Boa noite, papai.

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Há 2 meses

Katie sempre foi uma garotinha muito gentil, alguns vizinhos a chamavam de anjinho por seu rosto ser muito bonito e transmitir paz, seus intensos olhos azuis traziam uma sensação de extrema pureza, tais olhos que qualquer pessoa gostaria de ter. Ah... como Katie é especial, talvez ela seja um anjo disfaçado de uma pequena e inocente criança, ninguém saberia de fato a verdadeira resposta, apenas seu pai.

A criança nunca deu muito trabalho, sempre foi muito cautelosa e tranquila, seu pai passava horas admirando a serenidade em seu rosto, aquilo era uma dádiva divina, seu coração pulsava em um ritmo intenso nesses momentos. Ele gostava de brincar com ela e ambos faziam de tudo, ela pintava o seu rosto e tinha uma grande facilidade em fazer arte, o homem não se importava com a tinta fedorenta espalhada em sua cara, só o fato de estar perto de seu pequeno rostinho já melhorava completamente as sensações esquisitas que a tinta vermelha proporcionava. Eles também gostavam de brincar de esconde-esconde, mas Katie sempre foi habilidosa, ambos se divertiam muito nas brincadeiras. Tudo fazia sentido para ele, só o fato de estar com ela melhorava o seu humor para outro nível, e trazia à tona a melhor versão de seu pai.

Mas Katie como toda criança não era totalmente perfeita, a pequena sempre corria do pai pelos longos e vastos corredores de seu casarão, aquilo o deixava com raiva, apesar de ele ser sempre tão paciente com ela e suas travessuras. Conseguia sentir a tensão percorrer por seu sangue, Katie o tirou do sério, depois de tanto tempo na luz, houve a escuridão. Trovões lá fora assustavam os moradores da cidadezinha, havia uma intensa e tenebrosa tempestade acontecendo, o homem ouviu o barulho alto e ficou em alerta, olhou pela janela e viu que uma árvore se alastrou pelo chão em uma parte da casa por conta do forte raio. Ignorou totalmente esse acontecimento e continuou a andar por seu casarão lentamente assobiando, seus passos eram lentos e cautelosos, ele precisava encontrar sua Katie que insistia em brincar de esconde-esconde por tanto tempo. O homem ouviu um choro baixinho depois de tanta procura, seu sorriso se abriu ao ver Katie em baixo da cama no quarto de hóspedes, foi até a criança e a abraçou apesar da mesma não ter reagido a situação. Um sussurro surgiu no quarto congelante, a janela entreaberta trazia uma brisa gelada lá de fora junto aos barulhos irritantes da água caindo no chão.

—Shhhii...vou te colocar para dormir querida, fique tranquila... O bicho papão ja foi embora.

Passou a mão em sua cabeça para confortar seu frágil coração machucado, e a levou para o seu quarto, todo decorado com bonecas de pano. O design interior é de um estilo antiquado, com muita renda e brinquedos antigos espalhados no quarto. Exalava um cheiro forte de poeira por todo o lugar, mas aquilo não importava, apenas os seus gritos baixinhos e suspiros abafados pelo macio travesseiro em minhas mãos. O ar agora não estava mais gelado, uma brisa quente de uma lareira tomou conta do ambiente, quentinho e bastante confortável. O pai fechou delicadamente o livro de contos de fadas titulado "A Bela Adormecida" após ler para a criança, e o guardou no criado ao lado da cama. O lampião perto da cama misteriosamente foi apagado, o homem procurou e pegou um fósforo no bolso de sua camisa de época, e logo acendeu trazendo ainda mais conforto no quarto e como consequência a luz ficou mais forte. Por fim, o homem pegou o lampião e girou seu corpo delicadamente para não atrapalhar sua querida Katie. O corpo da criança estava diferente, a decomposição mudou totalmente sua aparência. Seus olhos brancos e gélidos, combinou perfeitamente com o quarto frio da criança morta. Sua pele já não era mais a mesma com um tom esverdeado, insetos entrando e saindo rapidamente de sua boca e de seus ouvidos, pequenas erupções se abriram em seus braços e pernas. O homem loucamente fascinado se inclinou e beijou a testa do cadáver, disse para ela:

—Boa noite minha criança.

O silêncio no quarto era amedrontador, a tempestade lá fora causava mudanças radicais nas moradias, um pânico sem previsão de acabar tão cedo. O pai louco podia ter certeza de que havia ouvido a pequena criança o responder, seu sorriso largo e seus lindos olhos azuis piscando para ele em um ritmo lento e confortante.

—Boa noite papai.

Comentários

Anônimo
O conto em si é assustador, mas a forma suave que escreve deixa tudo ainda mais apavorante, eu simplesmente amei.
14/08/2020
Anônimo
amém só que dá um pouquinho de medo assim mas é muito top a história gostei muito achei muito legal sim e no final vem aquela surpresa assim que ele tá falando com cadáver então tipo mano muito legal não tem como descrever assim mas eu amei muito bom seu trabalho ela ficou top
14/08/2020
Anônimo
Fascinante! O plot twist foi de arrepiar, gostei muito do desenrolar da história. Poderia fazer uma continuação explicando melhor a relação dos dois e o porquê que o pai matou a Katie.
15/08/2020
Anônimo
Que final foi esse??? Arrepiei toda. Começa com um pai supostamente calmo e apaixonado por sua filha, no desenrolar da história vai mudando completamente e o pai carinhoso na verdade é um psicopata que matou a filha asfixiada com o travesseiro....da um certo arrepio na coluna. Gostei muito!!! Por favor, continue escrevendo.
17/08/2020
Anônimo
Simples mas assustador, gostei
27/08/2020
Anônimo
Ai, credo. Fiquei toda arrepiadaaa. Vc arrasa d+. Parabéns, gata
22/09/2020
Anônimo
Mais um pai louco kkk
24/09/2020
Anônimo
Oh o plot!
25/09/2020
Anônimo
A forma como foi mostrado a reviravolta é surpreendente, o pai mostrou suas garras e a verdade é de se abismar.
01/10/2020
Anônimo
O final é de se chocar...
02/10/2020