O CLÃ: Capítulo IV - Um Por Todos Ou Todos Por Um?

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Por Khing
Há 2 semanas

Após a falha tentativa em abrir a porta, JC tremeu por dentro. Esses são os piores momentos para um líder, já que obviamente, não demorariam a pedir novas instruções e JC por hora não sabia mais o que fazer.

- “Ai Meu Deus” - Disse Jeren aparentando estar poucos passos de se descontrolar.

Vicky olha o estado de Jeren e também já assustada, se dirige até JC e pergunta:

- “JC, o que vamos fazer agora?”

O líder não respondeu, estava estático.

A noite estava muito densa, ouvia-se o vento nas árvores ao redor da casa e mais nada. A escuridão era total naquele ponto. Os membros começaram a discutir entre si, tentando pensar em alguma solução para a situação. Na cabeça de JC, todo o ruído soava apenas como vozes em conjunto, ele não conseguia processar o que estavam dizendo. O stress psicológico tomou conta naqueles minutos.

O suicídio do amigo, coisas estranhas acontecendo, Karma encontrada quase morta.

Khing, ainda com um pouco de raiva por considerar que aquela situação toda era culpa de JC por ter combinado um encontro em local desconhecido, disse em um tom desafiador:

- “Qual foi JC?! Dá um jeito cara. Vamos ficar parados aqui esperando o que?”

- “Khing, as coisas não são tão simples quanto você pensa. Está difícil de notar que nossas vidas estão em risco? Não podemos pisar em falso e a partir daqui todos os nossos passos precisam ser pensados.” - Respondeu JC um pouco ríspido.

Aparentemente a pressão deixava o líder bastante desconfortável.

Os demais membros se voltaram para a discussão, mas nenhum deles se pronunciava.

Khing sentiu ainda menos confiança em JC:

- “Ahhhh, agora você quer pensar nos passos? Me parece bem tarde pra isso.”

Em seguida, sem esperar uma resposta de JC, Khing se voltou para todos que estavam reunidos dizendo:

- “Vocês tem uma escolha, esperar que o gigante aí termine de meditar ou podem me ajudar a encontrar um jeito de sair dessa merda verificando cada canto do castelo.”

Ninguém deu qualquer resposta a Khing, então ele finalizou dizendo:

- “Vocês é que sabem.”

Depois saiu sozinho com sua lanterna até que sumisse da vista dos demais membros.

Todos ficaram um tanto incrédulos com o nível em que Khing levou toda aquela situação, geralmente em situações de sobrevivência, todos querem permanecer juntos.

- “KHING, PRA QUE ISSO, CARA?!” - Gritou Moon.

- “NÃO É BOM ANDAR POR AQUI SOZINHO, VOCÊ AO MENOS ESTÁ COM O RÁDIO?” - Acrescentou Vicky, mas ambas não tiveram resposta.

JC não podia ficar calado, precisava manter o respeito de líder intacto:

- “Pessoal, calma. O Khing precisa esfriar a cabeça. Não podemos fazer nada além de esperar que nada de ruim aconteça a ele.”

Jeren então sugeriu:

- “JC, não é melhor continuarmos tentando encontrar a chave?”

JC assentiu com a cabeça e finalizou dizendo:

- “Sim, Jeren. A única diferença é que precisamos que o David fique aqui com Karma, ela ainda não está muito bem e Tio Lu forme dupla com a Vicky no lugar do David. Jeren vem comigo e Ghost, o restante de nós continua igual.”

Tio Lu deu de ombros, ele aparentava ser muito sombrio. Observava o tempo inteiro com muita atenção cada coisa dita, mas não interagia muito. No entanto, todos estavam muito preocupados com o lugar ao ponto de não notar isso.

Jeren contou ao JC exatamente o que viu sobre o álbum. JC ficou bastante intrigado e pensativo, mas não disse nada.

Será que a criatividade dos escritores ganhava forma, ou será que aquele seria o medo inconsciente de cada um?

Da mesma forma, Vicky contou ao Tio Lu o que houve no quarto em que ela e David verificaram. Tio Lu ouviu tudo, mas não fez nenhum comentário.

- “Você não está afim de conversa né...” - Vicky deixou a retórica.

