Tudo aconteceu quando eu tinha meus 9 anos de idade. Morávamos em uma cidade pacata no interior de Boston. Meu pai era professor de biologia e minha mãe cuidava da casa. Levávamos uma vida feliz e tranquila até então.

A Páscoa estava chegando e, como sempre, estava empolgado pois, meu pai sempre comprava nossos ovos na capital e todos os anos vinha recheado com mais coisas. Mas sempre existiu uma regra que ele fazia questão de impor.

Todos os anos ele ia na capital, comprava os ovos e trazia um para cada um de nós. Tinha 3 irmãos e eu era o mais novo dos 4, isso fazia com que eu tivesse algumas regalias como ser o primeiro a abrir o meu ovo da páscoa, mas nunca poderíamos abrir antes do dia pois, ele sempre dizia que o Coelho da Páscoa não gostava de que os ovos fossem abertos antes do dia. Ele contava que se uma criança abrisse o ovo antes, o Coelho vinha para pegar os ovos de volta, e junto, levava a criança que tinha desobedecido e toda a sua família.

Nunca acreditei nisso pois sempre pensei que fosse coisas que meus pais inventavam para obedecemos a eles. Meus irmãos sempre respeitaram isso a risca, eu só os acompanhava, mas esse ano seria diferente.

Dois dias antes da Páscoa, meu pai foi a capital depois do trabalho e comprei 4 ovos de chocolate para nós, um para cada um. Quando ele chegou com os ovos não consegui conter minha alegria e já fui querendo abri-lo, mas logo meu pai me repreendeu e disse que não era para abrir até o dia da páscoa chegar.

Meus irmãos obedeceram, mas eu não... Quando todos foram dormir, eu me levantei da minha cama sorrateiramente e foi para a cozinha onde minha mãe havia guardado os ovos. Minha boca estava salivando sentindo o doce aroma do chocolate em minhas narinas. O gosto do avelã derretendo em minha boca era o que desejava naquele momento.

Abri o armário, peguei o ovo que estava meu nome, o coloquei em cima da mesa e sentei. Fiquei o observando por alguns minutos e pensando na história mirabolante que meu pai contava. "Será que realmente era verdade?" Pensei... "Não. É apenas uma história...". Queria que fosse.

Comecei a desembrulha-lo, bem devagar para não estragar o embrulho pois, iria embrulha-lo novamente para que meus pais não me brigassem. Era de chocolate com avelã. Abri e tinha vários mini ovos de amendoim dentro. Nossa... Fiquei com água na boca. Peguei um dos ovos e rapidamente o coloquei na boca. Delirei com o sabor tão bom.

Após isso, embrulhei novamente e o guardei. Ficou como se nunca o tivesse mexido. Fui em direção ao meu quarto feliz e satisfeito. Mas assim que cheguei no corredor, o vi...

Ele era alto, com uma camisa de manga longa com botões. Tinha uma orelha enorme e com dentes afiados. Pelo canto de sua boca escorria sangue. Ele segurava um saco preto grande. Congelei quando o vi... O Coelho da Páscoa estava a minha frente, mas parecia ter saído de um filme de terror.

Sai correndo em direção ao quarto dos meus pais. Bati mas eles não acordaram. Sai em direção ao quarto dos meus irmãos, abri a porta e quando olhei, o que vi foi uma cena de terror. O corpo dos meus irmãos estavam em pedaços espalhados por todo o quarto. O Coelho havia os despedaçado enquanto dormiam.

Sai desesperado gritando pelos meus pais, mas eles não respondiam. Olhei para o corredor e lá estava ele, o Coelho... Estava segurando a cabeça dos meus pais pendurado em uma corda. Sai correndo em direção a porta mas ele veio atrás de mim.

Consegui chegar até ela, abri e corri para fora. Olhei para trás e ele vinha me perseguindo. Tentei correr o mais rápido possível... Cheguei em um beco escuro e tentei me esconder atrás de uma lixeira. Comecei a ouvir passos bem lentamente, fechei os olhos e tapei minha boca. Depois de um tempo ficou tudo silêncio.

Saí e olhei ao redor e não vi ninguém... Então corri, mas tropecei em algo e caí no chão. Quando olhei era o corpo da minha mãe. Gritei e tentei me levantar, foi quando ele apareceu na minha frente, segurando o meu ovo da páscoa. Ele me pegou pelo pescoço, me levantou e começou a me encarar com uma expressão aterrorizante. Seus olhos vermelhos e o sangue em seu rosto me faziam sentir náuseas.

Ele pegou o chocolate, enfiou em minha garganta e, furando meus dois olhos disse: "Nunca abra os ovos antes da Páscoa garoto."