América do Sul, 1.080

Os trovões podiam ser ouvidos por quilômetros, as gotas pesadas da chuva torrencial lavavam o sangue que havia encharcado o chão da floresta. As copas das árvores balançavam e o barulho que as folham faziam parecia um sussurrar infernal em meio aos corpos mutilados de uma aldeia inteira, ninguém fora poupado, homens, mulheres, velhos e crianças mortos em um sacrifício de sangue.

Molhada de chuva e sangue, Ticê inspirava o cheiro de morte e desespero que havia causado, apesar de sentir o corpo todo estremecer de dor com a transformação pela qual passara, nada a teria impedido de levar até o final o ritual que a elevaria de grande feiticeira, a deusa. Havia dominado a maldade e a inveja no coração dos homens, seus poderes eram sustentados e ganhavam força com o ódio, a vingança e a perversidade deles.

            A busca por conhecimento havia sido árdua e cheia de desafios, Ticê tivera que abrir mão da família, de laços de amor. Havia trocado sua humanidade para aperfeiçoar suas habilidades mágicas dentro da feitiçaria e havia sido elevada à condição de Deusa. Não havia ser nenhum em todo mundo Tupi Guarani que não a temesse.

            Estava pronta para o seu maior desafio, iria confrontar Anhangá, o Rei do Submundo, o Deus protetor da flora e arqui-inimigo de Tupã, era encarregado de castigar as pessoas más, que maltratavam mulheres, fêmeas grávidas, crianças e inocentes. Ela sabia que ele tinha uma forma peculiar de aplicar o castigo, Anhangá sugava a alegria da vida de quem olhasse diretamente nos seus olhos, levando a pessoa à loucura e a morte. Entretanto, Ticê estava preparada, usaria de seus encantamentos e feitiços, para ficar frente a frente com o poderoso Deus e subjugá-lo, seria não somente uma Deusa, mas a Rainha do Submundo.

* * *

            Anhangá sentiu quando a energia da floresta mudou, o vento soprou violento e traiçoeiro carregando um cheiro de maldade e morte que chegou ao submundo como um aviso, em algum lugar na superfície, uma criatura transcendera energias milenares e havia conseguido elevar seus poderes mágicos aos de uma deidade.

            Inspirou fundo e seu olfato privilegiado captou um aroma único, uma mistura de força ancestral e ímpeto, uma mulher indígena que havia conseguido harmonizar o seu gênio e a feitiçaria, transformando a magia em equilíbrio natural, entretanto essa força vinha envolta em ira e iniquidade. Estava próxima agora, vinha rápido e determinada. Curioso, Anhangá pôs-se em pé, segurou seu cajado e esperou.

Ela não demorou, era uma criatura extraordinária, um exemplar feminino perfeito em beleza, o porte de uma deusa, os passos decididos e leves, o que o surpreendeu e o deixou sem palavras foi a intensidade do poder que ela emanava, uma energia ancestral alimentada por inveja, rancor e perversidade. Ela o olhou diretamente nos olhos e Anhangá não viu medo, ele próprio cuja forma mais conhecida era a de um veado branco com olhos de fogo, nunca vira olhos como aqueles, os grandes olhos castanhos eram como um rio de águas frias e escuras, um abismo os de trevas que se acenderam como chamas de um inferno líquido.

* * *

Ela o viu de longe, em uma das suas formas humanas na qual os longos cabelos brancos e a pele alva, contrastavam com os olhos de fogo, que enlouqueciam aqueles que os fitavam. Ticê sabia que ele a esperava, o cajado na mão e a postura alerta mostrava que Anhangá sentira sua transformação e a força do seu poder.

Aproximou-se de cabeça erguida, sabia que ele não esperava por isso e a surpresa evidente em seu rosto lhe mostrou muito mais, o Deus não sabia o que pensar de tal atitude e isso a enfureceu, ele a havia subestimado. Sorrindo de modo sedutor, Ticê encarou Anhangá, e usando de encantamentos poderosos para conquistar o Deus do Submundo, prendeu os olhos dele aos seus, também flamejantes, mas reflexo da mais completa escuridão.

