Tarde da noite. Gregório revira-se de um lado a outro na cama, insone. Fecha os olhos e tenta mais uma vez acalmar sua mente inquieta, contando números em vez de carneiros. Tudo em vão: a insônia, velha companheira, o atormenta há várias semanas, deixando suas noites agitadas e seus dias sonolentos.

Vendo que seu esforço para adormecer era inútil, Gregório saiu de seu quarto e começou a vagar pela casa, pensativo. Viúvo, morava junto com seus empregados em um casarão, cujas origens datam de meados do século XIX. Herança de família, por muito tempo pertenceu à uma parente distante – mais precisamente, sua bisavó – cujo pomposo retrato oval antigo podia ser vislumbrado em uma das salas, pendurado ao lado de outros rostos de sua numerosa família.

Durante seu passeio noturno, Gregório estava próximo ao corredor quando um estranho ruído lhe chamou a atenção: passos que não eram os seus. Para sua surpresa, descobriu não estar mais sozinho pois avistou, andando de um lado a outro mais à frente, uma silhueta feminina. Por um momento, pensou ser uma das empregadas que também sofria do mesmo mal que seu patrão. Mero engano, pois quando a figura aproximou-se mais um pouco, Gregório reparou melhor nos traços daquela intrusa e viu tratar-se de uma senhora de meia-idade, usando um longo vestido de aparência antiga.

Numa das mãos trazia o que parecia ser um chicote ou pedaço de corda, mas que não conseguiu distinguir de forma precisa na escuridão. Por um momento, Gregório sentiu que aquele rosto lhe parecia estranhamente familiar. Ao aproximar-se mais, notou as feições carrancudas e que ela parecia estar resmungando algo baixinho. Com certa dificuldade, conseguiu entender o que a mulher falava:

— Aquele preto danado, negrinho inútil! Ele vai ter o que merece!

Gregório tentou dizer algo, mas a estranha mulher não o escutou, virando-se na direção contrária e indo para o outro lado do corredor. Curioso, resolveu acompanha-la de longe, com cautela. Porém, ao chegar do outro lado, viu com incredulidade e espanto que a estranha figura havia desaparecido de vista, tal como se tivesse evaporado no ar.

Confuso, saiu tateando as paredes na esperança de encontrar alguma porta ou passagem oculta por onde aquela mulher pudesse ter adentrado. Mas, em lugar disso, encontrou apenas uma parede sólida. Nesse momento, seu coração se acelerou e sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao escutar um agonizante gemido humano que parecia vir de dentro da parede, diretamente das entranhas da casa.

Em pânico, Gregório retornou às pressas a seu quarto, com a certeza de que não dormiria mais naquela noite depois do que viu e ouviu.

* * *

No dia seguinte, Gregório não conseguiu parar de pensar no perturbador acontecimento da noite passada. Foi real ou apenas um delírio, quem sabe provocado pelo cansaço? Pegou-se refletindo sobre o assunto enquanto descia para tomar café, passando pela sala onde estavam os antigos retratos de sua família. Ao desviar o olhar por acaso para um deles, imediatamente reconheceu de onde já vira o rosto da mulher misteriosa, pois era exatamente igual ao retrato da antiga dona da casa: sua bisavó

Brigitte de Souza, falecida há mais de um século. Não restava dúvidas, pois a aparição estava vestida do mesmo modo que seu retrato na parede. Embora acreditasse com certa reserva em histórias de fantasmas, Gregório jamais poderia imaginar que sua casa abrigasse um deles, ainda mais de sua própria família. Depois de encarar o velho retrato de sua bisavó por algum tempo, continuou seu caminho em direção à cozinha para o desjejum.

Pelo restante do dia, Gregório não conseguiu tirar o assunto da cabeça e começou uma investigação por conta própria. Revistou a casa inteira, em cada canto, em cada quarto, no corredor, mas não encontrou nada de suspeito. Na verdade, não sabia bem o que procurar e decidiu saber mais a respeito da história da casa em que morava.

