Existência

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Há 4 semanas

A existência em si perambula muitas mentes desde a modernidade do nosso mundo. A vida como um todo é uma grande incógnita, e ainda é a experiência mais discutida e valorizada por nós. Mas se viver não é existir, afinal de contas, o que é existir?

Primeiramente, todo ser humano é movido pela vontade. Todo ser humano urge da vontade para fazer o que temos que fazer. Porém, essa vontade desperta em nosso peito o desejo. Nós almejamos fazer coisas ao longo de toda nossa existência na Terra, nós estipulamos metas, arquitetamos sonhos, tudo baseado em nossos desejos.

Contudo, o desejo, por sua vez, nos é uma problemática. Ao querermos tanger todas nossas expectativas, muitas vezes nos frustramos por não conseguir concretizá-las, seja da mais trivial à mais complexa. Além do mais, quando conseguimos alcançar nosso tal objetivo, nunca estamos completamente satisfeitos e planejamos mais sonhos a cumprir, e cada vez mais sonhos. Essa frustração acompanha o Homem por toda sua vida, pois o Homem nunca cessa de desejar. Sendo assim, o Homem é um ser frustrado.

Segundamente, se a existência do Homem se baseia no desejo e isso o torna frustrado, quando o Homem será feliz? Bem, provavelmente na morte. A morte, por ser justamente o fim da vida, é onde os nossos desejos deixam de ser, até mesmo o eu deixa de ser, e nós transcendemos ao reino metafísico. Esse, no entanto, não nos cabe uma análise, já que não se representa como fenômeno. Logo, a morte torna o Homem feliz.

- A morte torna o homem feliz? Pensei comigo mesmo.

Em um impulso de sanidade, observei a razão encoberta por névoa já encarcerado em uma espiral de loucura. Senti o sabor cobreado do sangue em minha boca, e ao tatear notei a presença de uma lâmina em minhas mãos.

Na minha frente, um show de horrores. Pouparei-os da visão que tive retomando minha consciência, mas posso dizer que o vermelho sangue tão real derramado ao chão não era tinta, e a pessoa desfigurada e tendo sua pele arrancada do seu próprio corpo não se tratava de um boneco.

Eu fiz minha vontade, e logo sorri.

Eu me rendi ao desejo para me fazer feliz. Usei essa lâmina em sua garganta e vi suas veias derramarem sangue como jamais havia pensando em ver na vida.

A morte, mesmo que seja do outro, torna o homem feliz.

Comentários

Anônimo
Muito bom!!!
21/09/2020
Anônimo
A monstruosidade da existência humana é de assustar
25/09/2020