1412, Sul da Itália.

Era uma madrugada atípica no sul de Roma. Gélida, nebulosa e escura. A lua, que deveria ser cheia, não havia dado as caras naquela noite. Era totalmente incomum tal clima naquela estação do ano.

Em um vilarejo não muito populoso daquela região, um homem alto, com um sobretudo preto caminhava enquanto tentava cobrir seu rosto, protegendo-o dos ventos impiedosos daquela madrugada. Ele usava óculos redondos e pequenos, e pareceria precisar urgentemente por fazer a barba. Jonathan Savedro, grande professor de química, também era conhecido como um dos poucos alquimistas da época, e após ganhar um ano sabático na escola Saint Piter Pierre, resolveu trabalhar em seu grande projeto pessoal, que a muito tempo era postergado por inúmeros motivos.

No caminho de casa, havia uma pequena cabana de madeiras levemente podres e esverdeadas com musgo. Nunca vira ninguém morar lá, mas nesta noite em específico, havia uma estranha movimentação dentro dela. Aproximando-se da casa, era possível ver pela janela um homem alto e branco, parecia muito concentrado no que fazia, e ao mesmo tempo, parecia apreensivo por algo. Suas roupas escuras, meio que amarrotadas, deixavam de cobrir uma única parte de seu corpo, o peitoral, que estava marcado com um símbolo em tinta vermelha. Parecia com uma estrela de oito pontas. Também era possível escutar sua voz ecoando bem baixo para fora da casa, em um breve momento pensou ouvir um: - “...em teu nome invoco” – a vontade de Jonathan era de sair dali, mas algo chamou sua atenção. Uma imagem tenebrosa e assustadora começou se formar dentro de um gigante espelho negro que estava à frente do homem, outra coisa que o incomodava era um estranho odor, que saia pelas frestas da madeira velha da camada, a impressão era de que havia algo podre ou estragado próximo dali. Olhou para os lados certificando-se se não tinha nada jogado ao redor. Quando voltou a olhar para dentro da casa, o homem já não estava mais lá… Jonathan ficou assustado, afinal, o que ele estava fazendo? Quando resolveu sair dali o homem apareceu atrás de Jonathan, o deixando assustado.

– “O que está fazendo aqui?” – Questionou o homem com um tom bem assustador. Jonathan estava em choque, não sabia o que falar, mas com dificuldades, disse:

– “Me de-desculpe senhor, eu estava passando próximo daqui e vi as luzes acesas, achei que precisa de ajuda.”

O homem fixou os olhos aos meus e disse:

– “E o que há de tão estranho nisso? Não é normal uma pessoa acender uma lamparina à noite?”

– “Bom... sim, mas são 3 da manhã” – Respondeu Jonathan.

O homem rapidamente moveu os olhos para dentro da casa. Com um semblante de preocupação, despediu-se de Jonathan, pedindo para que fosse embora, e voltou correndo para dentro de casa.

Sem pensar duas vezes, Jonathan começou a caminhar para longe da casa. Porém ainda curioso, olhou para trás, e não tão longe, conseguiu ouvir um grito daquele mesmo homem. Eram grito horroroso, de pavor! Algo horrível havia acontecido, mas não era mais possível ver as luzes. Jonathan não sabia o que fazer. Ficou indeciso, ajudar ou não ajudar? Ele estrava trêmulo, e não era apenas pelo frio. Sem pensar muito, voltou correndo para a casa. O homem já não gritava mais, e porta na qual ele havia adentrado alguns minutos atrás, estava aberta. Jonathan entrou vagarosamente, e logo que entrou, voltou a sentir o odor que havia sentido minutos atrás. Ficou imaginando se havia ali morrido alguém ou alguma criatura. Jonathan começou a imaginar várias coisas, mas antes de conseguir interpretá-las, havia encontrado o homem, lá estava ele, perdurado pelo pescoço em uma corda. Ele não estava acreditando no que via. Foi-se aproximando cada vez mais do homem enforcado. Quando já estava a menos de 1 metro de distância, percebeu dois estranhos pontos luminosos atrás dele. Eram olhos! Quando preparou-se para fugir dali, foi atacado pela criatura.

- “É sério, não me lembro de mais nada além disso” – No dia seguinte, Jonathan conversava com o delegado que o interrogava.

- “Isso é o que você está me contando, professor” – disse o delegado Helton – “me prove que você é inocente”.

Jonathan não tinha paciência para a polícia. Ele considerava todos boçais com músculos, que só sabiam usar a força para obter algo. Olhando para a mesa do policial, deparou em alguns utensílios resgatados da cena do crime, e entre eles, um estranho livro velho de capa preta tomava o centro das atenções daquela mesa.

- “Conhece isso?” – perguntou o delegado percebendo a atenção de Jonathan ao livro.

- “Não” – respondeu Jonathan – “Bom delegado, não quero estender mais o seu tempo, não sei mais o que te dizer”.

Delegado Helton vendo que não obteria mais respostas de Jonathan, levantou-se e agradeceu a ajuda dele. Sendo guiado para fora da delegaria, Jonathan fez uma última pergunta:

- “Delegado, uma única pergunta, quem era aquele homem?”.

- “Pelo que sabemos, se chama Paul Córzon, era um dos seus, também era professor.” – Respondeu o delegado.

Para Jonathan tudo aquilo era muito estranho, mas no fundo, ele tinha certeza de uma coisa: aquilo era só o começo de algo ainda maior.