Por segundos que pareceram horas, os dois permaneceram presos na troca de olhar, uma conexão poderosa se formando entre eles. Anhangá encantado e ao mesmo tempo temeroso pela intensidade do poder obscuro que aquela mulher emanava e pelo que ela faria com essa força, tomou a decisão que considerou a mais sábia, decidiu fazer de Ticê sua esposa, ela reinaria com ele no submundo e a escuridão em seus olhos seria direcionada àqueles que mereciam pagar pelas maldades feitas a outros.

Sorrindo o deus estendeu as mãos e ofereceu a Ticê, uma pulseira tecida de cipó, cuja trama continha a essência de viver de mil almas sugadas antes dos donos sucumbirem à tristeza e à loucura ao olhar nos olhos do Deus, compartilhando assim seus poderes como forma de selar a união dos dois.

A deusa aceitou a oferta e amarrou a pulseira no braço esquerdo selando o acordo com um beijo. De olhos fechados e envolto no véu de sedução de Ticê, Anhangá não viu os olhos escuros ficarem novamente incandescentes como brasas ardendo no fogo do inferno e não sentiu o ódio que emanava dos mesmos.

* * *

            Feiticeira sem medo, Mãe da inveja e da maldade, Deusa do caos e da morte, a cada alcunha que escutava o sorriso de Ticê aumentava, instigar a dúvida, a inveja, o rancor e a crueldade no coração dos humanos era o seu âmago. Provocar mortes, destruição e caos a partir desses sentimentos era o objetivo para o qual havia nascido, tinha se dedicado a aprender a arte da feitiçaria, a aperfeiçoado e realizava seu intento com júbilo.

            Olhando a aldeia em chamas, as ocas destruídas e corpos espalhados por todo o local até a margem do igarapé mais próximo, a Deusa inspirou o cheiro de da chacina que pairava sinistro no ar, além do cheiro acre e ferroso do sangue e do odor de carne queimada dos corpos ainda quentes. Sentiu algo mais, um fraco cheiro de medo e confusão que emanava de um ponto próximo ao braço de rio que cercava a aldeia.

Com passos largos, ela chegou à margem e olhou ao redor até encontrar, escondido entre os troncos de árvores caídos no igarapé um pequeno índio. Não parecia ter mais de sete anos, provavelmente menos, chorava tampando a boca com as mãos para não fazer barulho, tremia de frio e pavor. Uma pequena criatura indefesa que havia perdido tudo que conhecia em sua curta vida até ali.

Ticê entrou no rio e estendeu as mãos ao pequeno, murmurando em sua mente que ele viesse até ela, o garoto levantou-se ao ouvir em sua cabeça uma voz doce e melodiosa, como havia sido a de sua mãe, lhe perguntar se ele queria vingança pelo que havia acontecido. A resposta positiva fez com que a mão estendida primeiro virasse a palma para baixo e depois se fechasse rapidamente.

Observando a cena a alguns metros do igarapé, Anhangá viu quando a criança primeiro dobrou-se sobre si e depois mergulhando no rio, assistiu ao pequeno debatendo-se até se afogar, enquanto Ticê sorria.

Era o terceiro povoado que Ticê dizimava com a rede de mentiras e maldade que espalhava, ela não se contentava em causar dor e sofrimento aqueles que mereciam morrer, não fazia distinção, qualquer pequeno deslize ou pensamento ruim, como o do pobre garoto que queria vingança pela vida de todo o seu povo, era o suficiente para o início de um massacre, nunca haviam sobreviventes.

Decidido a conter a esposa, Anhangá resolveu mantê-la ocupada no submundo, deixando-a encarregada de castigar os que lá iam parar como consequências de atos cruéis praticados contra inocentes. O mundo da superfície não estava preparado para a ira de Ticê, talvez nunca estivesse.

