O amor tem diversos significados, portanto, quando se torna exagerado transforma-se em quê?

Ravi é um menino lindo e estiloso. Alto com biótipo magro. Com amor por artes e futebol conversava altas horas sobre assuntos de seu interesse. Estava desanimado com tudo, sem ânimo e solitário. Logo, seu amigo próximo, Pedro, o chamou para sair e beber. Entediado não pôde recusar. Na cidade de São Paulo o que mais tem são baladas e festas bombásticas. Chegando na balada, não tinha espaço para entrar. Álcool, drogas, euforia descreviam o clima. Pediu umas doses e foi para a multidão. Nesse instante se esbarrou em uma garota que estava bem contente.

- Oi, desculpe. Disse o rapaz.

Quando a garota virou, seu corpo ficou paralisado ao observar a beleza da jovem moça.

- Desculpa eu, não o vi. Respondeu simpática.

Ravi não conseguia pensar em puxar assunto então a respondeu:

- Então estamos desculpados. Hoje está cheio né?

- Pois é, dia de farra é assim mesmo... Quer ficar conosco? Estamos comemorando minha formatura e não temos horas para sair. Respondeu com um sorriso no rosto.

Não tinha como o garoto recusar, então ficou ao lado da moça deveras interessante.

- Qual o seu nome?

- É Ravi, muito prazer.

- Prazer é meu, me chamo Chlöe.

Beberam e conversaram a noite toda. Ambos estavam se conhecendo, ela gostou do jeito do Ravi e vice-versa. Seis horas da manhã a casa fechou e o uber já a esperava. Seus amigos foram deixando-a com o rapaz. Ravi insistia em levar para a casa, logo, por educação ela recusava... até que começou o novo clico deles. Antes de partir, Ravi a pegou pelo seu antebraço e disse:

- Me passa seu número para eu conhecer você melhor.

Com um sorriso encantador e meigo passou para o Ravi que se encheu de alegria. Uma conexão jamais vista em apenas horas. Passando-se os dias, eles conversavam diariamente, toda noite, em qualquer lugar. Ele adorava os gostos dela mesmo tendo gostos opostos, ambos adoravam ouvir os assuntos falados. Ravi a conquistava a cada palavra que conversava. Elogiava cada detalhe seu. Seus cabelos longos e bonitos, seus olhos encantadores, seus seios formosos, sua cintura fina e invejada. Chlöe ficava toda fofa com seus elogios. O rapaz a desenhava em seu caderno pequeno. Cada detalhe era importante para ele. Então decidiram se encontrar. Tiveram grandes encontros, até o último deles.
Chlöe o chamou para ir na sua casa comer pizza e beber um belo vinho tinto. Bem casual e clássico para conquistar alguém. Com uma bela fatia de queijo e um vinho chileno não bastou um minuto em que seus olhos se cruzavam. O ato aconteceu. Sem nenhum compromisso apenas metendo amor por horas sem tempo para uma pausa. No dia seguinte o sol brilhava em seus corpos os acordando de uma noite cheia de prazer e carícias. Ela olhou-lhe e com seu sorriso encantador deixava Ravi sem reação.

- Fechamos a amizade então né "brother"? Brincou Chlöe.

- Não sei, dependerá do nosso próximo encontro "sister". Respondeu no mesmo tom.

Ravi se trocou e se despediu de sua amada. Sorrisos bobos e peitos cheios, isso descrevia o que eles sentiam. Se encontraram cada vez mais e se divertiam como ninguém. Foram à avenida mais famosa de São Paulo, a Paulista. Aquela noite fria e maravilhosa deixava o clima perfeito. Chlöe o pegou pela mão e disse:

- Quero que você saiba que se não for comigo, não será com mais ninguém.

Sem reação Ravi disse:

- Então é recíproco.

Se beijaram no sereno da noite. Desde então os dois começaram a ter uma relação. Um amor invejado e recíproco. Dois aquarianos que se davam bem, duas almas que entendia uma outra e nada e ninguém poderia separá-los... até agora.

Seu telefone começou a tocar. Ele atendeu e sua surpresa:

- Oi gatinho, é a Giulia. Tô voltando para São Paulo e preciso de um abrigo por uns dias. Finalmente vou me acertar com meus pais e não quero ficar lá com eles, como tenho um melhor amigo maravilhoso ele vai me hospedar na casa dele.

Bomba! Sua melhor amiga ficaria em sua casa. Sem saber da relação de Ravi. O jovem não poderia dizer não e concordou sem avisar a Chlöe.

