesadelo jamais visto.

Mas descrito aqui,

Que agora esgueira

Por dentro da carne de sua mente,

Que aos poucos se consumirá de tudo,

Espero que você sobreviva,

Que sua mente não se desloque

Para os confins diabólicos

E satânicos da consciência universal.

Que a luz seja consumida por ti

Que te cause cicatrizes ofuscantes

Nas paredes negras de vossa loucura.

JO
Autor Alexander Bertoti
Publicado em 24 de outubro de 2020
Categoria Contos