Ilha de Vera Cruz, 1500

A invasão havia começado a poucos meses, as aldeias mais próximas do litoral do Rio Frade foram atacadas e tomadas, os habitantes que não haviam morrido haviam sido escravizados e os invasores que haviam chegado em grandes barcos pelo mar dividiam entre si as mulheres enquanto colocavam homens e meninos para trabalhar na construção de suas casas e fortes. Haviam chegado com o corpo coberto de panos, cruzes nos pescoços e armas mortais.

Iberê levantou os olhos para o céu e rogou a Anhangá punição aos homens brancos que escravizaram os homens, estupraram suas mulheres e afogaram suas crianças, assim como rogou por vingança a Ticê, que a feiticeira sem medo. Antes de acabar sua prece aos deuses Tupi, o estalo do chicote nas costas fez Iberê cair no chão agora maculado de sangue, dor e sofrimento do que havia sido sua próspera aldeia.

* * *

Sentada em seu trono do submundo, Ticê ouviu o chamado e sentiu a dor, raiva e impotência do índio Iberê. Há séculos concordara com o marido em restringir seu domínio ao submundo, é verdade que reinava com crueldade, mas era o que mereciam os que iam parar lá, pagavam caro pelos seus atos atrozes que executavam e suas vidas inúteis.

Esse chamado, entretanto, era diferente, a súplica e o ódio contido nela eram como combustível para a sua própria fúria. Invasores haviam subjugado o povo indígena, donos dessas terras a eras, tinham usado de força e crueldade para escravizá-los e se justificavam em nome de um Deus que os mesmos não seguiam os ensinamentos.

Com os olhos brilhando de satisfação, Ticê levantou-se, deu uma última olhada para o marido que dormia enfeitiçado em um manto de escuridão e dirigiu-se para ao Monte Pascoal, onde estavam acampados a maioria dos invasores, os que se denominavam “descobridores” em breve saberiam do que uma deusa nativa furiosa era capaz.

* * *

Iberê tentou se levantar, mas a árvore caída em suas pernas o impedia, um troco grosso e pesado que havia se partido quando um raio atingira a raiz do Pau-Brasil, a árvore mais cobiçada pelos invasores. Em desespero, o índio tentava puxar as pernas ou empurrar o tronco de cima de si, mas era um esforço infrutífero.

Ele a viu caminhando lentamente, Ticê, a deusa feiticeira ou bruxa como os portugueses a haviam chamado, parecia levitar com seus pequenos e delicados pés sujos de lama e sangue, na mão esquerda trazia uma cabeça ensanguentada, na mão direita espalmada algo se mexia, parecia uma bola de fogo, mas não a queimava, ela parecia brincar com a coisa.

Entretanto o que mais o apavorou foram os olhos, olhos vermelhos cheios de malignidade que pareciam ler seus pensamentos, revirar suas memórias, absorver sua alma. As histórias que ele ouvira não faziam jus, nem a beleza nem a selvageria da deusa, ela vinha em sua direção com aqueles olhos demoníacos e um sorriso bestial que lhe fez estremecer o corpo.

Os invasores jaziam no chão despedaçados, alguns haviam servido de alimento para índios canibais que surgiram de dentro da floresta, outros morreram em batalha, ora lutando contra eles mesmos, ora contra um inimigo que não podiam vencer pois ela os levava a cometer atrocidades e os enlouquecia, usava o poder de Anhangá de acordo com sua vontade.

— Ouvi teu chamado Iberê, querias vingança?

Iberê sabia que a resposta selaria o seu destino, por isso inspirou fundo antes de responder com a voz fraca: — Não queria que todos morressem.

Ela sorriu, um sorriso de escárnio que se transformou em uma gargalhada hedionda. Jogou a cabeça decepada que estava em sua mão longe e agachou-se ao lado do índio.

— Quando ouvi teu chamado, vi tua alma, não podes me enganar. Clamaste por vingança e aqui estou para fazer todos pagarem. Só falta tu, tu que vendestes tuas irmãs ao homem que chamavam de padre para que ele as estuprasse, tu que enterraste vivo teu filho que nasceu com um dos pés virados para trás. Tu Iberê, és igual a todos os outros, apanhaste e fostes escravizado, mas tua alma é impura e ela agora me pertence.

