O JOGO

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Há 3 semanas

As coisas no mundo estavam andando meio monótonas para aqueles que tudo comandavam. Eram as mesmas mesmices de sempre e eles já estavam entediados com tudo que viam e faziam, então, os donos do mundo decidiram fazer um jogo, um tipo de disputa onde sairia apenas um vencedor. Um tipo de jogo macabro que reuniria os mais mortais e sangrentos seriais killers de todo o mundo. 7 assassinos, de diferentes países, caçando um a um, até restar apenas um vencedor.

Quando chegou a mim o convite desse brilhante jogo, não pensei duas vezes e fui ao local do encontro. Apenas 7 assassinos foram escolhidos, cada um de diferentes localidades do mundo todo. Cada um receberia um título, o nome de um dos 7 pecados capitais e junto de sua escolha, também receberiamos o poder e a força desses pecados, demônios em forma dos piores e mais tenebrosos sentimentos que o ser humano pode sentir.

Quando cheguei, fomos colocados todos dentro de uma sala, com uma mesa grande e tudo impecavelmente limpo. Acho que os senhores do mundo não gostam de sujeira... Haviam 7 cadeiras uma do lado da outra, mas um pouco distantes. Sentamo-nos e, a nossa frente, haviam poltronas confortáveis e do mais luxuoso material. A porta se abriu e eles entraram, pessoas vestidas com capas e capuz, não podíamos ver seus rostos, apenas suas mãos a mostra, com anéis de ouro maciço nos dedos mindinhos com diferentes cores e formas. Fiquei admirado com tudo aquilo.

Sentaram-se e foi posta uma caixa a nossa frente, dentro, havia o nome dos 7 pecados capitais. Um a um deveria ir até a mesa e tirar um dos nomes, e assim foi feito. Um a um se levantou para pegar um nome, conforme iam pegando, era pronunciado o nome do pecado que lhe fora colocado. Quando se era pronunciado, recebíamos os poderes e força do respectivo demônio. Fui o quarto a me levantar. A Gula, Preguiça e Avareza já haviam sido escolhidos.

Me levantei e coloquei a mão na caixa e tirei um nome, o pronunciei em voz alta: LUXÚRIA! Para mim, foi a melhor escolha. Após a escolha de cada nome, foi dado uma caneta e uma folha de papel, ali, escreveriámos o nome de quem queríamos que fosse nosso alvo, e assim foi feito. Foi dado também um tipo de colete, cada um com uma cor diferente, assim, poderíamos ser indentificados pelos senhores e por quem estivesse assistindo esse jogo tão macabro e cruel.

Assim que saímos do prédio, cada um entrou em um carro que já nos esperava. Lá dentro, pude pensar e planejar minha estratégia de jogo pois sabia que ia enfrentar assassinos brilhantes e inteligentes. Confesso que, estou entusiasmado com esse jogo. Posso finalmente mostrar todas as minhas qualidades e habilidades que possuo como um ótimo Serial Killer. Que comecem os jogos...

Fomos levados a uma parte isolada da cidade. Lá, iriamos nos caçar até sobrar apenas um, e não importasse quem ou o que houvesse a nossa frente, teríamos que eliminar até encontrar nosso alvo. Os senhores do mundo queriam se divertir, ver sangue e matança ao extremo, e seria isso que eu iria lhes dar.

Meu alvo era a Inveja. Para mim, não seria algo tão fácil, já que esse pecado anda de mãos dadas com todo ser humano, fazendo-o assim, ser um pouco mais forte do que os demais. Me preparei e fui a caçada sentindo aquele gosto de sangue fresco em minha boca, também estava sendo caçado então, todo o cuidado seria pouco.

Saí tomando cuidado. Tudo parecia vazio e quieto, mas com meus sentidos aguçados, sabia que não estava sozinho. Todos nós fomos deixados em lugares diferentes nesse local com pouca luz e várias casas abandonadas, a carnificina iria rolar solta já que foi investido uma grana alta em tudo isso. O prêmio para quem ficasse de pé seria dinheiro e fama, e com certeza, era muito dinheiro. Após alguns minutos circulando o local, ouvi um barulho de passos, corri e me escondi atrás de uma lixeira em um beco e fiquei a espreita, quando o vi. Era ele, alto com sua arma na mão, um tipo de machadinha. Não foi dado a nós armas de fogo, para assim, o jogo ser mais divertido. Peguei minha arma e fiquei pronto para atacar, de surpresa. Quando ele passou, sai de detrás da lixeira e fui em sua direção, mas ele já esperava. Ele me segurou e me jogou ao chão, a luta seria épica, a Luxúria contra a Inveja. As câmeras que ali tinha foram apontadas para nós, não iria decepcionar nossos senhores.

