Era uma madrugada com forte tempestade, entre duas ou três da manhã na imensa cidade de São Paulo.

A chuva caía densa por entre os prédios do centro, enchendo ainda mais o chão das ruas e becos já muito empoçados pela quantidade de água que não escoava tão rapidamente.

Não havia ninguém nas ruas, não somente pelo horário, mas também pelas condições do tempo nada favoráveis.

O centro em si, não é uma área residencial, portanto, é muito mais comum que se vejam pessoas saindo de bares, viciados e sem teto, que naquela hora muito provavelmente estavam se abrigando da forte chuva com raios e trovões que cobriam toda a cidade.

Porém, por algum motivo, em meio a toda adversidade do momento, passava a passos largos e acelerados, uma garota com um guarda-chuva vermelho. Ela segurava sua bolsa um pouco à frente do corpo, protegendo-a da chuva e talvez de possíveis pessoas mal intencionadas. O problema é que um ponto de referência vermelho se movendo em uma noite escura e solitária, certamente chamaria atenção suficiente de quem estivesse interessado em lhe causar mal.

Bem... Não demorou muito até que, enquanto andava rapidamente pela calçada, alguém começasse a segui-la.

Obviamente a garota ao notar que de algum dos becos, surgiu um homem exposto a chuva, com roupas sujas e rasgadas, andando um pouco atrás dela e seguindo na mesma direção, desconfiou que algo de bom não poderia ser.

Com o coração acelerado, tentou adiantar um pouco mais os passos.

Não havia como entrar em algum lugar para tentar se abrigar e esperar o possível perigo passar, todos os estabelecimentos estavam fechados e talvez devido à chuva, não era possível avistar nenhum patrulhamento por perto.

A garota olha pra trás e o homem abre um sorriso malicioso. Só era possível ver com clareza o sorriso, já que os cabelos desgrenhados molhados pela chuva cobriam o rosto até a altura do nariz.

Agora estava claro que algo de ruim aconteceria, a garota havia tido certeza naquele momento.

Então ela pensou em atravessar a rua e caso ele continuasse a seguir, correria para a avenida que ficava a direta do próximo quarteirão, mas quando pisou um pé da calçada para a rua, foi pega pelo braço.

O homem havia corrido para segurá-la e ela nem ao menos percebeu por conta da chuva estrondosa. Ela olhou para o próprio braço quando sentiu que algo a segurou e viu a mão suja com unhas amareladas e grandes, olhou em seguida direto para o rosto daquele homem e o corpo da garota em resposta ao medo do perigo, passou a ficar trêmulo, coração parecia que saltaria pela boca de tão forte... Não pensou duas vezes:

- SOCORRO!! ME SOLTA. SOCORRO!!

A garota levou um soco na região das costelas que a fez se dobrar para o lado soltando o guarda-chuva e parando de gritar no mesmo instante.

- Cala a boca, sua vagabunda! Nessa chuva toda, você acha que alguém pode te ouvir? – Disse o homem enquanto debochando do desespero da garota.

A garota desnorteada, não esperava de modo algum levar um soco, ficou apenas com os olhos arregalados enquanto a chuva imediatamente a deixava encharcada.

- O que você quer? Pode levar o celular, está na bolsa. – A garota ergueu a bolsa molhada para que o homem pegasse.

Ele apenas riu enquanto olhava de cima a baixo o corpo da garota toda molhada, claramente cheio das piores intenções.

Olhou para o beco sem saída mais adiante e começou a arrastar pelo braço a garota.

Ela começou a chorar e falar enquanto tentava se soltar daquele ser humano desprezível:

- Não, por favor, não faz isso. Me deixa ir embora, por favor...

O homem sequer esboçou qualquer reação, continuou seguindo.

A garota chorava muito, mas tinha medo de continuar gritando e apanhar mais, olhava em volta na esperança de encontrar algo que pudesse usar para machucar o homem, mas tudo que via eram sacos de lixo.

Já dentro do beco, o homem joga a garota no chão, próximo a parede. Ela cai em meio alguns sacos de lixo e corta a mão. Foi quando ela notou que havia se cortado em uma garrafa quebrada, então ela segurou firme o caco, já disposta a enterrar no pescoço do homem, caso ele encostasse nela.