Ticê levantou-se e deu às costas ao índio, a última coisa que Iberê viu ela jogar a bola de fogo em outro tronco de pau-brasil, maior que o primeiro e que caiu sobre a sua cabeça matando-o.

Belém do Pará, Brasil

Março de 1903

Joaquim Clemente Moyard observava orgulhoso sua nova residência, o imponente “Palacete Moyard”, fora erguido em uma das principais ruas de Belém, a capital do estado do Pará que havia crescido com o ciclo da borracha e se intitulava a “Veneza Brasileira”, influenciada pelo modelo estético da Europa, tanto no vestir quanto na arquitetura, o palacete no estilo Art Noveau, era digno de uma das maiores fortunas do país.

Moyard havia acumulado fortuna com a extração e o transporte de borracha, retirada dos seringais no meio da floresta e vendida para o mundo todo. Estava maravilhado com a obra finalizada, custara caro, ele importara azulejos, louças de banheiro, luminárias, itens de decoração, tudo para que a família tivesse do melhor, embora não fosse verdade, Moyard fizera por si, para satisfazer o seu ego e mostrar a todos as suas conquistas.

Um barulho interrompeu os devaneios do fidalgo, como ele gostava que o chamassem, um som abafado, como um choro contido. Surpreso, Moyard aproximou-se das janelas do porão, elas eram pequenas e davam para a rua, um modo de fazer circular o ar no local, eram ornadas com grades de ferro com tramas intricadas e belas que escondiam um cenário triste e macabro.

O porão, bonito por fora era o local onde os escravos, trazidos para construir e depois trabalhar no casarão eram mantidos em condições precárias, presos com correntes a postes fixados no centro do cômodo, eram alimentados com restos como animais, periodicamente surrados e muitas vezes deixados à míngua para que morressem de sede e fome.

Moyard não se importava com nada disso, sabia de tudo que acontecia em sua casa e achava normal, afinal todos os baronetes, fidalgos e nobres que tinham seus palacetes faziam as mesmas coisas, o que o incomodava era o choro intermitente que não lhe deixava em paz a dias. Furioso chamou João, seu capataz, e ordenou que o mesmo desse fim ao lamento inconveniente que não cessava.

O homem o olhou com estranheza pois não ouvira nada, mas imediatamente foi descobrir qual escravo estava fazendo o barulho que incomodava seu senhor. João entrou no palacete e se dirigiu ao porão, entre os escravos de Moyard, haviam negros, mas a maioria eram indígenas capturados nas aldeias próximas à plantação de seringueiras no interior. Estavam todos calados, aqueles homens e mulheres a muito haviam aprendido que gritar e se lamentar só aumentava a ira dos donos, aguentavam toda dor, fome e sofrimento sem uma única palavra de protesto, e assim estavam, no mais completo silêncio.

            O nobre devia ter se confundido, era a única explicação, com um balançar de cabeça, João se virou para sair do cômodo fétido, mas antes que chegasse à porta, ouviu uma voz baixa dizer bem próxima a ele:

            — Ticê é o meu nome, eu fui chamada e vim, o sangue que mancha as pedras que ergueram essa morada não os deixará viver. Diga a seu senhor, que todos morrerão.

Setembro de 1903

Moacir olhava estupefato o imponente palacete a sua frente, o prédio ainda novo, construído poucos meses antes, estava fechado, a sujeira se acumulava no pátio, as janelas e portas haviam sido fechadas com tábuas, as grades ornadas do porão escurecera enferrujada e exalava um cheiro pútrido que podia ser sentido da rua.

Moacir era um indígena, seu povo havia sido perseguido e quase extinto, eles haviam se isolado o mais profundo na floresta que puderam, mas antes disso alguns haviam sido capturados e trazidos como escravos para a capital.

Quando Moacir rogara por vingança à feiticeira sem medo, não imaginara que ela atenderia seu pedido desesperado. A deusa lendária o havia escutado e conseguira com seus poderes, enlouquecer o fidalgo até que o mesmo matasse toda a família em um acesso de loucura, tendo sido morto pelo capataz quando investiu contra o homem tomado pela insanidade. João, o índio velho, capataz de Moyard se jogara da janela mais alta do palacete após assassinar o patrão, para encontrar a morte no meio do passeio público.