Ravi a chamou para ir em sua casa sem contar da Giulia. A garota foi toda feliz como todo dia, mas, sua alegria durou pouco...

- Giulia essa é minha namorada, Chlöe.

- Nossa que legal, finalmente uma namorada. Respondeu Giulia ironicamente.

Às duas estavam com ciúmes e não foram com a cara da outra. Chlöe observou malas e olhou para Ravi fulminante.

- Tomarei um banho, nada de sacanagem enquanto eu tô aqui viu?! Disse Giulia pegando suas roupas.

Ravi estava sentindo que dará merda só de olhar para Chlöe e ver sua cara bem puta. Ela esperou entrar no banho para discutir.

- Mas que porra é essa Ravi? Tá de sacanagem comigo?

- Calma e respira, explicarei a situação. Ela brigou com os pais e pediu para ficar aqui alguns dias até resolver com eles.

- Alguns dias?! Disse gritando.

- Sim, meu mel.

- Não me chama assim não!

- Calma Chlöe, eu já disse. Ela é minha melhor amiga, eu não posso fazer isso com ela. Dizia Ravi tentando acalmar o clima.

Cheia de ciúmes ela concordou. No decorrer do tempo, Giulia aproveitou para sair com o amigo e conversar sobre momentos que passaram juntos, fofocar e encher a Chlöe de ciúmes. Decidiram ir em uma balada na Augusta, afinal, não iam para festas há muito tempo. Por enquanto o clima estava normal até...

- Gente, chamei minha amiga para me acompanhar, não ficarei de vela né. Essa é a Anna, lembra dela Ravi? Disse Giulia terminando de arrumar o cabelo.

Fazia tempo que Ravi não conversava com Anna... Foi pouco tempo que avisou que estava namorando e falar de planos.

- Oi Ravi, que saudades de você! Prazer em te conhecer Chlöe, você é muito linda como ele me disse. Respondeu Anna bem-educada.

- Ótimo, vamos logo antes que começa a ter fila, odeio esperar. Disse Ravi querendo sair do campo minado.

Chegando no local os barulhos do som penetrava na pele arrepiando os pelos do antebraço. Álcool, drogas e sem limite para aproveitar. Ravi e Anna conversavam toda hora, muito tempo sem se ver botaram o papo em dia. Nesse meio-termo, seu celular vibrou. Mensagem de Chlöe dizendo que era para ele aproveitar a festa e que ela estaria na casa da sua mãe. Chlöe estava furiosa.

- Deixa ela com sua crise de ciúmes, depois você fala com ela. Vamos matar a saudades. Disse Anna bebendo apenas uma água com gás.

Ravi ficou um pouco e decidiu ir embora. Não se sentia confortável e avisou às duas. Deixou a chave com Giulia e disse que iria atrás da Chlöe.
No caminho para casa recebeu uma mensagem de Giulia:

- Cuidado com essa garota Ravi. Não a conheço como você, mas sei que ela não é flor que se cheire.

- Ela é tudo para mim, relaxa que ela não faria mal a uma mosca. Respondeu Ravi.

Chegando na casa da sogra, Ravi bateu na porta. Demorou um pouco e sua sogra o recebeu. Ficou surpresa em vê-lo e ele disse:

- Vim atrás da Chlöe, ela teve uma crise de ciúmes e veio para cá.

- Não meu querido, ela não está aqui.

Ravi se assustou e pediu desculpas. Pegou seu celular para ligar sendo interrompido.

- Cuida bem dela tá bom? Fique de olho nela. Respondeu à mãe da menina preocupada.

Ravi estranhou e ligou para ela. A garota falou que mentiu para ele e estava em sua casa para esfriar a cabeça. Sem pensar duas vezes respondeu que iria para lá ficar com ela, esquecer essa noite e ver um filme.
A noite foi de vinho, lanches e maratonas do Invocação do Mal. Chlöe parecia mais aliviada e Ravi idem. Ao observar a garota notou algo:

- Tá usando o colar que eu te dei? Fazia tempo que não o via com ele.

- Uso para dar sorte. Lembro até hoje que você achou ele e me deu, nós nem éramos próximos, mas eu amei. Disse a jovem balançando a taça.

- Pois é, queria muito te agradar e te conhecer melhor. Vou te dar um mais classudo.

- Você me mima, me desenha, me levanta com seus elogios e nunca me disse o porquê.

Ravi estranhou a pergunta e a respondeu com um sorriso bobo:

- Quem sabe um dia eu consiga expressar tudo o que sinto por você, se fosse para dizer em textos é mais fácil eu criar um livro. Você se tornou tudo para mim.

