Caveira Dourada: O Conto

comment2visibility477
Há 1 mês

Totalmente cego por suas palavras, o seu mundo aos poucos foi se corroendo. Nada mais existia além de tuas próprias palavras. Talvez, seu único e real amor nos últimos dias, tivesse sido sua caneta de tinta preta tingindo o seu velho caderno de páginas amareladas, que havia ganhado de presente há algumas semanas.

Mal atentou-se, que em algum momento, em algum lugar na escura cabana, vozes de teu único amor carnal, no abafado som de uma calorosa tempestade seca, dava os seus últimos gritos de socorro.

Ele estava obcecado por aquilo. Nem mesmo o brilho de todo o ouro armazenado em sua cabana, de anos de mineração, chamava sua atenção. Nem mesmo o calor entre as fendas do piso, que queimava aos poucos as solas de teus pés, o incomodava mais.

Abruptamente, foi movido para outro lugar, ele já não estava mais ali. Tuas mãos, sujas de tinta, tua pele, outrora branca, tornara escura e áspera. Tua roupa branca estava suja, e o perfume que era abençoado pelo cheiro de teu amor, passou-se a ter um cheiro desconhecido.

Ergueu a cabeça, observando ao teu redor. Percebeu que estava sentado em sua poltrona favorita, mesma poltrona onde rotineiramente, contemplava a beleza dele, antes mesmo de teu novo amor aflorar. E permaneceu ali, por anos e mais anos.

Acordou-se muito tempo depois, observando a si mesmo, ali, parado na mesma poltrona. Na penumbra, era notável um brilho anormal em tua mão direita, após anos nas trevas, brotava em tuas mãos, algo especialmente macabro, mas desejável: era uma caveira.

Comentários

Anônimo
Perfeito! Mais um trabalho incrível JC!
28/10/2020
Anônimo
Incrível!!!
28/10/2020