Dia de Folga

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Há 3 semanas

Essas últimas semanas foram meio estressante no meu trabalho. Tinha que tirar uns dias de folga e teria que ser logo. Liguei para meu avô para saber se eles estariam em seu sítio nesse final de semana, e graças a Deus eles estariam. Perguntei se poderia ficar por lá para descansar um pouco.

Trabalho como dentista no único consultório da cidade e esses dias, um grupo de crianças vindo de uma escola da cidade vizinha vieram para uma consulta semestral. Foi uma loucura, mas amo meu trabalho.

Ajeitei uma bolsa de viagem que tenho, coloquei algumas roupas e alguns acessórios de higiene pessoal e avisei ao consultório que tiraria uns dias de folga.

Não sou do tipo que goste de carros. Tenho, mas sou do tipo aventureiro que gosta de sentir o vento no rosto, a brisa e o Sol em sua pele. Enchi o tanque da minha moto e segui viagem para o sítio dos meus avós. Seria uma viagem um pouco longa, mas iria servir para me destrair.

Ouvi várias histórias que meus pais me contavam da estrada que segue para o sítio. Histórias arrepiantes de pessoas estranhas que pegavam aqueles que passavam por lá para as torturarem. Sempre fui cético sobre isso. Não acredito em fantasmas e muito menos no sobrenatural ou monstros, por isso, a viajem estava ótima até então.

Como tinha que concluir meu plantão até às 19h, tinha resolvido sair depois do trabalho. E foi assim que fiz. A brisa fria da noite me trazia uma sensação de paz. A lua cheia iluminava a estrada a ponto de as vezes, eu ignorar o fato do meu farol baixo não está funcionando.

Após 1h de viagem, dei uma parada no acostamento para esticar as pernas. A estrada estava deserta e a luz da Lua deixava-a com um clima sombrio e agradável ao mesmo tempo. Não me importei.

Depois de alguns minutos apreciando a paisagem, montei na minha moto e segui viagem. O sítio dos meus avós já estava próximo.

Cheguei a uma estrada de terra que dá acesso a casa deles. Seria uns 30 minutos até chegar. Não havia casas nem algum sinal de vida, apenas árvores e mato.

Acelerei e segui, curtindo aquele momento... Até que me deparei com algo que não me fez continuar a viagem. Uma jovem estava caída na beira da estrada com algumas marcas de arranhões, um vestido rosa e cabelos longos e ruivos. Não podia deixa-la ali, tinha que ajudar.

Desci da moto e me dirigi até ela. Me abaixei e chequei seu pulso para vê se ela estava viva, e sim, para meu alívio ela estava. Tentei acorda-la balançando-a...

-Moça... Moça! Você está bem!?

Nesse momento senti um golpe forte na cabeça que me deixou inconsciente.

Senti meu corpo balançando e vozes ao fundo dizendo bem baixo:

-Cuidado! Você vai derruba-lo.

-Não sou desastrado igual a você.

Algumas risadas e gritos, desmaiei novamente. Quando acordei, me deparei com a cena mais atormentadora e bizarra da minha vida. Partes de corpos mutilados estavam espalhados pelo chão. Corpos de homens, mulheres e até crianças. Um tronco de um homem estava pendurado próximo a mim. Tentei gritar, mas aí percebi que minha boca estava costurada de ponta a ponta e para completar, minha língua havia sido arrancada. Olhei para baixo e me vi suspenso em ganchos com algumas correntes em volta. Cada gancho perfurava um lado do meu peito.

Aquele pesadelo que tanto meus pais me contavam, agora, está se tornando real, e comigo...

Olho para frente e vejo uma figura feminina vindo em minha direção, com um vestido rosa, cabelos longos e ruivos. Se aproxima de mim, aponta e diz para algumas pessoas que estavam ao seu lado:

-O jantar está servido crianças...

Cuidado quando for viajar. Se vê alguém com problemas, não pare, você pode servir como alimento.

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Anônimo
Incrível
07/10/2020