Olá, meu nome é Carlos, e não sei o que é viver mais... todo dia que passa eu lembro daquele dia macabro que me fez parecer louco. Vocês acreditam em Bicho Papão? Deveriam... ele existe..

Eu tinha apenas nove anos, morava com mamãe e papai na Espanha, por conta de melhoria de vida. Não era tão ruim, os vizinhos eram simpáticos, na escolinha era demais, tudo perfeito. Fomos comemorar a nova vida, papai comprou champanhe, carne para um churrasco enquanto mamãe preparava a comida. Eu fiquei jogando no computador. Jogos de Terror e tiros eram meus prediletos. Passou um tempo e estava tudo pronto, senti o cheiro da carne bem passada e desci correndo para saborear-lá. Estava tudo incrível até que começou a dar sono, mas eu queria ficar e continuar com eles.

- Vamos pra caminha Carlos, já está tarde. Disse minha mãe levantando para me levar até meu quarto.

Subimos juntos e fiquei resmungando até que ela disse:

- Você não pode desobedecer Carlos se não o Cucuy vai vir te buscar!

Fiquei assustado e curioso, comecei a prestar atenção.

- O Cucuy é um monstro que vem nas casas de crianças que desobedecem os pais e os leva em seu saco para sua caverna, por isso que não pode agir como você tá com a mamãe viu?

Me deu um beijo na testa e cobriu-me para ficar quentinho e apagou a luz. Eu fiquei curioso na hora para ver como era o Cucuy, e então liguei o computador para jogar e pegar ele. Era meia noite e eu estava com muito sono. Desisti dessa ideia e fui dormir. Ao me virar ouvi barulhos vindo da cozinha. Me arrepiei todo, logo ignorei. Os barulhos continuavam e como eu era uma criança curiosa decidi ir lá. Peguei uma lanterna de chaveiro e desci até lá. Bem devagar caminhei até a cozinha. Estava com medo até que vi algo de costas mexendo o lixo. Era grande e rosnava sem parar. Fiquei com muito medo e decidir voltar. Quando me virei meu pai estava atrás de mim e me assustei dando um grito. Olhei pra cozinha e a coisa tinha sumido.

- O que você faz acordado essa hora rapazinho? Disse meu pai bravo.

Disse a ele que tinha visto o Cucuy na cozinha. Ele caminhou até lá e não havia nada apenas o lixo despejado no chão branco.

- São só apenas ratos filhos, nada de mais. Explicou ele.

Me acompanhou até meu quarto e disse para dormir que não me queria caminhando pela casa de noite.

No outro dia acordei e fui direto falar com a mamãe sobre o Cucuy. Ela estava atrasada para uma entrevista em pleno sábado e quase não me ouvia.

- Mamãe!!! Mamãe!! Eu vi o Cucuy, o bicho papão que você falou, ele não veio me pegar só queria comer. Dizia eu.

Ela se arrumava e caminhava pela casa toda e eu atrás. Só respondia "aham", "legal filho", "nossa". Fiquei bravo e gritei:

- Mamãe! O Cucuy é real, me escuta!

Ela parou na porta e disse:

- Não existe filho, são só histórias, e não grite comigo de novo ou eu tiro seu computador!

Fiquei triste por ninguém ter acreditado em mim. Fui para o quarto jogar até mamãe chegar. Já passou uma hora e nada da mamãe, e eu permaneci aqui, logo ouvi um barulho no quarto dos meus pais. Ignorei e voltei ao jogo. O barulho continuou e fui ver o que era. Pensei que fosse meus pais e fiquei chamando "mamãe" , "papai" e ninguém me respondia. Quando abri a porta eu queria ter tido meus olhos arrancados. Um ser humanoide com uma roupa larga e enorme, pele totalmente escura como a noite, suas mãos com garras enormes, olhos vermelhos da cor do sangue, e um rosto macabro cheio de dentes afiados e um saco escuro. Ele estava procurando algo e quando me viu começou a ir em minha direção. Eu comecei a chorar e correr pra fora e nesse momento meus pais chegaram juntos. Viram meu desespero e perguntaram o que aconteceu.

- Eu vi o Cucuy de novo, ele queria me pegar!! Vamos embora. Dizia eu totalmente desesperado e com medo.

- Eu falei pra não contar essas histórias pra ele, se resolva com ele. Disse meu pai exausto.

Minha mãe sentou no sofá e me chamou até lá para conversar e me acalmar. Me abraçou e começou a acariciar meu cabelo.

- Mamãe estava brincando bebê, não existe o Cucuy, é só uma lenda urbana. Dizia ela enquanto me acalmava.

Aquilo passava na minha cabeça, aquela imagem dele macabra. O tempo passou e hoje meus pais iriam recompensar com uma sessão cinema em casa. Mamãe estava fazendo a pipoca e meu pai vendo quais filmes ver. Eu estava saindo do banho, pronto pra esquecer tudo isso. Fui ao meu quarto e a porta fechada. Eu estranhei, mas abri de qualquer jeito. Ao abrir a porta foi como ter aberto os portões do inferno, o Cucuy estava na minha cama, assobiando uma canção.

- Tá na hora Carlos! Disse o ser com uma voz grossa e arrogante.

Lágrimas caíam dos meus olhos e eu saí desesperado aos braços dos meus pais. Eu gritava "O Cucuy tá aqui" e eles não entendiam nada até que as luzes se apagaram. Meu pai não entendeu nada até ouvir barulhos de escada... ele estava descendo. Ao ver aquilo eles entraram em choque. O Cucuy começou a rir como um palhaço até que parou.

- Eu quero o Carlos, ou vocês me dão ele ou eu vou arrancar-lo de seus braços. Disse ele olhando fixamente para mim.

Meu pai pegou uma faca da cozinha e foi enfrenta-o sozinho. Tentou dar golpes de facas mas não o atingia.

- Me dê o garoto! Disse o ser com a voz mais grossa.

Agarrou a cabeça do meu pai e a torceu, quebrando seu pescoço por inteiro. Minha mãe gritou me agarrando para ele não me pegar. Sua risada era aterrorizante. Quanto mais ele chegava perto, mais eu chorava de pavor. Ele olhou para minha mãe e a puxou. Abriu sua boca enorme e cheia de dentes dando um grunhido horripilante. Arrancou metade do seu corpo com uma bocada. Eu não sabia o que fazer além de chorar e gritar... depois de matar minha mãe ele me encarou com seus olhos vermelhos. Começou a se aproximar devagarzinho. Chegou perto e começou a me cheirar de longe.

- Você não tá pronto ainda Carlos... meu paladar não quer a sua alma pura ainda. Aproveite porque eu vou atrás de você quando for a hora. Disse o Cucuy saindo pela escuridão do ambiente.

Eu não conseguia sentir... não conseguia reagir e nem pensar. Então desmaiei. Quando acordei estava amarrado por dois homens brancos. Pensei que tinha morrido, logo vi que estava em um hospital. Fiquei feliz que poderiam me ouvir e ajudar mamãe e papai. Abriram um quarto e me jogaram lá.

- Monstros como você devem ficar solitários. Disse o funcionário.

Eu estava em um manicômio, amarrado por causas que eu não fiz, mas quem iria acreditar em mim? O Cucuy é real, eu só peço pra vocês obedecer seus pais ou ele irá atrás de vocês e pode ter certeza que serão seus últimos dias...