O CLÃ: Capítulo VI - O Bater de Asas

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Por Jeren
Há 5 dias

A sociedade usufrui de vários ditados populares, o mais interessante delas é o fato de que elas narram pequenos momentos de nossas vidas em poucas palavras. O ditado que muitas pessoas costumam escutar no seu dia-a-dia é a de que "o bater de asas de uma borboleta pode fazer um tornado em algum lugar do mundo", ou seja, toda ação traz consequências, e, dependendo das escolhas que tomar, as consequências podem alternar entre boas e ruins.

"Será que fizemos a escolha certa?", essa era a dúvida que atormentava a cabeça de muitos do Clã, a maioria já sabia que visitar aquele castelo já fora a pior escolha dentre todas as outras que podiam fazer, mas, de certa forma, o passado era o menor dos problemas, porque agora, o grupo precisava de certa forma lidar com o tornado que a borboleta havia causado.

Grande parte do Clã estava em prantos, JC havia queimado diante dos olhos de todos da sala. O silêncio invade com voracidade, de forma que todos pudessem apenas escutar soluços e gemidos de todos que estavam chorando a perda trágica do "pai do clã". Khing, ao contrário do grupo, estava confuso, mas antes de entrar na sala e perguntar o que estava acontecendo, o mesmo escutou ruídos vindo de sua direita, no corredor.

- "Qual é?! De novo não. QUEM É?" - Khing grita, assustando Karma que estava abraçada a ele e perturbando o silêncio de todos da sala.

- "Por que vocês me deixaram sozinho?" - Todos escutam uma voz masculina vinda do fim do corredor, respondendo Khing.

David saiu rapidamente da sala, tropeçando em alguns objetos que estavam jogados pelo chão, ele segurou a lanterna com a mão levemente trêmula e mirou na direção de onde vinha a voz.

- "João?" - Davi diz confuso - "é REALMENTE você?"

Todos correm e se juntam ao Khing, Karma e Davi no corredor.

- "João?" - Karma questiona a pessoa que estava presente logo em frente ao grupo - "Você não..."

- "É culpa sua!!" - Jeren interrompe Karma e sai de trás do grupo e se posiciona em frente à João - "Por culpa da sua brincadeira idiota o JC morreu, está satisfeito? Como se sente agora depois de seu suicídio barato custou uma vida?"

- "Suicídio barato? De que diabos você tá falando, cara?" - João diz expressando um semblante confuso no rosto.

O grupo estava inquieto e confuso, estavam todos cansados de tudo que estava acontecendo. Jeren se cala, o mesmo estava sentindo uma mistura entre raiva e tristeza, ele fecha seu punho e, quando estava prestes a desferir um soco no rosto de João, Vicky o puxa pelo braço para se juntar ao grupo novamente.

- "Jeren, não tente arranjar mais problemas, não vê que já estamos na merda?" - Vicky soou bastante desesperada dizendo aquilo, ninguém nunca à viu naquele estado.

- "Que seja." - Jeren não parecia tão diferente de Vicky, já que o mesmo nunca mostrou sua raiva para o Clã.

- "Alguém pode me dizer o que está acontecendo?" - João eleva sua voz para todos à sua frente, Khing de certa forma também precisava saber o porquê de todos estarem tão tristes.

- "JC morreu, ele se sacrificou para salvar Khing" - Ghost diz com clareza enquanto ele mexia nas cordas de seu moletom, de certa forma, o mesmo estava tentando resistir e se manter firme à perda do amigo - "Nós ainda precisamos continuar procurando por uma saída."

- "N-Não tão rápido, ainda não podemos confiar no João. Como a-alguém que vimos morto está agora na nossa frente?" - Chaos indagava enquanto segurava a mão de Neka, apesar de suas palavras saírem trêmulas, ainda eram carregadas de firmeza. - "V-Vocês não estão pensando em deixar ele solto por aí, estão?"

As palavras que Chaos disse era como se fossem uma facada, ele estava certo, ninguém sabia o que realmente havia acontecido com ele.

- "João, o quanto você se lembra?" - Vicky se aproxima até uma distância segura de João e pergunta, aparentando um pouco mais calma.