Então o homem olha para a garota no chão, com aquele sorrido imundo, aperta suas partes íntimas, enquanto olha para ela em meio ao chão sujo cheio de poças de água marrom por causa da sujeira.

Ele da um passo na direção dela e ela imediatamente, cheia de nojo, saca o pedaço de garrafa quebrada, mirando diretamente para o homem:

-SAI DE PERTO DE MIM!! - Disse ela enquanto chorava

- Ooopa... HAHAHA, calma linda. Não precisa dificultar as coisas, podemos acabar logo se você colaborar. - Disse o homem debochando mais uma vez da garota horrorizada.

Ela continuava segurando firme o pedaço de garrafa quebrada, naquele momento, sabia que o que estaria por vir, seria a coisa mais repulsiva de toda sua vida.

O homem deu outro passo adiante e imediatamente a garota tentou atingir suas pernas, mas ele se esquivou a tempo.

-FILHA DA PUTA - Disse o homem enfurecido.

Em seguida, ele chutou a mão da garota, fazendo-a largar o caco de vidro e passou e desferir socos nela enquanto ela tentava se proteger encolhida com os braços e mãos sobre o rosto e a cabeça.

A garota chorava muito e o homem parou por um instante.

A garota olhou por entre seus braços na frente do rosto em meio aos soluços de choro, notou que o homem havia se abaixado diante dela e de repente sente uma mão áspera adentrar sua blusa e subir até alcançar seu seio por baixo do sutiã.

O coração da garota a essa altura, pulsava como uma verdadeira bomba, ela já não tinha mais saída. Olhou para o chão e viu que o pedaço da garrafa ainda estava próximo, sua única chance era tentar alcançar e acabar de uma vez com o maldito estuprador, agora ela já não se importava mais com nada que pudesse acontecer, sua única saída era lutar mesmo que isso custasse sua vida, morrer parecia melhor.

De repente, em meio ao breu, ouve-se um impacto estrondoso no chão, bem na entrada do beco.

Ambos se assustaram muito, olharam na direção do impacto com os olhos arregalados e viram um outro homem agachado. Este usava moletom e o capuz estava sobre a cabeça, por cima do moletom uma jaqueta preta de couro. O encapuzado se levanta devagar, porém com a cabeça abaixada.

- Que porra é essa, maluco? – Disse o homem, claramente assustado e levantando rapidamente como se quisesse disfarçar.

Quando o misterioso homem levantou a cabeça, haviam olhos vermelhos que brilhavam e se destacavam sobre um rosto moreno e uma expressão de fúria assustadora.

O homem e a garota no beco, ficaram aterrorizados, o ambiente ficou carregado de medo.

Então o encapuzado andou em direção ao homem, seu olhar parecia analisar qual parte destroçaria primeiro. O homem tentou correr para fora do beco, talvez com medo de ter sido flagrado ou com medo do encapuzado, mas o encapuzado muito facilmente o pegou pelo pescoço, ergueu o homem, olhou bem fixo para o rosto dele em pânico, abriu um sorriso macabro e o jogou contra a parede ao fundo, no mesmo instante do impacto o homem ficou parcialmente desacordado. Em seguida o encapuzado olhou para a garota no chão, foi até ela e ergueu a mão para ajudá-la a se levantar, mas ela em uma reação automática pela sua vida e ainda sob o efeito da adrenalina alta pelo perigo em que estava exposta, se esticou para pegar novamente o pedaço de garrafa e atingiu a mão do misterioso homem, mas sem causar sequer um arranhão.

- É assim que me agradece, moça? – Disse o encapuzado sem tirar o macabro sorriso do rosto. – Vamos, levante e saia daqui, não vai querer ficar para assistir o que vem a seguir, acredite em mim. A menos que queira me ajudar. - Completou ele abrindo ainda mais o sorriso e com os olhos vermelhos fixos nos olhos da garota.

A garota se levantou as pressas quando notou que apesar de assustador, o misterioso encapuzado veio em seu favor, como um anjo, no entanto com expressões demoníacas.