Me levantei rapidamente e peguei meu instrumento de trabalho e tortura, uma adaga mediana. Saltei em sua direção, ele se esquivou e me golpeou com a machadinha, meu braço havia sido atingido. Levantei e fui em direção a ele, no instante em que ele tentou me golpear novamente, rapidamente fui para suas costas e desferí minha adaga em seu pescoço. O sangue esguichando por entre o furo foi algo maravilhoso de se ver e sentir. Mas minha tortura não tinha acabado. Antes dele morrer, abri seu peito, apenas para poder ver seu frágil coração batendo lentamente, e para acabar com sua agonia, arranquei-o para fora do peito. Tirei também seus dois olhos e levei como troféu.

Os senhores do mundo assistiam tudo de algum lugar. A cada morte eles vibravam e pediam mais e mais, mas, não eram apenas eles que estavam assistindo, existiam outras pessoas também, pessoas poderosas no mundo. Cada um havia escolhido um pecado e apostado nele. Era um jogo sádico onde apenas um sobreviveria.

Após eliminar meu primeiro alvo, fui atrás dos outros. Meu alvo havia sido destruído, então, estava na vantagem, mas outros também mataram seus alvos. Após algumas horas de jogo, uma voz saiu de algum lugar dizendo que restavam apenas 3 participantes, Raiva, Ganância e Luxúria... Os mais poderosos e forte, e com certeza, os mais sádicos e insanos assassinos.

Tive que ser mais cauteloso a partir de agora. Tive uma sensação boa por saber que teria rivais a altura, finalmente. A Raiva me encontrou primeiro, e já veio logo com toda a ira que lhe consumia. Ele era grande, forte e tinha uma força incomum. Com facilidade me jogou contra a parede, me fazendo sangrar e me deixar com sede de sangue. Me levantei e fui em sua direção, percebi que ela não tinha um plano, não agia de forma pensada, apenas era conduzida pela raiva. Esperei ele me atacar então, esquivei-me de seu golpe, conseguindo cravar minha adaga em seu peito.

Com força o empurrei contra a parede, forçando a adaga a cortar seu peito de cima a baixo. Foi um derramar de sangue delicioso. Já quase sem vida, ele ainda conseguiu, com a força que o pecado havia lhe concedido, perfurar meu braço com sua faca, isso me deixou com mais ira. Cortei fora sua cabeça para mostrar que não estava para brincadeira. Assim que ele caiu no chão, senti uma flecha atravessar meu braço, o mesmo que a Raiva havia golpeado.

Droga... A Ganância havia me encontrado. Sobrou apenas nos dois, um iria morrer e outro sobreviver, para a alegria dos que estavam assistindo. Corri para atrás de um armazém e tentei me recuperar, mas ouvi os seus passos vindo rápido a minha procura. Consegui tirar a flecha e enfaixar meu braço estancando assim o ferimento. Proto para a luta, sai de onde estava e fui até ele.

Ele atirou mais flechas, mas consegui desviá-las. Mostrei também que sou bom em atirar facas. Joguei uma e acertei em seu braço, fazendo-o soltar o arco. Corri e dei um salto para atrás dele, mas ele conseguiu desferir um golpe em meu rosto e me jogar no chão. Queria uma briga de gangster, e era o que ele teria. Peguei minha adaga e fui a luta.

Tentava acertá-lo mas ele era rápido. Desferiu dois socos em meu rosto, me fazendo cair ao chão. Ele veio pra cima de mim tentando cravar sua faca em meu pescoço, mas tentei me proteger. Consegui empurrá-lo para longe me dando a chance de me levantar. Foi quando ele veio para cima de mim e vi que ele havia deixado a guarda aberta, era a minha chance.

Consegui acertar a adaga em seu peito e, não perdi tempo. Com o golpe ele ficou lento, pude então cortar seu pescoço de ponta a ponta. O sangue quente sendo derramado me dava uma sensação ótima de dever cumprido. Havia conseguido sobreviver, ferido e ensanguentado, mas vivo. Nesse momento um carro entra onde estávamos e um homem de terno preto sai de dentro dele.

Uma voz novamente pode ser ouvida vindo de algum lugar:

Meus parabéns campeão, você foi o único que sobreviveu ao nosso jogo de gato e rato. Prometemos que iria restar apenas um vivo, mas... Ferido e sagrando como você está, não nos serviria de muita coisa, então, vamos lhe poupar da dor.

Nesse momento o homem de terno sacou uma arma e atirou em mim, 5 vezes, me deixando agonizando no chão. Ele então entrou em seu carro e saiu. Pude ouvir, antes de apagar de vez, a voz dizendo: "Ainda temos muitos outros assassinos para convidar ao nosso jogo. Esse foi apenas o primeiro para nossa diversão..."

Os jogos estavam apenas começando e ainda haveria muito sangue derramado, somente como entretenimento dos Senhores do Mundo.