Funambulesco

No fundo há um toque miserável.
De como removo de forma natural o cadáver de uma barata Morta, nunca me fez mal algum, nunca houvera
Não tivera tempo de asaustar-me

Me assusta a naturalidade que há nas coisas mortas
Como velamos o recôndito da casca vazia
Para saciar uma saudade que não se vai
Pequenos buracos são abertos no peito que sangra

E escorre a boca palavras cuspidas em despedida
Mas nem sequer a acústica do som se é ouvida
Para o defundo em seu caixão fétido e insalubre
Ninguém nem lembrará de ti

Adeuses não são ouvidos, nem mera menção divina
E a morte, que saudarar-me-a ao fim a vida
Tenho repugnância de ter-lhe
A mera menção como uma velha amiga

Em seu universo frio e escuro
Deve rir de forma esganiçada
Ao ver-me velar aquela barata
Que eu mesmo matara