A goteira do teto pinga em meu rosto e me faz acordar aos pulos,
Aquela goteira estava ali antes de eu deitar-me para dormir?
Eu deveria esquecer a goteira e tentar lembrar do meu sonho,
Por que nossos sonhos se perdem?
Eu o esqueci, mas pensar nisso me deixa confortável,
Meus sonhos parecem cada vez mais longos,
Como se eu vivesse uma outra vida dentro da original toda vez que eu fecho os meus olhos.

Tenho saudades de quando meus sonhos dançavam no ritmo dos roncos da minha mãe quando ela me botava para dormir,
Ou quando eu escutava as músicas dela e conseguia sentir a vibração mesmo dormindo.
Agora, toda vez que vou sonhar,
Apenas consigo escutar o nada.
O silêncio que ecoa, ecoa, ecoa.
Eu estou mesmo sozinho?
Existe alguém além desta escuridão me esperando para guiar-me?

Existe um ponto da vida onde precisamos sonhar alto,
Mas acho que meu cérebro não entendeu que sonhar alto não significa sonhar longo.
Toda vez antes de dormir, imagino qual vai ser a aventura que vai esperar-me no mundo dos sonhos.
Piratas? Fadas? Fantasmas?
Pego o lençol mais macio,
O travesseiro mais confortável
E espero ansiosamente para o sono bater na porta.

Abro os olhos novamente e encontro-me na realidade.
Novamente em um quarto escuro e silencioso.
Quantos dias se passaram desde que saí pela última vez pela porta do quarto?
Eu não ligo para a realidade.
Toda vez que eu fecho meus olhos,
Eu encontro o deslumbre de me sentir vivo novamente,
Um mundo inteiro dentro da minha cabeça.

A luz dos postes da rua conseguem atingir a janela do meu quarto pela primeira vez em dias,
A realidade nos alimenta com migalhas de esperança.
Toda vez antes de dormir, imagino qual vai ser a aventura que vai esperar-me no mundo dos sonhos.
Piratas? Fadas? Fantasmas?
Pego o lençol mais macio,
O travesseiro mais confortável
E espero ansiosamente para o sono bater na porta.

Cubro meus olhos cegos pela luz,
Me imergi no aumento dela.
Já passou tanto tempo desde que espero deitado.
Ouvi o toque dos batimentos cardíacos do meu peito a noite toda,
A respiração de um peito que carrega uma vida de cansaço.
Por que o sono não me visitou esta noite?
Pela primeira vez, não fui capaz de viver de verdade.

Fiquei sem dormir por dias.
E de repente não sou mais capaz de viver,
Ou de me sentir amado pelos habitantes da minha cabeça.
Me pergunto por onde meus sonhos andam agora.
Mas isso não importa.
Se o sono não pode me fazer descansar,
Eu vou deixá-la sem escolhas.

A goteira dos meus olhos fazem elas se juntarem,
E a goteira dos meus pulsos me fará dormir.
Eu deveria esquecer a dor da goteira e tentar adivinhar meu sonho?
Desde que o sono me encontre,
Acho que logo, logo vou poder viajar.
Meus dias na realidade sem dormir levaram-me até este ponto.
Esperarei aqui, até adormecer para sempre com meus olhos de oceano.