Foi quando eu vi seus lábios rachados pela secura, o teu corpo frio e pálido posto contra o chão sujo que pude perceber nosso lado mais cru. Existia um precipício, um abismo, entre nossos corpos nus que ocupamos com vossos âmagos.

Não existe nada mais belo que a morte, você me disse. E em seus olhos sem vida eu pude testemunhar, confesso que o rigor mortis ajudou porém não pude sentir nada mais quente em toda minha existência que o teu sangue escorrendo pelo corpo. Aquele líquido, uma oferenda dos deuses, seria o necessário para me saciar aquela noite.

As lágrimas já não eram mais de tristeza, e sim de euforia, aquele momento misterioso da dança da morte era ocupado da sua melhor forma enquanto meu corpo preenchia ao teu. Derramo sobre ti minha saliva, meus fluídos enquanto o desenho do seu rosto marca meu peito. Divino é o desenho da deusa em meu seio, marcado de vermelho sangue.