Fico pensando como a vida é injusta em muitos aspectos e formas. Luana tinha apenas 21 anos, tantas coisas para viver, tantos sonhos para realizar e ter um fim que nem mesmo os policiais conseguiram descobrir é algo difícil de entender. Éramos amigas desde a infância e costumeiramente estávamos fazendo algo juntas e isso era tão bom para nós.

Lembro que quando éramos pequenas, ela sempre ganhava dos seus pais os melhores presentes, roupas, brinquedos e ela sempre procurava dividir comigo. Eu era filha única e por conta disso nossa amizade se fortalecia ainda mais a cada primavera que se passava. Estava sempre em sua casa com seus irmãos e irmãs e me sentia em casa às vezes. Não tinha inveja dela, da vida que ela vivia, por mais que fosse um pouco melhor que a minha sempre a admirei pelas conquistas que ela obtia.

Estudávamos na mesma escola e tínhamos a mesma roda de amigos, muitos até achavam que éramos irmãs por andarmos sempre juntas e até nos parecermos um pouco fisicamente. Achávamos isso até engraçado e bom, afinal, éramos como irmãs. Ainda é difícil de entender e aceitar.

Há 15 dias havíamos acabado de sair da faculdade quando Cindy pediu para ir a uma sorveteria que havia próximo ao campus, como eu sempre fui fanática por sorvete não pude recusar. Assim que chegamos, pedimos dois milk-shakes e tomamos ali mesmo enquanto conversávamos sobre as provas do final de período que não estavam sendo fáceis.

Lucas era um garoto da faculdade que gostávamos e ele sempre demonstrava interesse por Cindy, eu estava sempre dando forças para eles namorarem, mas nunca ela tinha aceitado por vergonha ou medo eu acho, não sei ao certo. Ele chegou à sorveteria e começamos a conversar, mas como vi que estava sobrando na conversa, decidi ir para casa e deixar os pombinhos mais à vontade, foi a última vez que vi Cindy.

Investigaram Lucas e seguiram todos os passos por onde eles passaram, mas como não tinham encontrado provas suficientes, ele ficou isento, mas ainda era o primeiro suspeito. Ele disse que deu uma volta com Cindy na praça aquela tarde e deixou-a no parque, pois tinha um compromisso, isso foi o que ele tinha falado para a polícia. Talvez seja verdade, talvez não.

Já tinham se passado uma semana e nada de encontrarem Cindy ou qualquer paradeiro dela, os policiais haviam intensificado as buscas, mas nada havia sido encontrado, nenhum rastro qualquer para saber o que aconteceu naquele dia, por onde ela estava ou se ainda estava viva, ferida ou algo assim. Após duas semanas de buscas intensas, os policiais decidiram encerrar o caso e dar Cindy como morta.

Hoje a família fez um velório simbólico com coisas que ela gostava. Não poderia ficar sem vir e trouxe um cordão que usávamos desde pequenas com nossas iniciais gravadas, era como se fosse um símbolo da nossa amizade. Peguei e coloquei-o dentro do caixão, aquilo me destruiu por inteira.

Fui até a senhora Mithell para abraçá-la e tentar acalmá-la da melhor forma possível. O velório juntamente com o enterro foram algo que ficará gravado em minha mente por muito tempo, minha melhor amiga estava morta e a família não poderia nem ao menos enterrar seu corpo.

Dianna, sua irmã mais velha, chegou comigo assim que estávamos saindo do cemitério e perguntou se não poderia ir com ela até o cais onde sempre costumávamos ir para passear de barco, aceitei, afinal, precisávamos um pouco da natureza como remédio para nossas almas, talvez ajudasse um pouco.

Pegamos o barco do seu pai e fomos conversando até uma parte do lago, estava uma vista linda, o vento balançando as copas das árvores, os passarinhos e gaivotas passando em um rasante pela água, o cheiro do ambiente a nossa volta, tudo aquilo estava nos fazendo bem. Dianna olhou para mim e assim que virei para ela para comentar sobre a natureza, ela acertou minha cabeça com um martelo que estava no barco, me deixando desacordada.

Assim que abri meus olhos e fui recobrando a consciência, vi que estava com minhas mãos e meus pés amarrados e com uma mordaça em minha boca. Vi que na corda onde meus pés estavam amarrados, tinha uma pedra grande e pesada na borda do barco. Sem ao menos falar alguma coisa, ela me jogou dentro d’água e empurrou a pedra me fazendo afundar depressa e sem chances de sobreviver.

Assim que a pedra tocou o fundo do lago, olhei para o lado e lá estava o corpo de Cindy já com vários buracos dos peixes, estava amarrada com uma pedra nos pés do mesmo jeito que eu a deixei assim que a joguei do barco naquela noite. Já quase sem fôlego e me afogando aos poucos, a única coisa que não me sai da cabeça é como Dianna descobriu onde joguei o corpo de sua irmã e com ela descobriu que havia sido eu a causa de sua morte.