Departamento de Polícia de Los Angeles, quinta-feira, 15:21h.

“– Bom Simon, se eu fosse você começaria a falar. Comece do início." O delegado dizia olhando para mim enquanto mascava um chiclete.

Eu poderia dizer que não fui tão inteligente quando deixei me pegarem, mas tive meus motivos para isso. Eu sei que ela merece muito mais que isso, afinal, eu a amo e faria o que fosse para vê-la bem e feliz.

“– Está bem delegado Morrison, irei lhe contar, mas preste bastante atenção para não perder nenhum detalhe importante.” Eu disse com um pequeno sorriso em meu rosto.

Los Angelis, domingo, 9:32h.

Eu tinha uma consulta com o doutor Lance às 10h naquela manhã, mas não estava tão preparado para isso. Fui diagnosticado com esquizofrenia já há alguns anos e precisava fazer alguns tratamentos, foi em um desses tratamentos que eu a conheci, Amanda Morgan, uma linda e deslumbrante assistente do doutor. Com toda certeza, não imaginaria que teria alguma chance com ela, afinal, tinha uma doença que muitos descrevem como perigosa e violenta, por isso nem buscava puxar algum assunto relacionado a sair ou algo do tipo. Pra falar a verdade, estava realmente inseguro.

Foi quando, há algumas semanas, estava no consultório do doutor Lance quando ela entrou. Estava sempre deslumbrante, com aquele lindo jaleco branco e uma fita rosa na cabeça, isso já havia se tornado uma marca registrada dela. Ela aferiu minha pressão e fez algumas perguntas rotineiras somente para saber se havia tido alguma alteração em meu caso.

Enquanto ela estava tirando uma amostra de sangue, meus olhos foram diretamente em seu decote que estava bem amostra para mim, ela percebeu minha insensatez e olhou para mim sorrindo. “– Eu vi você olhar para meu decote Simon. Gostou do que viu?” A pergunta veio como um soco em meu estômago, não de um jeito ruim, claro, mas pela primeira vez fiquei constrangido com ela, talvez essa seria minha chance, uma rachadura no muro que me impedia de dizer a ela o que sentia.

“– Me desculpa Amanda, mas te acho muito linda e...” hesitei por alguns milésimos de segundo. “...gostaria de saber se não quer sair comigo. Mas tudo bem se não quiser, irei entend..” ela me interrompeu com um sorriso dizendo sim. Fiquei surpreso, pois não esperava que ela aceitaria assim tão rapidamente, ela estaria saindo com um louco, o que poderiam pensar, afinal, sou paciente do chefe dela, mas vi que ela não se importava com essas falhas na matrix.

Começamos a sair e, posteriormente, a namorar. Estava ali me tornando o cara apaixonado e feliz que tanto almejava desde quando fui abandonado por todos assim que descobri essa doença, mas Amanda não se importava com isso, ela estava feliz e eu estava completo agora.

O horário da consulta daquela manhã estava chegando, e a única coisa que pensava naquele momento era a vontade que estava em esfaquear alguém. Isso não era comum, pois jamais havia sentido algo do tipo, desde quando fui diagnosticado com essa tal doença, tive esses desejos obscuros e sombrios. Algo dentro de mim estava mudando e não sabia o que poderia ser, por esse motivo não estava bem.

Departamento de Polícia de Los Angeles, quinta-feira, 15:58h.

“– Ok, ok Simon, então você está querendo me dizer que tudo o que vocês fizeram começou após conhecê-la? Talvez ela seja a culpada então.” O delegado me indagava enquanto mastigava irritantemente aquele chiclete.

“– Olha, você pode acreditar no que for, mas você me pediu para lhe contar, então preste atenção.” Falei olhando seriamente para ele. Sabia que aquilo ele só estava fazendo para me irritar ou arrancar algo de mim, conheço esses tipos de policiais.

Consultório do doutor Lance, Los Angeles, domingo, 10:08h.

“– Simon, o doutor o espera.” A recepcionista disse apontando para a porta do consultório.