Para isso, procurou a empregada mais velha da residência, Margot, que já trabalhava no local há vários anos e, graças à sua discrição e reserva, conhecia muitos dos antigos segredos e confidências de família.

Ao ser interrogada por Gregório sobre o passado da casa – e, consequentemente, de sua família – Margot revelou algumas coisas que seu patrão já sabia. Por exemplo, que a construção da casa datava de meados do século XIX, ainda na época da escravidão e que sua família era de antigos fazendeiros que fizeram fortuna com o plantio de café durante o Segundo Reinado. No entanto, Gregório teve a impressão que

Margot estava lhe escondendo alguma coisa que, provavelmente, tinha algo a ver com o que presenciou na noite anterior. Durante a conversa, a velha empregada desconversou:

— Seu Gregório, se me permite dizer, mas o senhor está com uma cara péssima!

O que foi? Por acaso não dormiu bem essa noite de novo?

— Ah, dona Margot, a senhora sabe que eu tenho uma insônia desgraçada. Mas antes fosse só isso...

— Como assim? – Interessou-se a empregada, sentando-se ao lado do patrão.

— Se eu lhe falar, promete que isso ficará só entre nós?

— Oxe! Claro que sim! Não sou dada à fofocas, como o senhor bem sabe.

— Dona Margot, eu vi uma... uma coisa estranha essa noite, que não sei explicar.

— Que coisa estranha era essa?

Apesar de resistente no início, Gregório acabou por revelar à Margot o que presenciou no corredor. A cada palavra do patrão, o rosto da empregada adquiria uma severidade um tanto incomum mas, mesmo assim, ela permaneceu serena, como se já esperasse o que estava por vir. Ao final do relato, Margot respondeu:

— O senhor não está ficando louco, nem delirando não, porque eu também já vi ela umas ou duas vezes de noite, sempre andando no corredor, de um lado para o outro, para lá e para cá... Na primeira vez, quase que eu tive um infarto! Quanto aos outros empregados, alguns acreditam e outros não. Mas, desde a época que comecei a trabalhar aqui, eu já ouvia algumas histórias que falavam a respeito da sua bisavó, dona Brigitte de Souza. Coisas que a família achou melhor esconder. Talvez, por vergonha...

— Por vergonha? Que histórias eram essas, dona Margot? – Gregório demonstrou estar cada vez mais interessado.

Após um longo suspiro, seguido de uma breve pausa – como se procurasse as palavras certas – a empregada continuou:

— Não sei se essas histórias são todas verdade, mas se comentava que dona

Brigitte era uma mulher racista e muito, muito perversa com seus escravos. Falavam que ela tinha o costume de maltratar e castigar os escravos quando cometiam algum erro, por menor que fosse. Diziam que aqui, em algum lugar dessa casa, existia antigamente um porão para onde ela levava os negros, mandava amarrá-los e começava a açoitar os pobres coitados, geralmente tarde da noite, quando todos já estavam dormindo. Assim, ninguém os ouvia gritar. Uma coisa horrível, seu Gregório, horrível!

Uma perversidade das grandes!

A revelação deixou seu patrão sem palavras. Gregório não podia imaginar que sua família tivesse um segredo tão obscuro desses. Indignado, perguntou:

— Meu Deus, dona Margot! E ninguém fez nada sobre isso?

— Muita gente na época fez vista grossa. Imagine o escândalo que seria se descobrissem uma coisa dessas! Parece que um amigo do marido dela fazia parte do

Movimento Abolicionista e, quando seu bisavô soube disso, tratou de pedir à esposa que parasse com aquilo, senão corria o risco dela ser descoberta mais cedo ou mais tarde.

Mas ela parece que fez pouco caso da advertência e continuou com esses castigos sangrentos. Até que, em 1888, veio a Lei Áurea da Princesa Isabel e a escravidão

acabou.

— Entendo... E depois o que aconteceu?

