Todos os dias eu o ouvia falar comigo, sempre com aquele seu jeito cordial e educado. Ele apareceu para mim, pela primeira vez, quando tinha apenas três anos de idade, desde então, ele passou a ser meu amigo. No começo, minha mãe dizia para parar de criar essas historias em minha mente, que eu precisava ter amigos de verdade, mas não queria, para mim, ele já era suficiente.

Seu nome é Azazel, sei que para você pode parecer um nome incomum para amigos imaginários, mas era assim que ele se intitulava. Dizia para mim que, onde ele havia nascido, era tratado como um cavaleiro, então teria que trata-lo assim também. Brincávamos quase todos os dias, eu era uma princesa e ele, um cavaleiro forte e destemido onde teria que derrotar dragões, monstros, ogros para poder me defender e proteger.

Os anos foram se passando e Azazel foi ficando mais apegado a mim. Certo dia, uma amiga da minha escola, me entregou um bilhete de amizade dizendo que gostava de mim, não dei muita atenção, mas quando cheguei em casa e falei para ele, Azazel ficou muito furioso e simplesmente desapareceu no ar. Algumas horas depois ele apareceu sorridente e alegre querendo brincar, estranhei, mas fui assim mesmo. No outro dia, fiquei sabendo que minha amiga que me entregou o bilhete, havia sido encontrada morta sem alguns órgãos internos, sabia que havia sido Azazel, mas preferi me calar. Procurei ficar reclusa desde então.

A partir daí as coisas começaram a ficar estranhas, eu não saia mais, procurava ficar em casa dentro do quarto e com as luzes totalmente apagadas. A escuridão me trazia paz e tranquilidade. A única companhia que tinha era de Azazel, meu amigo imaginário. Meus pais tentavam conversar comigo, mas fui me tornando agressiva a cada dia, sem querer ao menos a presença deles.

Todos os dias, ao acordar, simplesmente ia ao banheiro fazer minha higiene matinal e voltava para o quarto, meus pais levavam a comida lá, pois, não descia para o café ou almoço. Passei a ser tratada como uma criança problemática e com alguns transtornos psicológicos.

Quando completei meus oito anos de idade, Azazel inventou uma nova brincadeira... Chamava-se POSSESSÃO. Perguntei a ele como brincava, ele me explicou dizendo que, teria que ficar imóvel, deitada no chão que ele iria segurar minha mão e não iria soltar até a brincadeira terminar. Eu simplesmente teria que ficar imóvel e ele iria comandar meus movimentos, como um fantoche. Aceitei e fiz o que ele me pediu.

Deitei no chão e senti quando sua mão encostou-se na minha, era algo um pouco húmida, com pelos e unhas grandes e pontudas. A partir daí, começava uma nova e arrepiante brincadeira. Senti meu corpo se levantar do chão, sem ao menos eu esta fazendo força alguma, apenas fiquei imóvel assim como ele me pedira. Ele desceu as escadas, um pouco sem jeito e meio torto, se direcionou até a cozinha onde, pegou uma faca e cortou em pedaços nosso gato de estimação.

Não sentia medo ou nojo, apenas uma sensação boa. Estava vendo tudo que ele fazia, mas não tinha controle sobre meu corpo. Minha mãe, ouvindo o barulho estranho na cozinha, foi até lá e se deparou com aquela cena bizarra de sua filha comendo o coração do gato de estimação da família. Tentaram me segurar, mas eu estava mais forte do que meu próprio pai. Me debatendo, sentia um sentimento de alegria e entusiasmo pois, para mim, tudo não passava de uma brincadeira do meu amigo Azazel.

Comecei então a falar coisas sem sentidos e com uma voz que não era a minha. Foi então que eles chamaram um tipo de padre para tentar fazer com que Azazel soltasse minha mão, mas não queria que a brincadeira terminasse, estava ficando divertida.

Amarraram-me em uma cama, comecei a me debater ainda mais. Azazel pareceu irritado, mas do que o normal. Lembrei-me da minha amiga que ele matara e fiquei imaginando o que ele poderia fazer.

3 dias depois...

Não comia nem bebia, estava me definhando. Perdi as contas de quantos padres e exorcistas haviam ido ate minha casa fazer com que meu amigo imaginário soltasse minha mão. Mas, pra falar a verdade, não queria solta-la. Estava gostando de tudo aquilo, ainda mais quando ele quebrou o pescoço da minha mãe quando ela foi me dar água. O som dos ossos estalando foram algo confortante.

Meu corpo físico já não aguentava mais. Percebi que, minha carne estava se decompondo aos poucos, meus lábios haviam sido devorados por mim mesma deixando minha arcada dentaria amostra. Meu corpo ensanguentado com um fedor horrível de podre. Azazel me falava que não queria que a brincadeira acabasse, queria continuar, e por mais bizarro que possa parecer, eu também.

Azazel perguntou se eu queria continuar com a brincadeira, obviamente disse que sim, então, como último ato, ele fez com que eu me soltasse das cordas que me amarravam a cama, matei todos que ali estavam incluindo meu pai e meu irmão, padre, exorcistas, todos sem exceção. Após tê-los retalhados em pedaços, ele, segurando minha mão, proferiu algumas palavras em latim e uniu nossas almas. De alguma forma eu sou ele e ele, é eu. Nossos espíritos se tornaram em um, e passaram a habitar o corpo de uma boneca de pano antiga que havia ganhado dos meus avós. Desde então, toda a pessoa que se apossa da boneca, passa por experiências assustadoras e atormentadoras, porque Azazel não quer parar de brincar, e também, nem eu. Não quero soltar sua mão, e vamos viver juntos pra sempre, atormentando a vida de quem nos tiver em sua casa.

Meu melhor amigo, é Azazel, um dos cavaleiros do Inferno... Meu nome, é Annabelle Wallis. Vamos brincar?