Tarde de outono

comment1visibility30
Há 1 mês

Gosto de como o laranja rodopia no ar
Melando as folhas que se assemelham as abóboras
E as abóbadas das casas
Cobertas de teias de aranhas e fantasmas

Tudo cheira ao passar, a fragrância do ir embora
Crianças vem de encontro a minha porta
Tiro-me de mais afazeres e desço as escadas
Há uma criança mascarada com uma bigorna

Perto dele uma bruxa, um elfo e um herói
Dou-lhes alguns doces, de forma gentil e sorridente
Mas quando o relógio estridente bate meia-noite
E o pequeno Lucas está desacompanhado na rua

O chamo com um pirulito na mão
Ele vem, levo-o para conhecer meu porão
Coloco a fucinheira para que não grite
O amarro, mas ele se debate e persiste

Tiro toda sua pele garantindo que ele ainda esteja vivo
Como sua carne no café, me embebedo de seu sangue
E o que sobrar vai para a banheira, artérias, tripas e veias
É quase como uma decoração

Costurei a pele que se transformou em casaco
Pela manhã é apenas o que se fala no noticiário
Mas ninguém suspeita naquela cidadezinha
Que a velhinha com cara de bondosa

Era a sanguinária asquerosa
Que se alimentava de crianças
Que vestia-se de suas peles
Que dava significado ao dia macabro

Aquela com a pele mascada
As pálpebras já murchas e enrugadas
Ninguém imaginara o que se passara na madrugada
Ninguém nunca soube o que acontecera em sua casa…

Comentários

Anônimo
Criativo
23/10/2020