Moacir queria vingança pelo que os seus haviam sofrido e ao final nenhum sobrevivera, com a morte de João, o local foi considerado amaldiçoado, os escravos trancados no porão haviam sido esquecidos e morreram de fome, sede e loucura.

Enquanto Moacir se lamentava, uma bela mulher de vestido da moda, com um pequeno chapéu sobre os belos cabelos castanhos escuros, parou ao seu lado e com uma voz doce e aveludada lhe falou:

— Você me pediu por vingança Moacir, é igual a todos.

Ele levantou a cabeça assustado e encontrou o par de olhos mais bonitos e terríveis que vira em toda sua vida, os olhos castanhos ficaram vermelhos e sugavam sua alma, sua alegria de viver, todos os sentimentos bons que tinha. Ele não sabia o que responder e não foi preciso, não olhou novamente para a mulher, ele sabia quem ela era, e ouvira a mensagem que ela falara a João meses antes: todos morrerão.

Como um sonâmbulo, Moacir saiu correndo enlouquecido e se jogou na frente da carroça de bois que descia a rua desgovernada. Uma multidão se juntou para ver o terrível acidente que matara de forma tão cruel um jovem índio, no fim da rua, uma bela mulher sorria.

Baixo Amazonas, 2021

Despida de sua aparência mortal, Ticê caminhava pelos pastos que outrora foram terras férteis, cheias da vegetação densa e rica da floresta, agora o que se via era o rastro de fogo e destruição. Situada na região entre os rios Erepecuru e Cuminapanema, entre os municípios de Oriximiná, Óbidos e Alenquer no Pará, a terra indígena em que estava sofria com as ameaças de queimadas, garimpos e invasões ilegais, era uma terra rica em ouro e árvores que madeireiros cobiçavam pelo valor comercial das mesmas.

Sentada na margem do rio, a deusa ponderava sobre a morte de mais um indígena em uma emboscada na mata, o povo dela não tinha paz nem em seu próprio território, mantido com muita luta e mortes.

Nesse dia Ticê pesava outro fator, a nova doença dos brancos havia chegado na aldeia, em algumas casas já haviam doentes que mal conseguiam respirar, em breve haveriam mortos, ela não sabia quantos, mas pelo que tinha ouvido entre outros, o vírus silencioso matava sem distinção. Como ela mesmo fazia a séculos, mas ela não exterminaria o próprio povo, gostava da devoção e do medo que eles tinham do poder dela.

Não deixaria que exterminassem seu povo, iria se divertir e se banhar em caos e desespero longe daquele lugar. Inflamaria a cobiça e a inveja dos homens, levaria o caos às cidades, plantaria dúvidas e mentiras em suas mentes e corações, massacraria aqueles que tentassem manter a ordem. Os homens eram suscetíveis e fracos por natureza, passavam por cima de quem fosse preciso para ter riqueza, poder e sucesso.

Não seria difícil, a inveja e a maldade, sentimentos que dominava, continuavam sendo a porta de entrada para a perdição da humanidade, e andavam juntas com egos grandes, falsos moralismos e cobiça.

Não seria difícil, o povo já era descrente, bastava encontrar o ponto fraco de cada um, e todos tinham um mesmo que tentassem esconder com todas as forças.

Não se contentaria mais com aldeias, povoados, cidades pequenas que haviam lhe proporcionado as pulseiras que adornavam seus dois braços e pernas. Com Anhangá impotente, preso no submundo, a superfície conheceria o poder de Ticê, guerras, crimes brutais, tráfico, disputas políticas, tinha uma enorme variedade de situações para utilizar.

Para aumentar a desordem, faria umas alterações no código genético do vírus, seria o suficiente para começar o caos, enquanto um falso equilíbrio deixasse todos mais descuidados, ela providenciaria para que dessa vez, tivesse um manto trançado com as milhares de vidas que seriam destruídas, de uma forma ou outra.