Tio Lu então olhou para ela enquanto caminhavam, depois olhou para frente novamente e disse:

- “Vicky, conversei um pouco com o Khing, como você viu, nas últimas horas estivemos juntos e formamos dupla. No pouco que conversei com ele, notei que ele é bastante interessado no bem estar de todos. Ele me disse que vê e ouve muitas coisas sobrenaturais, ou seja, tem uma sensibilidade muito grande.”

Vicky se arrepiou enquanto ouvia o que Tio Lu dizia mesclado com o barulho dos ventos fortes do lado de fora. E a conversa continuou:

- “Assim que chegamos, ele me disse que viu uma forma grotesca nos observando dos pontos menos luminosos do castelo. Vicky, ele descreveu o que estava vendo: era uma coisa marrom, com olhos pretos. A pele parecia pegajosa e ele era bem curvado. Não era possível ver com tanta clareza, afinal estava bem escuro.”

Vicky estava tão assustada naquele ponto, que fez uma pergunta totalmente irracional:

- “Será que não era algum animal?”.

- “Não Vicky, apenas ele podia ver.” - Respondeu Tio Lu e logo continuou:

- “Eu até pensei que pudesse ser coisa da cabeça dele ou que ele estivesse tentando me assustar, mas em uma ocasião enquanto andávamos pelos corredores, como estamos fazendo agora, ele parou e disse que essa coisa estava parada na parede. Ele olhou fixamente e me disse que aquela coisa notou que ele podia vê-lo porque sorriu para ele e ele podia ver os dentes podres. Eu olhei e não vi nada. Então Khing me disse que aquilo começou a andar de costas na parede em direção ao escuro. Vicky, eu cheguei a rir, mas um quadro que havia naquela parede, caiu justamente quando Khing disse que a coisa começou a andar. Desde então estou um pouco preocupado.”

- “Mas Tio Lu, porque ele saiu sozinho? Ele só pode ser louco!” - Perguntou Vicky, claramente apavorada.

Tio Lu concluiu:

- “Se quer saber, acho que ele fez aquele showzinho justamente para que pudesse encontrar uma resposta sem alarmar ninguém. Eu não me juntei a ele porque acho loucura. Ele provavelmente está protegendo os outros membros.”

Vicky então disse:

- “Você tinha que ter contado isso pra gente, Tio Lu. Vamos voltar e avisar os outros.” - Vicky e Tio Lu começaram a voltar apressados.

Enquanto isso, Dean e Moon verificavam cômodos e de repente entraram em um onde havia muitos livros abertos.

Um especificamente chamou a atenção de Moon. Um livro grande e grosso o suficiente para caber 3 bíblias. A Capa era feita com o couro de algum animal, estava ressecada como pele mumificada e ainda coberta por pelos do animal.

- “Dean, vem ver isso. Que loucura...” - Moon chamou Dean, mas o mesmo mostrou a palma pedindo que ela esperasse. Ele estava muito entretido em um dos livros que pegou.

Ela então continuou com o livro e ao abrir, começou a folhear as grossas páginas amareladas. Chegou em um ponto onde havia o desenho de uma forma humanoide com fogo ao redor e corpos em pedaços aos seus pés.

- “Dean...” - Moon chamou Dean novamente, mas sem resposta.

Na página seguinte havia a mesma forma humanoide, mas agora havia uma caveira brilhante sobre ela.

Na página seguinte, havia um homem encapuzado segurando a caveira. Suas mãos estavam em chamas e a forma humanoide parecia se retorcer no chão.

No rodapé cotinha os seguintes escritos:

“Male viventem in tenebris In nomine ordine illustrati Ite ad ínferos”

Moon concluiu que aquilo parecia ser uma forma de derrotar algum ser maléfico. Provavelmente material ocultista que pertenceram às pessoas que já estiveram ali.

Dean continuou entretido, então Moon precisou chama-lo novamente pra que voltassem às buscas.

Karma recobrou um pouco da consciência. David perguntou se ela estava bem se ela se lembrava do que aconteceu.

Karma não se lembrava de nada:

- “Eu me senti mal de repente, como se minha pressão estivesse baixa, mas de alguma forma eu sabia que não era isso. Senti meu corpo bater no chão e apaguei.”