Chlöe meio alcoolizada chorou e com seu sorriso encantador o abraçou. Ele deu um beijo em sua testa e disse:

- Obrigado por existir.

Então dormiram.
No dia seguinte, o sol brilhava em seus corpos. Levantaram e ele disse que precisar voltar para sua casa ver a Giulia, já que, ela tomou um porre. Chlöe estava tranquila e disse ir junto, afinal precisava pegar suas roupas. Ao chegar, a mãe de Ravi estava ligando e ele precisava atender.

- Pega lá suas coisas e avisa pra Giulia que cheguei e não quero ver nenhum vômito nos cômodos.

- Volto em um instante amor. Disse a garota feliz.

Ravi atendeu.

- Oi mãe, o quê aconteceu?

- Filho preciso de você, problemas com a família irritante. Seus tios e primos são fodas. Dizia a mãe.

- Mãe, tu não consegues resolver com eles? Você é a única brava da família.

- Mas quero meu filho do meu lado né cacete. Disse irritada.

- Tá bom, não precisa xingar toda hora. Avisarei a Chlöe e vou para aí.

Desligou e celular e ficou pensando. Queria passar mais tempo com sua amada. Ela chegou com suas roupas e Ravi a alertou.

- Ficarei fora uns dias, problemas familiares sabe. Como a Giulia é bem mocinha não precisa de alguém a vigiando. Desculpe quebrar nossa programação.

Chlöe entendeu muito bem, parecia ter uma programação em mente. Ravi a deixou em casa e foi para estrada. Avisou a Giulia e nesse instante a garota pediu para ele conversar com o Pedro, dizia ser com urgência. Desconfiado preferiu ligar para o amigo do peito.

- Fala Zé. Gritou Pedro

- Porra tio não precisa gritar. Fica bebendo o dia todo.

Pedro deu risada.

- A Giulia me disse que você queria falar comigo com urgência, houve algo? Ela vomitou no meu sofá? Perguntava Ravi.

Pedro ficou sério e começou a falar.

- A Giulia tá desconfiada da sua namorada. Digamos que ela é bonita pra caralho com todo respeito, mas é bem sinistra.

Ravi não entendia.

- Como assim? A Giulia tá com esse ciúmes maluco da minha namorada não sei porquê.

- Não amigo, ela é maluca oficial. Você não tá sentindo falta da Anna?

Ravi ficou quieto e pensou uns segundos.

- Bom... Ela não me mandou nada depois de ontem.

- Então Zé, a Anna me ligou para buscar aquela gostosa por não confiar em uber. Ela estava bêbada como de costume.

- Não precisa falar assim né. Cortou Ravi.

- Deixa eu falar Zé! Voltando, ela mentiu em estar super bêbada, estava um pouco consciente e começou a conversar comigo sobre a Chlöe. Disse que não confiava nela e que precisava de provas. Logo, pediu para eu seguir a Anna no ponto. Fomos indo para o ponto e bomba Zé, vimos a sua namorada em um beco fechando uma caçamba de lixo no beco. Jogando um corpo Zé!

- Você tem provas que foi ela? Como vocês sabem que é um corpo? Isso é uma acusação grave. Dizia Ravi mudando o tom de voz.

- Bom as provas tão com a Giulia, tiramos várias fotos do ato Zé.

Ravi não estava gostando do rumo dessa conversa. A acusação a Chlöe era grave e seus olhos não a conseguia ver como uma mulher obsessiva a ponto de matar alguém por ciúmes.

- Chega, ligarei depois para Giulia e dar um fim nessas histórias de Seriais Killers de vocês. Até.

Ravi desligou furioso enquanto chegava na casa de sua mãe. Seus parentes o abraçaram, fazia tempo que não os vias e mudou seu humor. Sua família é bem festeja e decidiram abrir umas cervejas e ouvir um bom samba. A discussão familiar ficou instável, portanto, Ravi estava preocupado com as acusações de Pedro e não via a hora de falar com Giulia. Sua família festejava e deixou isso para depois.

Passou-se dois dias e ainda se resolvia os conflitos familiares. Ravi entediado e com saudades de Chlöe recebeu uma ligação. Sua alegria durou um segundo ao olhar o nome de sua melhor amiga.

- Queria falar mesmo com você. Disse Ravi.

- Aí tá com saudades mozão, relaxa que a casa tá limpinha. Respondeu Giulia feliz.

- Não me chama assim, sabe que namoro. Parece criança.

- Mas antigamente você gostava, até de coisas mais quentes...