Tropeçando em si mesma correu, porém ficou de canto na saída do beco para ver o que aconteceria com o homem lá dentro.

O encapuzado seguiu da direção do homem, se abaixou e deu uns tapas no rosto dele o forçando a recobrar os sentidos.

- Ahhh, bom dia, bela adormecida. Onde estávamos mesmo? – O sorriso sinistro do encapuzado se desfez e seus olhos vermelhos se intensificaram. - Ah sim, claro, você ia mesmo abusar daquela garota? Eu não consigo entender pessoas da sua laia, são porcos imundos, são vermes da pior espécie.

Você espancou a menina, meteu sua mão imunda debaixo da blusa dela, eu devia era ter pulado direto na sua cabeça.

- Não, cara... Eu, eu, só queria dar um susto nela... Sei lá... Acho que saí de mim... Desculpa! - O homem parecia confuso sobre o que estava acontecendo ali.

- Porque está pedindo desculpas para mim? Foi a mim que você arrastou até aqui? Foi a mim que espancou e tentou abusar? - Questionou o encapuzado claramente enfurecido.

- Quer que eu me desculpe com ela? Onde ela tá? - Perguntou o homem apavorado, afinal ele havia sido lançado por metros por um cara que nem se esforçou para isso e este cara estava bem a sua frente e parecia estar com muita raiva.

- A única coisa que eu quero, é que você nunca mais se aproxime com más intenções de outras garotas por aí. Isso precisa acabar.

- Tudo bem, cara, eu prometo que não vou, eu juro. Eu nem sei porque eu fiz isso. - O homem tenta se justificar mais uma vez, buscando uma chance de se livrar do encapuzado

-Não, não, não... Eu conheço o seu tipo, sempre voltam, sempre caem na tentação de fazer merda e eu tô aqui justamente pra livrar as pessoas de mais uma imundice como você. - A voz do encapuzado parecia ter engrossado alguns tons.

O encapuzado ergue novamente o homem pelo pescoço, mas agora contra a parede e com a outra mão, cerra o punho olhando fixamente dentro dos olhos do abusador.

- O que?? O que você vai fazer?? SOCORRO!! ESSE CARA QUER ME MATAR, SOCORRO!! - Desesperado por perceber que poderia morrer, o homem começa a gritar.

O misterioso encapuzado cerra os dentes...

Os gritos cessam imediatamente depois do homem levar um soco muito forte na região das costelas, afundando-as para dentro.

- Cala a boca, seu lixo! Nessa chuva toda, você acha que alguém pode te ouvir? – Disse o encapuzado fazendo referência a crueldade ainda a pouco feita pelo homem contra a garota.

A garota da ponta do beco viu a cena e levou a mão até a boca, muito assustada e com os olhos arregalados

O homem já não conseguia mais falar, provavelmente teve alguns órgãos perfurados, fora as costelas quebradas, então o encapuzado o jogou no chão.

O homem ficou estático, apenas olhava do chão para o rosto de seu algoz sem se mexer devido as dores e dificuldade para respirar

O misterioso encapuzado o encarava de volta sem nenhuma hesitação ou pena.

- Exatamente como o verme que você é, seu lugar é no chão. - Disse o encapuzado ainda encarando por alguns segundos - E debaixo da minha bota - Concluiu.

Sem cerimônia alguma, pisou forte no crânio do homem, estourando-o completamente e deixando sangue e miolos espirrados na parede.

A garota ficou aterrorizada, percebeu que não devia ter ficado ali, exatamente como havia sido aconselhada, mas também estava com medo de ser notada local, então não se moveu.

O encapuzado quando finalizou o que queria fazer, olhou para cima deixando a chuva cair sobre o rosto por alguns segundos, respirou bem fundo, flexionou levemente as pernas e no clarão e estrondo do raio que caiu, ele desapareceu da cena de forma tão rápida que não pôde ser acompanhado.

A garota ficou impressionada, mas saiu correndo no instante em que ele sumiu, pegou a bolsa que havia ficado caída na rua e seguiu correndo em direção a avenida do próximo quarteirão.

O encapuzado estava no topo do prédio ao lado do beco e ficou observando ela ir embora, agachado na ponta do parapeito.