- “Karma, nós te encontramos com você quase morta. Gelada e mal respirava.” - David explicou a ela e continuou:

- “Consegue andar? Vamos pro segundo andar, você pode se deitar lá em um dos quartos até se recuperar totalmente, não é bom ficarmos aqui, tem muita coisa estranha acontecendo e todo o clã está tentando encontrar uma forma de tirar a gente daqui. Menos o Khing, ele... bem, sei lá o que deu nele.”

Karma se levantou e foram andando devagar até entrar no primeiro quarto que viram.

Ela se deitou e David puxou uma cadeira para se sentar próximo à porta.

Ele não havia notado em qual quarto estavam até correr os olhos pelo cômodo e se deparar com o corpo de João enrolado na cortina.

David engoliu seco, mas preferiu não dizer nada a Karma e ignorar o corpo.

Neka e Chaos chegaram em alas que pareciam se tratar de uma cozinha. Havia uma pia grande com um cutelo em cima e o piso era branco e preto em quadrados, como um tabuleiro de xadrez. Porém além disso, não havia mais nada, a não ser uma porta no fundo do cômodo.

Chaos tentou abrir, mas estava trancada.

- “O que será que tem aqui de tão importante para estar trancada?” - Perguntou Chaos.

Neka deu de ombros e sugeriu:

- “Podíamos tentar abrir com aquilo.” - Apontando para o cutelo na pia.

Chaos então foi até a pia e pegou o utensílio que estranhamente ainda estava afiado.

- “Eu não sei se é uma boa ideia fazermos tanto barulho tentando partir a porta com esse troço.” - Disse Chaos.

Então Neka sugeriu novamente:

- “Faz o seguinte: Coloca a lâmina no vão perto da fechadura, entre o batente e a porta e tenta forçar até abrir.” - Chaos segue a sugestão e ambos tentam, mas a porta era bem resistente.

Chaos então diz a Neka que eles avisem aos demais sobre a porta para que possam verificar juntos.

Pelo rádio, Vicky informou que Tio Lu e ela estavam indo para o salão principal e que tinham algo muito importante para dizer.

Chaos respondeu imediatamente dizendo que encontraram algo e precisavam de ajuda, por isso também estavam voltando.

JC ouvindo, informou que já estavam indo.

Moon também confirmou o retorno com Dean.

David e Karma estavam sem rádio, assim como Khing.

Khing estava caminhando sozinho por entre corredores, ele estava seguindo um sussurro.

Apesar de manter a cautela, Khing sabia que estava lidando com algo maior do que ele, mas tendo a capacidade de ter contato com aquilo, precisava tentar barganhar. Khing acredita fielmente que aquilo está com intenções de matar todos e provavelmente induziu João ao suicídio.

Ao chegar em um salão redondo com chão de madeira, Khing notou que neste salão havia apenas duas estátuas. Uma ao lado direito e outra ao lado esquerdo. Eram gárgulas. O teto era cônico e parecia indicar ser uma torre, porém sem janelas.

Khing viu ao fundo uma porta com escadas que desciam em forma de espiral.

O sussurro incompreensível ficava forte naquela direção.

Khing respirou fundo e seguiu em direção as escadas, mas sentiu o assoalho de madeira velha estalar abaixo de seus pés e antes que pudesse ter uma reação, Khing despencou quando o assoalho se partiu.

O grito de Khing na queda pôde ser escutado por todos.

Todos se apressaram em ir para o salão principal.

Khing caiu sobre diversos manequins em uma espécie de porão e não se machucou gravemente.

Os sussurros se tornaram vozes, eram os manequins que diziam frases aleatórias e sem sentido, alguns riam e outros choravam. Khing permaneceu imóvel, mas logo notou que nenhum deles se importava com a presença dele ali. Foi então que ele procurou sair daquela pilha de manequins e quando conseguiu ficar de pé, passou a lanterna ao redor do porão e notou uma porta entreaberta à sua frente e as escadas que havia visto, do outro lado do porão. Ouviu um choro vindo de dentro da porta e o gelo na espinha estava forte demais pra ignorar. O medo tomou conta de Khing, mas estava longe demais para desistir e seguiu para a porta.

Quando Khing abriu a porta, viu quem estava lá. Khing não conseguia acreditar.

Chegou mais perto e viu que era um rapaz acorrentado, mirou a lanterna em seu rosto...

