O dia começou normal como todos os outros, a mesma rotina de sempre e nada de tão novo poderia acontecer. Fui para o trabalho mais cedo, pois havia muita coisa para resolver e não queria deixar para o dia seguinte, afinal era sexta feira e ter muito trabalho para o sábado não seria uma boa ideia para começar o final de semana.

Ao fim do expediente, já estava bastante cansado e queria apenas minha cama e um bom filme para assistir. Meu telefone começou a tocar assim que peguei o elevador, olhei e vi que era aqueles números estranhos de São Paulo que esgotam nossa paciência com tanta insistência em ligar. Rejeitei no mesmo instante recebendo mais três ligações seguidas com números diferentes, mas todos de São Paulo.

Fui ao estacionamento e entrei no meu carro com o meu telefone ainda tocando. Acho interessantes essas ligações, pois mesmo ignorando todas, elas insistem ainda em ligar, mas sempre com um número novo. Estou usando três aplicativos de rejeição de chamada para ver se consigo ficar em paz dessas irritantes ligações, mas ainda não consegui encontrar a solução para isso.

Cheguei em casa e fui direto para o banho, ainda estamos em estado crítico por conta do coronavírus e fico meio paranoico com isso. Moro sozinho em meu apartamento, mas sempre procuro manter a higiene e todos os cuidados e proteção contra isso. Ouvi meu telefone tocar, mas não me apressei para sair do banho achando que seriam os números irritantes novamente.

Saí do banho e peguei o telefone para saber quem estava me ligando e fiquei confuso quando vi meu próprio número nas chamadas perdidas. Como assim meu número estava me ligando? Imaginei que seria um bug no celular ou mais uma estratégia dos telemarketings para atendermos as ligações deles.

Não dei muita atenção a isso e fui para o quarto, quando meu telefone novamente começou a tocar em um som estridente e totalmente estranho. Assustei-me, pois a música que tocava não era a mesma que havia colocado como toque do telefone, era uma música estranha totalmente fora de ritmo e estranhamente bizarra. Peguei e olhei para a tela, era meu numero ligando novamente. Por algum motivo isso me assustou por completo.

Por curiosidade, puxei o ícone verde para cima atendendo a ligação estranha, o que ouvi do outro lado da linha foi apenas um silêncio ensurdecedor antes de falar algo. “Alô!”, falei com uma voz um pouco baixa. “Alô!”, uma voz idêntica à minha respondeu do outro lado me deixando um pouco mais confuso. “Quem está falando?”, respondi com um tom surpreso. A mesma frase ouvi repetida do outro lado da linha com minha própria voz. Nesse momento percebi que tudo que falaria, minha voz iria falar a mesma coisa, como um eco.

Comecei a brincar com isso conversando comigo mesmo pelo telefone e por alguns segundos, isso pareceu engraçado e bizarramente estranho. Desliguei o telefone rindo de mim mesmo, mas logo em seguida, o meu numero ligou novamente, e com ironia atendi perguntando se a minha voz do outro lado da linha havia gostado da conversa, ouvi as mesmas palavras sendo repetidas de volta para mim, mas dessa vez, ao mesmo tempo em que a voz era retornada, ouvia bem baixo minha própria voz falar junto a mesma frase dentro do apartamento.

O sorriso que havia em meu rosto rapidamente desapareceu dando lugar a uma expressão de estranheza. Falei novamente uma frase qualquer simplesmente para ter certeza que tudo era fruto de minha imaginação, mas novamente a minha própria voz foi reproduzida pelo telefone e dentro do apartamento, mas dessa vez estava mais perto de mim, como se estivesse se aproximando.

Deixei o celular cair ao chão com o medo que me tomou conta. Assustado, corri para o quarto e tranquei a porta. “Quem está aí? Estou ligando para a polícia agora!” gritei em um ato de loucura e pavor. “EU SOU VOCÊ” respondeu a minha própria voz saindo do canto escuro do quarto. Antes que conseguisse abrir a porta para fugir de algo que nem ao menos sabia o que era, uma faca foi lançada em minha direção acertando minha perna, deixando-me impossibilitado de correr.

Uma pessoa igual a mim saiu de onde estava e se aproximou de mim. “Obrigado por ter atendido ao telefone e ter ficado na linha, pois só assim eu pude te encontrar. Agora eu serei você pelo resto de sua vida, mas antes, tenho que me livrar do original.”. Ele cravou uma faca em meu peito tirando em seguida e me esfaqueando várias e várias vezes até eu começar a perder a consciência. Quando a escuridão da morte se aproximava, ele puxou pelo meu cabelo levantando minha cabeça e, em apenas um corte, me decapitou deixando apenas meu corpo ensanguentado e perfurado ao chão.

Se seu próprio número ligar para você, não atenda, ou um clone seu irá substituí-lo e sua morte será horrível.