- Que ficou no passado, fechou? O que você quer? Disse Ravi impaciente.

- Aí que grosso, nem parece ser meu melhor amigo... Vamos direto ao ponto. Pedi para o Pedro falar com você e pelo jeito nada.

- Escuta, esse ciúmes da Chlöe é desnecessário, você é minha melhor amiga e ela minha namorada. Não deixarei de lhe amar como amiga porque estou namorando. Não tem como esquecer o passado.

- Aquele passado foi incrível, lembra daquela vez no baile que você me-

- Menos Giulia, direto ao ponto. Disse Ravi cortando o clima.

Giulia deu uma risada e se concentrou.

- Olha, você sabe que eu te amo, você é meu melhor amigo, é natural desconfiar de você namorar alguém que eu não conheça. "But", não estou implicando com isso, mas sim que sua namorada te esconde muitos segredos.

Ravi ficou sério e deixou a conversa seguir.

- Não tirei os olhos dela e você sabe que a Anna não manda notícia. Impossível ela ter ficado bêbada por não beber mais, então pedi para o Pedro segui-la e advinha, encontramos sua amada, anjo do céu, jogando um suposto corpo em uma caçamba de lixo. Queimando as provas de crime e agindo como se nada tivesse acontecido.

- Repetirei, tem provas?

- Claro mozão, eu tirei fotos. Apenas uma delas pega o rosto da maluquinha.

Ravi ficava impaciente.

- Então me manda, você não quer que isso termine logo? Vejo, se for ela, vou e converso com ela se não for, ficarei extremamente bravo.

- Aí como você é inocente. Seguinte, falando no diabo, ela me chamou para uma festa hoje, a doida disse que é para nos reconciliar-se. Caso eu desapareça já sabe.

- Só isso? Para não me mandar nada? Perguntava Ravi irritado.

- Relaxa mozão, na hora certa você terá todas as provas mesmo que eu tenha que morrer.

- Não me chame assim Giulia, você sabe-

- Sim, eu sei muito bem do que você gosta de ser chamado, conheço bem o melhor amigo que eu tenho. Beijos neném.

Ravi ficava bravo com o jeito doce e sádico de Giulia, ao mesmo tempo, lembrava do passado. Com muitos problemas para pensar e resolver, decidiu beber uma bebida mais forte. Pegou sua garrafa de Whisky escocês e tomando copos até a madrugada. O álcool consumiu seus sentimentos na noite serena e escura e precisava deitar um pouco. Sua mãe falava que Giulia estava mandando mensagens estranhas, mas o garoto não conseguia raciocinar. Se deitou e desmaiou.

7:30 da manhã sua mãe o acordava. Sua memória estava ruim, bebeu uma garrafa inteira de Whisky. Não lembrava de nada. Pegou seu celular e viu muitas mensagens da Giulia. Entrou na conversa.

-" Como eu te conheço bebeu e apagou. Avisei o Pedro e mandei o endereço do lugar para ele, se eu ficar bêbada ele me busca, não confio na sua namorada. Caso eu não mande notícias, ele mostrará para a polícia sobre as provas e prints... Vou te mandar, afinal não sei do quê ela é capaz. Te amo...".

Essa foi a mensagem que Giulia enviou além de seis fotos e prints. Ao analisar as fotos e apenas uma mostrava o rosto do suspeito. Não tinha o que dizer... É idêntico ao de Chlöe. Mesmo com uma blusa, era a mesma calça que saíram juntos no dia... Ravi ligava para Giulia e o número nem chamava, caia em caixa postal. Indignado começou a lacrimejar. Desistiu e ligou para Pedro. Queria ter certeza disso tudo...

- Pedro, onde você tá-

- Avisei seu porra! Eu avisei! Sua namorada psicótica matou a Giulia! Gritava Pedro.

- Calma. Ela me enviou as fotos... Eu não consigo acreditar...

- Eu já liguei pra polícia! Não esperarei, vingarei a Giulia agora! Disse Pedro furioso.

- Não encosta nela e você perde a razão. Ligarei pra polícia e passarei o endereço da casa dela. Preciso falar com ela...

Ravi estava abalado demais. Pedro disse ir à frente e desligou. Olhava para a foto de fundo do celular e chorava ao vê-la. Se recompôs e ligou para ela.

- Oi amor, tudo bem? Disse Chlöe com sono.

- Oi Chlöe, estou saindo daqui. Passarei aí para podermos conversar, faz tempo que não nos falamos. Disse Ravi.

- Verdade lindo, vou me arrumar então. Acabei de acordar. Beijos te amo.