Doutor Lance já era conhecido da família, ele cuidava do meu pai antes dele morrer a 12 anos e cuidou também da minha mãe, que também já faleceu. Todos confiavam nele, por esse motivo me tornei paciente seu desde quando tudo isso começou.

“– Bom dia Simon, como estamos hoje?” ele perguntou apontando para a cadeira à sua frente. Sentei-me, mas algo estava diferente. Podia ouvir, de alguma forma, o seu sangue escorrendo por suas veias, seu coração bombeando sangue para seu corpo. Talvez estivesse ficando mais louco do que o normal.

“– Bem doutor Lance, vivendo um dia de cada vez.” Respondi escondendo todo o meu nervosismo e incômodo. Não queria que ele soubesse disso, do que estava sentindo, pois sabia que iria passar por outro tratamento de choque.

Após alguns exames e conversa, ele saiu do consultório para chegar algumas coisas, foi quando Amanda entrou para ajustar os equipamentos. Ficava me perguntando do porquê deles nunca se falaram ou trocaram olhares enquanto estava aqui dentro. Talvez eles levassem bem a sério o trabalho e o profissionalismo. Ela entrou e me beijou, trancou a porta da sala e tirou sua calcinha e fizemos amor ali mesmo, em cima da poltrona que estava no canto. Ela gostava dessas aventuras e eu estava sempre disposto a ceder a tudo o que ela propusera. Assim que terminamos, conversamos um pouco e, antes que ela saísse de dentro do consultório, ela olhou para mim e disse: “Talvez devesse se entregar a isso. Tenho certeza que lhe faria bem.”.

Fiquei surpreso e confuso ao mesmo tempo. Será que ela conseguia ver em meus olhos o que estava sentindo, o que tanto queria fazer naquele momento? Talvez ela tivesse razão, talvez eu deveria simplesmente deixar o que estava sentindo me dominar por completo. Eu a amava e faria tudo por ela, isso incluía ouvir seus conselhos.

Los Angeles, domingo, 22:46h.

Estávamos assistindo um filme de terror, ela amava esses tipos de filmes. Assim que terminou, fomos para a cama e, assim que deitei, perguntei a ela porque havia falado aquilo, de me entregar ao que estava sentindo. “– Olha Simon, eu sei o que você quer, sei que a vontade e o desejo de matar está aflorando cada vez aí dentro, então deixa acontecer. Eu estarei ao seu lado sempre. Tenho certeza que se sentirá melhor após fazer isso, mas faça realmente valer a pena, comece tirando dele o que ele tirou de você.” Ela disse sorrindo para mim e acariciando meu rosto. Ela estava certa, ele deveria pagar e eu iria me sentir bem com tudo isso. Ela estaria comigo em todos os momentos, então me sentia confiante no que planejava fazer.

Casa do doutor Lance, Los Angeles, segunda-feira, 15:32h.

Ela me entregou a cópia da chave que havia tirado, como ela trabalhava com o doutor Lance, tinha acesso aos objetos pessoais dele. Destranquei a porta e, lentamente, fui entrando procurando alguma câmera de segurança ou alarme que pudesse me entregar, mas nada havia. Era uma casa normal, sem muitas regalias, talvez ele fosse uma pessoa bem simples assim como falavam.

Procurei a sala onde sua esposa estava assistindo TV. Eles não tinham empregados ou algo assim, estava somente ela naquele cômodo, talvez sua filha estivesse no quarto, Amanda havia ido checar. Estava com uma faca pronto para fazer o que tanto desejava, e foi o que fiz. Segurei sua cabeça por trás do sofá antes que ela tivesse qualquer reação e cortei seu pescoço, deixando esguichar seu sangue por todo o carpete marrom no chão. Foi uma sensação prazerosa ver o sangue escorrendo e a vida saindo sem seus olhos.

Amanda desceu as escadas e cochichou dizendo que a filha estava no quarto ouvindo música, que seria fácil para mim. Fiquei eufórico com tudo aquilo, o sangue escorrendo pelas minhas mãos, sujando minha roupa. Lambí a faca sentindo o gosto do prazer, e acredite, tinha um gosto saboroso. Fui para o quarto e lentamente andei em direção a garota que estava somente de calcinha e uma blusa grande deitada em sua cama com os fones de ouvido.

