Eu Tentei Mudar

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Por May
Há 1 mês

As vezes sinto desejos incomuns.

O que deixa as pessoas felizes me parece fútil.

As brincadeiras e esforços por um sorriso para mim é inútil.

Será que eu sou estranha?

Ou é a humanidade toda que está de cabeça para baixo?

O que a sociedade considera certo e errado, não me faz o menor sentido.

Enquanto alguns se assustam com filmes de terror, eu fico fascinada.

A morte que para muitos é considerada como algo triste e mórbido, para mim é um dos mais interessantes assuntos.

"Não mãe eu não estou doente..."

"Papai por que eles estão me levando?..."

"Não deixe que eles me amarrem papai!!!"

"Mamãe eu não quero ir com os homens de branco"

Ah... Essas lembranças me assombrando novamente.

Familia? Que tema mais sem graça, para mim é apenas uma palavra vazia. Esses pensamentos que me assombram, me deixaram inquieta, por isso vim caminhar na rua, aproveitando essa noite escura sem lua ou estrelas, o clima perfeito para...

- Passa o celular!!!. Disse um homem de capuz interrompendo meu pensamento.

- Não. Respondi.

- Se não me der o celular você vai sofrer. Disse ele ficando mais inquieto.

- Ainda assim, não vou entregar.

Ele veio em minha direção e caímos juntos no chão, tudo o que eu senti foi um líquido quente escorrendo por minha barriga...

Eu empurrei o assaltante que me olhava com horror enquanto eu puxava a minha faca de sua barriga. Eu olhei para aquela lâmina suja de sangue e fiquei hipnotizada pela bela cor do líquido quente iluminada apenas pela luz fraca de um poste.

Enfiei novamente a minha faca naquele homem e repeti várias e várias vezes, me deliciando com o sangue dele...

* Lembrança

- Por que você empurrou seu colega da escada?. Perguntou o homem de branco.

- Eu só quis empurra-lo. Eu disse olhando aquela sala branca.

- Você não se sente mal por isso?. Perguntou o homem.

- Não é como se eu me sentisse mal pelo que fiz, mas parece que falta algo. Eu disse.

- Explique melhor. Pediu o homem de branco.

- Quando o empurrei um formigamento tomou conta de mim, meu coração acelerou e de repente... Nada, a sensação se foi, como se eu estivesse prestes a ser feliz e algo me interrompeu. Eu disse.

Ele me fez mais algumas perguntas e meus pais vieram se despedir, dizendo que eu ficaria internada pois estava muito doente. Passei 8 anos naquele lugar e aprendi a reprimir os meus desejos.

* Fim da lembrança

Hoje aqui saboreando uma sensação totalmente nova, finalmente descobri o que faltava, por que a sensação de formigamento havia parado, foi minha culpa, eu devia ter terminado o que comecei, até ver o sangue dele em minhas mãos, até ver sua vida se esvaindo de seus olhos enquanto ele me olhasse com horror assim como o assaltante fez antes de morrer.

Psicopata? Eu?

Sempre duvidei disso, sabia que havia algo errado, mas depois de hoje percebo que eu apenas sou diferente e devo admitir que nem é assim tão ruim.

Me levanto com meu primeiro sorriso sincero, pego minha faca e começo a caminhar limpando o sangue do meu rosto com meus pensamentos...

"Mamãe e papai me aguardem, estou chegando para o jantar".

Comentários

Anônimo
Gostei!
25/09/2020
Anônimo
Eita, que medo!
02/10/2020