Olívia, uma garota bem esperta e alegre de 13 anos, tinha sempre o costume de checar suas tarefas escolares nos dias de sexta-feira, pois costumeiramente as fazia nos finais de semana. Optava por isso por não ter muitas amigas na escola e, definitivamente, nenhuma vizinha de mesma idade que pudesse brincar, conversar ou algo assim, então passava o dia fazendo suas tarefas matinais, as tardes na escola e a noite ficava com sua mãe conversando e brincando com ela.

Seu pai passava o dia no trabalho e só chegava a noite, não gostava de ter visita, e mesmo que Olívia cogitasse a ideia de convidar algumas de suas amigas da escola para irem em sua casa, não seria possível, pois eles moravam bem longe de qualquer civilização qualquer. Ela sempre indagava seu pai do por quê morarem tão longe, do por quê de nunca poder levar alguma de suas amigas em sua casa, e a resposta sempre era a mesma: “Porque não gosto de pessoas Olívia.”.

Ela achava isso estranho, mas aprendeu a aceitar essa resposta e não perguntar mais, afinal, seria sempre a mesma resposta. Ele chegava para o almoço por volta das 11:30h, comiam, ela se arrumava e ele a levava para a escola. Ele a deixava um pouco longe da entrada sempre com a desculpa de que chegaria atrasado no trabalho, e ela já estava habituada a isso.

Todos os dias, às 17h, ele estava-a esperando no mesmo lugar, ela entrava no carro e eles voltavam para sua casa. Essa era a rotina de ambos, assim que ela chegava, ia direto para seu quarto brincar com sua mãe e dizer como foi seu dia. Elas ficavam conversando horas e horas. Olivia não tinha o costume de jantar, então fazia somente um lanche e levava para seu quarto.

Às vezes quando ela queria conversar com seu pai sobre sua mãe, do por quê ela ser tão quieta, não falar muito, ele sempre dava de ombros e mudava de assunto, quando ela insistia, ele se irritava a ponto de querer batê-la, então ela resolveu não tocar mais no assunto, talvez eles nem casados mais fossem, talvez só vivessem juntos, na mesma casa, mas como dois conhecidos. Olívia via a tristeza estampada nos olhos de sua mãe, mas não podia fazer muita coisa, apenas aceitar essa convivência.

Por muitas das vezes, Olívia indagava-a perguntando do por quê sua mãe não saía do seu quarto, do por quê ela não falava com seu pai, por que nunca ela teve um almoço com ela, um café da manhã, do por quê não ter nenhuma recordação dela e sua juntas quando era criança, mas a única resposta que Olivia tinha, era um duradouro silêncio, e mais nada.

Um dia, Olívia chegou da escola e resolveu checar seu caderno para ver um trabalho que a professora havia passado para o final de semana, algo que mudaria sua vida para sempre. O trabalho consistia em escrever uma de suas memórias favoritas com sua família e levar uma foto na segunda-feira, dia da apresentação. Como ela passava mais tempo com sua mãe, Olívia então escreveu que todas as noites brincava de boneca com sua mãe, por mais que já fosse grande, ela gostava e era a única diversão e seu passatempo preferido.

Ela então foi pedir uma foto da sua mãe de seu pai, ele então disse que só tinha fotos dela do tempo do ensino médio, quando eles se conheceram. Olivia não se importou e decidiu usar assim mesmo. Ela olhava para a foto e não via muita diferença, pois estava idêntica a sua mãe, até mesmo com as mesmas roupas, algo que ela até achou engraçado. Foi para o quarto e mostrou a foto para sua mãe, ela viu que lágrimas começaram a descer, então voltou a perguntar o que havia acontecido para ela ficar assim, sua mãe apenas sorriu.

Na segunda, Olívia foi para a escola feliz com seu trabalho e a foto de sua mãe. Quando chegou sua vez de apresentar, ela começou contando qual era sua memória favorita com sua família, que brincava com sua mãe todas as noites e mostrou a foto. Nesse momento o rosto da professora ficou sério, Olivia notou e pensou que seu trabalho estivesse errado, então a professora pediu para ver a foto mais de perto, foi quando ela reconheceu sua mãe como uma de suas ex-alunas e perguntou onde que ela tinha conseguido aquela foto, Olívia então diz que o pai dela sempre deixava aquela foto na escrivaninha dele. A professora ficou em choque e pegou um jornal antigo onde na primeira página havia uma notícia em destaque: uma garota do ensino médio tinha sido morta pelo seu namorado e depois ele tinha desaparecido.

A professora completamente assustada e com lágrimas nos olhos pega a foto e, olhando para Olívia diz: sua mãe está morta há 14 anos.