Não podia ser real... Estava em uma espécie de transe e chorava como se estivesse sendo torturado, mas sequer notava minha presença ali.

- “João??” - Khing indaga assustado e sem entender nada, mas tentar tirar as correntes. Sem sucesso Khing diz:

- “Vou precisar de ajuda, cara, segura a onda, eu vou voltar.”

Khing se vira e corre para a porta, mas quando abre, todos os manequins estão de pé formando uma parede e olhando com ódio concentrados em Khing.

Uma risada surge do nada, Khing tenta encontrar um ponto de fuga, mas a criatura grotesca que ele via, surge descendo pela parede sem que Khing note e sorrindo com seus dentes podres.

Um grito avassalador de dor é ouvido por todos. David se assustou e foi chamar Karma para irem para fora, algo estava acontecendo.

Quando Karma se levantou, David deu apoio, mas o corpo no chão se levantou junto e quando a cortina caiu, havia um manequim.

O manequim permaneceu estático, mas a cabeça virava para a direção de David e Karma enquanto eles saíam.

David e Karma voltaram ao salão principal, logo foram chegando os outros.

Vicky e Tio Lu contaram o que Khing havia visto.

Moon se lembrou das imagens do livro e contou sobre ele para todos do Clã.

Ao mencionar a caveira, JC se recordou da caveira que pegou e queimou suas mãos de tão quente.

Concluíram que tudo aquilo havia uma ligação, provavelmente a criatura grotesca que Khing viu era a causadora de todos os males que sucederam, mas podia ser detida. Porém para isso, era necessário saber o que diz o livro e proferir enquanto seguravam a caveira dourada e fervente.

JC então disse:

- “Certo, pessoal. Mas primeiro precisamos encontrar o Khing. Eu ouvi gritos e ele pode estar em perigo. Vamos atrás dele.”

David interrompeu JC:

- “Pessoal, eu sei que é muita informação, mas o corpo do João sumiu. Tinha um manequim no quarto esse tempo todo enquanto Karma e eu estávamos lá.”

- “Como assim sumiu?!” - Perguntou JC extremamente surpreso.

Passos são ouvidos caminhando em direção ao salão principal e uma voz no escuro diz:

- “Todo o Clã reunido, que ótimo. Me poupa muito tempo”

Ao olhar bem, Moon mira a lanterna naquele que está vindo.

- “Khing?” – Perguntou JC.

Então Jeren foi em direção ao amigo perguntando o que havia acontecido, mas quando chegou perto, Khing o pegou pelo pescoço e ergueu Jeren.

Olhou para JC e disse em tom debochado:

- “Khing não está aqui agora” - Depois lançou o corpo de Jeren em direção ao grupo.

Os amigos o ajudaram a se levantar e verificando se ele estava bem.

- “Mas que porra é essa, Khing?!” - Disse Tio Lu sem entender.

Todos lançaram suas luzes para Khing e notaram: Seus olhos estavam pretos e suas feições não eram nada amigáveis.

- “CORRAM!” - Gritou JC.

Todos correram juntos em direção a um dos corredores e entraram em um dos quartos. Assim que entraram, fecharam a porta e colocaram um armário para segurar.

Chaos se lembrou que estava com um cutelo e sugeriu a resposta mais óbvia: Deviam matar Khing de alguma forma, mas Moon interveio dizendo que se for a mesma coisa do livro, poderiam destruir o que estava no Khing sem precisar mata-lo.

Todos olharam para JC esperando uma resposta do que fazer.

O líder precisava decidir entre matar Khing e salvar todos, ou tentar salvar Khing mesmo que precise arriscar a vida dos demais.

Enquanto JC tentava decidir, os passos de Khing se aproximavam lentamente do quarto.

Um por todos ou todos por um?

Comentários

Anônimo
Excelente, Khing! O melhor capítulo até o momento.
08/02/2021
Anônimo
MEU DEUS AAA O final...Esse capítulo me deixou espantada, a história está muito interessante! O que será que aconteceu com o khing? Será que ele foi possuído pelo monstro por ter uma sensibilidade a mais? Agora o clã precisa encontrar a resposta, ou todos vão morrer. Arrasouu khing! ~ Black
08/02/2021
Anônimo
E mais uma vez os manequins acabaram com a paz do grupo.
11/02/2021