- "Eu não sei... acordei de madrugada com uma sensação estranha, algum corvo estava me observando, foi como se ele soubesse a resposta do que eu estava sentindo, me senti hipnotizado para guiar ele, como se tudo na minha vida dependesse daquilo..." - João diz aquilo tudo enquanto encara o chão que possuíam algumas marcas de chamas - "Eu não sei o que estava acontecendo, foi como se eu estivesse o seguindo até aqui."

Vicky se vira para Tio Lu e o olha com uma expressão de desmotivação. Naquele ponto ninguém sabia o que fazer, todos ficam em silêncio tentando achar formas de resolver todos os problemas.

Depois de muito tempo, parados olhando um para o outro, Moon se vira entusiasmada.

- "Nós precisamos sair daqui!" - Moon grita bem alto, na necessidade de que todos as escutem.

- "Ah, não me diga." -Resmungou Dean, que agora estava sentado no chão do corredor, se entretendo arremessando pedrinhas para o corredor vazio.

- "Bom, vocês sabem... Não vamos sair se ficarmos aqui parados, não é mesmo?" - Moon completamente calma enquanto alonga seus braços - "Claro, se ninguém for comigo, vou ter que ficar aqui, depois que o Khing deu a louca, é melhor evitarmos andar sozinhos por aí."

Khing reagiu estranho ao comentário, afinal, ele conseguia se lembrar de muita coisa, mas não sabia se deveria contar, já havia acontecido coisa demais e ele queria filtrar algumas informações, pelo bem da sanidade de todos. Apesar disso, ele também sentia à vontade insaciável de contar.

- "Pessoal... No porão há uma pilha gigante de manequins, será que é um lugar muito óbvio para uma chave?" - Khing diz com um semblante sério, observando se João dá uma pista de que sabia daquele lugar, mas, como esperado, ele não respondeu.

- "Se eu estivesse em um conto de terror, esse seria o último lugar que eu iria procurar a chave, parece ser o habitat natural do Chupa Cu que tá tentando matar a gente." - David, como sempre, soa irônico, como se a situação não fosse assustadora o suficiente, mas todos sabiam que a situação não era tão fácil quanto David fazia parecer.

Ao debater sobre os locais que deveriam procurar primeiro, chegaram a um consenso: Desta vez se separariam em três grupos de quatro pessoas. O primeiro grupo era formado por Khing, Karma, João e Chaos, o segundo por Vicky, Jeren, Davi e Ghost, e por último, o terceiro era formado por Neka, Tio Lu, Moon e Dean. O grupo resolveu em criar quartetos por ser perigoso demais dividirmos em duplas e por somente haver três Walkie-talkies funcionando. No fundo, todos esperavam que esse plano fosse o bater de asas que causaria um "tornado agradável".

O Clã finalmente se separa novamente, indo para locais diferentes do castelo. O grupo de Vicky, Jeren, Ghost e Davi seguiram para o fim do corredor, entrando na primeira sala que encontraram, a luz da lanterna que David segurava parecia que não iria durar por muito tempo, já que a luz apagava e acendia de volta repentinamente.

- "Droga, vocês também não trouxeram pilha, não é?" - David diz dando batidinhas na lanterna, na esperança de que fosse funcionar.

- "Não, eu não estava pretendendo ficar preso num castelo até ficar escuro..." - Jeren tenta ser sarcástico olhando para o rosto de Ghost, que estava com sujeira nas bochechas e com uma expressão de cansaço - "Bom... Acho que ninguém pretendia".

- "Vicky, espera, eu acho que tenho alguma pilha por aqui..." - Vicky pega um pequeno radinho de bolso e tira as pilhas dele - "Aqui tem algumas pilhas...".

- "Você está brincadeira, não está?" - Ghost parece desapontado - "Você trouxe um radinho para cá?"

- "Ah, eu não percebi que ele estava aqui até tocar no bolso" - Vicky retruca de volta - "Infelizmente eu percebi que o rádio não pega nenhuma transmissão aqui, então podemos usar as pilhas para algo útil, como a lanterna".

Vicky dá as pilhas para David, que rapidamente coloca elas na lanterna, que agora solta uma rajada de luz forte e maior. Jeren olha à sua volta e percebe que havia um jornal caído no canto da sala, onde, outra vez, estava o seu livro do conto "O Álbum de Fotografias do Vovô". Jeren pega o jornal, na esperança de ler algo importante sobre o castelo.

