Fundada em 1897, Belo Horizonte foi construída sobre casebres e ruas antigas. Por causa desse passado, há quem diga que alguns fantasmas estão até hoje assombrando a cidade.

Fato explicado pela professora do departamento de história da UFMG Heloísa Starling : “BH nasceu destruindo impiedosamente símbolos e sua memória local”, diz ela “Essas assombrações foram criadas pela própria cidade como uma forma de manter vivo aquilo que se perdeu com o progresso”.

A Lenda

De acordo com a lenda, a moradora de um dos casebres destruídos, conhecida como Maria Papuda, amaldiçoou o prédio construído em cima de seu lar, e as mortes ocorridas no local só ajudaram a reforçar a lenda, inclusive de algumas mortes de personalidades como Silviano Brandão, João Pinheiro, Raul Soares e Olegário Maciel.

Aconteceram mortes trágicas, como em 1997, quando o cabo da PM Valério dos Santos Oliveira foi assassinado com uma bala na cabeça. E houve ainda o caso do velório do presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte, que ficou marcado pelas mortes ali ocorridas, quando a multidão avançou sobre o cordão de isolamento. Com cassetetes, os policiais procuravam conter a confusão, então a grade se rompeu e caiu sobre as pessoas, algumas correram, tentando evitar o pior, outras que não conseguiram, foram pisoteadas. À noite, a direção do Pronto Socorro forneceu o número inicial de 166 feridos e a confirmação de 4 mortos, porém testemunhas afirmam que o número de mortos é maior que o oficial.

Relatos

O que ajudou a lenda a se tornar famosa na região foram os relatos de pessoas mais velhas sobre os grandes nomes da Política que já estiveram no local e matérias de jornais publicados na época, como contou a professora Heloísa, já mencionada acima, “Tancredo Neves não ficava no casarão depois das 18 horas de jeito nenhum. E dizem que Juscelino Kubitschek construiu o Palácio das Mangabeiras, na década de 50, para não dormir com a assombração”.