- Beijos.

Ravi estava trêmulo e precisava ouvir da sua boca a verdade. Ligou para a polícia relatando o suposto ocorrido e passou o endereço da casa da menina. Para piorar a polícia relatou que encontrou um corpo feminino em uma caçamba de lixo. Foi homicídio por assalto. Ela usava uma camisa rosa e o resto totalmente irreconhecível. Ravi ficou pálido com a descrição da camisa, pois batia com que Anna usava no dia. Saiu em um instante sem falar com sua mãe e parentes. Chorava igual uma criança e acelerou o pé.

- Isso só pode ser um pesadelo... Não é possível que isso esteja acontecendo! Gritava Ravi.

Cada minuto era uma lembrança com Chlöe. Seu jeito meigo, suas fotos, seu corpo sensual, seus longos cabelos, seu quadril e coxas. Cada detalhe que o rapaz amava foi estilhaçado.
Chegou com a polícia. Foram juntos. Ouviam-se barulhos e Ravi não suspeitava de Pedro já ter entrado.

- Vamos, penso que meu amigo se precipitou. Disse Ravi.

Chegando na porta, ouviram Pedro falar.

-" Você perdeu sua maluca".

Ravi preveniu que seria o sinal para entrar. Abrindo a porta, seu corpo ficou paralisado. Seus olhos castanhos escuros ficaram, azulados de lágrimas. Chlöe estava com um canivete. Sua mão e roupa cheias de sangue e o piso também. Pedro estava no chão, foi esfaqueado por Chlöe e provavelmente sobreviveria.

- Amor...? Ravi chorava.

Chlöe ficou pálida e precisava de uma boa desculpa.

- E-eu posso explicar Ravi, e-ele invadiu e tentou me matar. Foi tudo pura defesa pessoal eu juro!

- E a Anna? Foi defesa pessoal também Chlöe? A Giulia que não está em minha casa foi defesa pessoal? Dizia Ravi com olhar de angústia e raiva.

O rapaz já sacou tudo. Pedro sorria antes de apagar.

- O quê você disse para o Ravi seu porco?! Gritou Chlöe furiosa.

Pedro foi contando o plano dele e da Giulia para a garota. O policial apontava a arma para ela enquanto Ravi continuava paralisado. Sem reação, viu Chlöe jogar o canivete em Pedro e ouvir o disparo da arma em direção ao ombro da menina.

- Fiz por você Ravi. Eles queriam nos separar, eu estava tão feliz ao seu lado. Fazia tempo que meu coração não batia por alguém. Por favor, me perdoa. Eu me arrependo de tudo isso, não ligo de ir presa ou morrer, eu te amarei para sempre. Dizia Chlöe chorando.

- Não foi por nós, foi por você mesmo. Sua atitude foi egoísta que necessitou matar pessoas por uma obsessão. Eu era todo seu e nunca seria infiel. Eu conhecia todos que você matou e mesmo que eles pedissem para nos separar minha resposta seria não porque eu te amava...

- Como assim amava? Você não me ama mais? Não sente mais nada Ravi Moraes?! Gritava Chlöe com a mão no ombro baleado.

- Eu sinto... sinto é pena Chlöe Morais. Você ficará internada em uma clínica até 30 anos. Eu não vou te visitar porque sofrerei vendo a pessoa que eu amava lá. Tentar esquecer disso tudo será difícil, mas superarei igual você também vai. Isso é um adeus Chlöe...

Com um ato de fúria ela levantou e sacou uma arma e mirou no policial. Atirou no meio do seu peito. Com reflexo ele atirou de volta mirando na sua perna. Ravi se espantou e ligou para emergência e polícia.

Chlöe ficou internada com camisa de força. Foi transferida várias vezes por surtos. Ravi cortou o cabelo e ficou 1 ano afundado. Queimou os desenhos que efetuou pra menina e chorava de dor. Quebrou toda sua casa e gritava de agonia. Perder alguém que ama é pior que a morte...
Passaram-se anos e Ravi não a superou. Cada lugar que caminhava lembrava-se dela... Comprou uma pulseira e colocou no pulso para nunca esquecer de como foi feliz com ela. Sua única lembrança foi o colar que deu para Chlöe. Antes de levá-la, pegou o colar e o guardou como lembrança, e no final ele não teve a oportunidade de comprar outro para ela..

- Parece que não consegui dizer realmente o que eu sinto por você...

No seu ponto final dedicou uma música para ela jamais esquecida:

Duncan Laurence- Arcade.

"Amortesalva".