- "Pessoal, eu acho que encontrei algo..." - Jeren ergue o jornal para o alto e o balança, chamando atenção dos outros - "Parece conter algo importante".

- "O que está esperando? Leia, leia." - Vicky diz ansiosa.

- "Certo... Jornal Extra de Londres: corpo de jovem mulher é encontrada mutilada em um beco, peritos afirmam que alguns órgãos como o coração e os órgãos reprodutores..." - Jeren lê com dificuldade e logo é interrompido por Ghost, que parecia desesperado.

- "Meu Amado Jack..." - Ghost diz sussurrando, o jeito que ele age é como se ele quisesse gritar - "Tem um assassino atrás de nós, se escondam!".

O quarteto consegue escutar passos vindos do corredor, como se alguém estivesse cambaleando lentamente para a sala. Em seguida, Jeren afirma em silêncio com a cabeça e tenta pensar em um lugar rápido para se esconder com o grupo, a sala era exatamente como ele tinha encontrado antes, exceto pelo fato de que o álbum de fotografias fora substituído magicamente por um jornal sobre um serial killer.

- "Venham!" - Jeren chama a atenção dos outros para trás de um altar largo, decorado com velas, o único lugar da sala que dava para se esconder de alguma forma.

O grupo anda silenciosamente para trás do altar, uma vez que os passos estavam do outro lado da porta, que se abre lentamente. Vicky estava choramingando, tampando sua boca para não gritar, David conseguia sentir a respiração pesada dos outros, agora os passos estavam caminhando por dentro da sala. Um manequim vestido de tecidos esfarrapados e sujos cambaleia com dificuldades para as janelas que exibiam um céu noturno decorado de estrelas e uma lua cheia. O grupo não podia ver muita coisa, estava escuro e a lanterna que David segurava teve que ser desligada, a única fonte de luz que o grupo tinha saiam das velas acima do altar onde estavam escondidos.

- "Ghost, como podemos sair vivos dessa?" - Vicky tira sua mão da boca e sussurra bem baixo.

- "Não sei, não sei! Somos quatro, por que não tentamos imobilizar aquela coisa?" – Responde Ghost.

- "Talvez porque ele esteja armado?" - David sussurra olhando pelo canto do altar.

Os passos voltam a ser escutados, mas dessa vez, indo embora lentamente. O grupo se sente aliviado quando o manequim sai do quarto.

- "Por que tudo desse castelo se resume à manequins?" - Indagava David - "Precisamos contar para os outros que tem um manequim andando por aí brincando de serial killer dos contos do Ghost."

O grupo levantou de trás do altar, um pouco desconfiados por não ter acontecido nada demais, Vicky pegou o Walkie-Talkie e pediu para os outros grupos se reunirem rapidamente no saguão principal para poder alertar sobre algo importante.

- "Acho que devemos ir com cuidado para o saguão, o manequim ainda deve estar por aí" - Jeren disse enquanto caminhava na ponta dos pés para a porta.

Vicky, Davi e Fam seguiram logo atrás. De alguma forma, Jeren sentiu que não deveria passar por aquela porta, mas mesmo assim, ignorou seus pensamentos. Ao cruzar a porta, Jeren pegou a lanterna da mão de David e iluminou o corredor escuro, onde diversas partes de outros manequins estavam decepadas, penduradas e espalhadas. Seria a representação das vítimas do serial killer do conto de Ghost? De alguma forma, Jeren sabia que sair da sala traria consequências ruins, principalmente porque aquela criatura estava o observando no fim do corredor, apreciando sua próxima presa.

Comentários

Anônimo
Perfeição, realmente, perfeição.
17/02/2021
Anônimo
Que orgulho!! Você se superou, viu? Pode ser difícil no início, mas quando as ideias criam força não há como parar. Senti a tensão de todos os personagens, adorei o manequim serial killer caminhando pelos corredores procurando a próxima vítima! Arrasouuuuuu, parabéns jerenzinho ❤️ - Vicky
17/02/2021
Anônimo
Muito bom
17/02/2021
Anônimo
Bom demaissss!
18/02/2021