A faca entrou facilmente em suas costas me deixando com uma sensação ótima de alegria e prazer. Perfurei seu lindo corpo várias e várias vezes, não dando a mínima chance dela gritar por ajuda.

Fiquei esperando o doutor Lance voltar às 17h do consultório enquanto fazia amor com Amanda em cima da cama de sua filha manchada de sangue. Ouvimos a porta abrir, então corremos para a sala e nos escondemos esperando apenas o momento certo para agir. Assim que viu sua esposa morta no chão, entrou em total desespero se perguntando o que havia acontecido. Foi quando saí de trás do sofá cravando a faca em seu peito.

O sangue escorrendo pela sua boca me trazia algumas lembranças do passado me fazendo dar gargalhadas o vendo agonizar no chão. Após alguns minutos apreciando toda aquela cena de horror e morte, saímos da casa do doutor Lance e fomos para meu apartamento. O queria fazer já estava feito e eu me sentia muito bem com tudo aquilo.

Los Angeles, quarta-feira, 11:22h.

Estava assistindo TV quando os policiais invadiram meu apartamento. Ainda não havia falado com Amanda nesse dia. Tentei entrar em contato com ela, mas estranhamente seu telefone dava como se não existisse, imaginei que ela tivesse mandado cancelá-lo para dificultar a sua procura, afinal, ela era cúmplice de tudo que havia feito.

Levaram-me preso e, após vários exames, fiquei em uma cela isolada esperando apenas o momento que seria chamado para vir até aqui. Enquanto esperava, estava deitado no chão frio da prisão e pensei: “Finalmente posso ficar em paz.”. Ninguém entenderia minha dor, ninguém poderia me ouvir, a única pessoa que fez isso foi Amanda, ela me tornou quem sou agora.

Departamento de Polícia de Los Angeles, quinta-feira, 17:12h.

“– Entendi Simon. Bom, investigamos a vida do doutor Lance e vimos que seus pais foram mortos por conta dos medicamentos que ele injetava neles. Que aos 12 anos você foi diagnosticado com esquizofrenia crônica por ele sem ao menos passar por um exame mais detalhado. Vimos também que ao longo de 15 anos, ele vinha fazendo experimento com você, o deixando amarrado em uma sala trancada, dando choques amarrado em uma cama e fazendo você acreditar que realmente estava doente, realmente precisava de ajuda e por conta disso nunca falou a ninguém tudo que passou. A investigação sobre a morte dos seus pais não aconteceu porque recebemos um laudo médico dizendo que havia sido por causas naturais e que não precisava fazer autópsia, e você sabe que em nosso país não iríamos perder tempo já que o documento estava assinado por um médico com diploma.” Ele dizia como se isso fosse a descoberta do século.

“– Mas porque você a matou?” ele perguntou me mostrando a foto da Amanda. Não tinha resposta para isso. Ela era minha vizinha, e quando vi que ela não tinha dado atenção para minhas cantadas, a matei e escondi seu corpo no freezer do meu apartamento a seis anos. Desde então ela aparece para mim, com a roupa que estava vestida quando a matei, um jaleco branco e uma fita rosa na cabeça. Contei a ele sobre ela, e o quanto me arrependi de tê-la matado, mas eu a amo, ainda a amo.

O delegado olhou para mim com desprezo quando terminei de falar sobre Amanda, mas eu simplesmente sorri quando levantei minha cabeça e olhei para ele. “– O que está rindo seu retardado de merda?” ele perguntou com ódio em seus olhos.

“– Nada delegado, estou somente feliz porque vejo que Amanda não me deixou.” Respondo vendo Amanda atrás dele cravando a faca em seu pescoço. Talvez esteja louco, talvez seja ela ou não, talvez seja somente eu fazendo tudo isso. Bom, o que sei é que minha sede de sangue está apenas começando.