AVISO! A história possuí conteúdo sensível e pode causar gatilhos. Leia com cautela.

Bom, tudo começou quando tinha apenas cinco anos de idade, não entendia bem as coisas, afinal, ainda era uma criança inocente. Meu pai trabalhava o dia inteiro, então não tinha muito tempo para ficar conosco em casa, minha mãe conseguiu um trabalho de meio expediente para ajudar na renda familiar e precisaria me deixar com alguém, pois não podia me levar.

Para conseguir economizar, conversou com meu tio, irmão dela, para ficar comigo, ele estava sem trabalhar e com tempo livre, então seria uma ajuda para ele também, afinal ela o pagaria. Talvez fosse melhor chamar uma babá, mas minha mãe nunca confiou nas pessoas que não fossem as de dentro de casa. Talvez ela devesse ter prestado mais atenção.

Começou com algumas brincadeiras estranhas que para mim não faziam muito sentido. Brincar de fingir ser animal e ter que tirar a roupa para isso, não me sentia confortável, mas ele dizia que se eu não brincasse com ele assim, falaria para meus pais que estava sendo malcriada e talvez eu ficasse de castigo. Minha mãe me dava banho antes de ir para o trabalho e depois que chegava, então o único trabalho dele seria fazer algo para eu comer e me fazer companhia.

Obviamente não falei nada para meus pais sobre a brincadeira de fingir ser animal, então isso continuou por um longo período. Ele acariciava meu corpo e fazia coisas que não seria muito sensato por aqui, mas creio que já tenha imaginado. Após a tal “brincadeira”, ele se vestia e ia para fora fumar um cigarro. Minha mãe não sabia que ele fumava, mas ele fazia isso somente quando me chamava para brincar com ele.

O tempo foi passando e eu fui cada vez mais me trancando em um casulo de medo e receio. As brincadeiras se intensificaram ainda mais depois que completei meus 15 anos, e mesmo que ele já não cuidasse mais de mim desde meus nove anos, ia com frequência em nossa casa com a desculpa de estar com saudades ou algo do tipo. Sempre estava procurando ficar a sós comigo e como meus pais confiavam, nunca suspeitaram de nada. Às vezes, me chamava para ir ao seu apartamento prometendo algo, eu sempre dizia que não queria ir, mas meus pais sempre me empurravam somente para ficarem a sós e transarem até não quererem mais.

Quando pensei em tirar minha vida por não aguentar mais tanta humilhação, ele apareceu. Estava no banheiro prestes a cortar meus pulsos quando ele ouviu meu choro e entrou onde eu estava. Vestindo roupas pretas, cabelo grande e bagunçado jogado em seu rosto, cabeça baixa e um largo sorriso, aquilo já me encantou logo de cara.

– O que está fazendo aí garota? Talvez isso não seja uma boa ideia. (Ele falou como se já entendesse sobre o que queria fazer)

– Não é da sua conta, vá embora! (Exclamei com a faca tremendo em minha mão)

Ele então se abaixou e olhou bem fundo em meus olhos segurando a faca em minha mão. Aquilo me deixou completamente paralisada, mas calma ao mesmo tempo. Não sabia quem ele era e nem de onde tinha vindo, não me recordo de tê-lo visto pelo colégio, mas algo fazia me sentir segura ao seu lado. Aparentava ter mais ou menos 16, 17 anos, mãos macias, rosto um pouco assustador e com a expressão de estar sempre sorrindo, mas tudo isso mexeu comigo.

Ele me pediu para lhe contar o porquê de estar naquela situação e querer fazer aquilo, então contei a ele desde o início, tudo que já havia me acontecido até agora. Ele ficou apenas a me observar com aquele sorriso largo em sua boca. Após terminar de contar, ele enxugou as lágrimas do meu rosto e disse que íamos resolver isso. Perguntou-me onde poderíamos encontrar meu tio, disse a ele, então fomos até onde ele estaria.

Estava sempre sorrindo e com um ar sereno e calmo, isso me fazia bem. Assim que chegamos ao apartamento do meu tio ele me pediu para bater na porta e sair assim que ele abrisse, foi o que fiz. Quando meu tio abriu a porta ele entrou no apartamento o empurrando ao chão, fiquei em choque sem saber o que fazer. O rapaz pegou uma faca que escondia em sua cintura e cravou no peito do meu tio não dando chance alguma para ele se levantar e se defender.

O sangue jorrou de seu peito deixando a sala inteira suja com um vermelho vivo e intenso. Olhei para o rapaz e ele continuava sorrindo, suas roupas sujas de sangue, um olhar penetrante e vazio, aquilo me dava arrepios, mas de alguma forma me sentia bem vendo aquela cena. Ele pegou a faca e cortou os cantos da boca do desgraçado do irmão da minha mãe desenhando um largo sorriso permanente em seu rosto. Ele me chamou, então me aproximei e me abaixei, ele pegou a faca suja de sangue e passou em meus lábios, fechei os olhos sentindo o calor subir dentro de mim, senti apenas o seu beijo, molhado e excitante.

Aquilo me transformou por dentro e senti que ele era a pessoa certa para mim. Com a faca em sua mão, ele me perguntou se gostaria de ser diferente, assim como ele, disse que sim sem pensar duas vezes. Foi então que, vagarosamente, ele furou meus dois olhos deixando apenas um buraco vazio e negro. Estranhamente não saiu sangue e eu ainda podia enxergar claramente, como se ainda tivesse os olhos em meu rosto. Nos beijamos e fizemos amor ali mesmo, em cima do corpo morto do meu tio.

Antes de sairmos para ir até a minha casa matar meus pais por toda a liberdade que deram ao meu tio, ele me perguntou meu nome. “– Jane”, respondi um pouco envergonhada. “– Prazer, meu nome é Jeff, Jeff The Killer ao seu dispor.”.