— Quando os escravos ficaram livres, a maioria foi embora daqui da fazenda, tentar a vida nas cidades. Mas, uma certa noite, alguns dos que ainda ficaram aqui, aproveitando que seu bisavô estava viajando, resolveram se vingar da dona da casa. Na calada da noite, eles invadiram o casarão, pegaram dona Brigitte e a levaram para o porão. Lá, eles a amarraram no tronco e fizeram ela pagar na mesma moeda por tantas crueldades: açoitaram dona Brigitte várias e várias vezes e, antes de acabarem, um deles cortou a mão direita dela com uma faca, a mesma mão com a qual ela empunhava o chicote. Deixaram ela ali, toda machucada e sangrando. No outro dia, os familiares notaram que ela tinha sumido e procuraram em todo canto. Quando a encontram, trataram logo de chamar um médico para cuidar dela, mas não durou muito tempo e, alguns dias depois, ela morreu por causa das feridas nas costas e no punho, que infeccionaram. O enterro foi no jazigo da família, no cemitério municipal. E sobre a mão cortada, nunca mais se soube notícia... Eu acho que os escravos levaram embora.

Mas tem gente que diz que ela ainda está escondida por aqui, em algum lugar desta casa. Algum tempo depois, vieram as reformas e a porta que dava para o antigo porão virou uma parede. Depois disso, ninguém mais falou nesse assunto. E isso é tudo que eu sei, seu Gregório.

Gregório ainda custava a acreditar naquela revelação final. Mas a sinceridade no olhar da velha empregada o convenceu de que tudo ali parecia ser mesmo verdade.

* * *

Quando a noite chegou, Gregório estava sentado em seu escritório, vendo velhas fotos de família. Em alguns dos álbuns, encontrou fotos de sua bisavó Brigitte com seu marido, alguns outros parentes, e também escravos. Não conseguia tirar a história contada por Margot da cabeça. Afinal, era a história da sua própria família que adquiria agora contornos dramáticos, nunca antes imaginados por ele.

Gregório ainda permaneceu em sua pesquisa particular por mais algum tempo.

Quando terminou, olhou o relógio e constatou que era quase meia-noite. Resolveu voltar ao quarto e tentar, mais uma vez, dormir.

Quando abriu a porta do escritório, deteve-se um momento diante do que seus olhos viram, pois sua casa tinha, agora, adquirido um aspecto inteiramente diferente: mais escura, lampiões a gás no lugar das lâmpadas elétricas, móveis antigos e uma paisagem um tanto quanto rústica. Quando decidiu sair do escritório, deu uma boa olhada ao seu redor, esfregando os olhos para se certificar se não estaria sonhando.

Nesse momento, viu que uma pessoa caminhava do outro lado da sala. Apesar da distância em que se encontrava, reconheceu imediatamente quem era: Brigitte de Souza.

Numa das mãos levava um farol e na outra o chicote.

Gregório seguiu-a, ouvindo-a resmungar o tempo todo a mesma frase da noite anterior:

— Aquele preto danado! Negrinho inútil! Ele vai ter o que merece!

Chegaram a uma porta no fim do corredor, por onde Brigitte adentrou, seguida logo atrás por Gregório. De repente, se viu no interior de um recinto quase totalmente às escuras, exceto pela luz que vinha do pequeno farol carregado por sua bisavó. Então, quando sua vista se adaptou ao ambiente, ele viu que, amarrado a um grande tronco, havia um homem negro, de joelhos, gemendo e murmurando de dor. Brigitte deteve-se ao lado dele e, sem dizer nada, começou a chicoteá-lo violentamente, para o horror de

Gregório, que assistia à tudo sem nada poder fazer, no papel de testemunha silenciosa de um passado de injustiça e sofrimento.

A cada chicotada, o pobre escravo contorcia-se de dor, enquanto o rosto de sua algoz exibia um diabólico ar de contentamento. O sangue do negro derramou-se pelo chão, com o chicote dançava no ar cada vez mais rápido. Gregório não suportava mais ver aquele espetáculo nefasto. Ao virar-se para trás em busca da porta, percebeu que, numa fração de segundos, tudo havia voltado ao normal, com ele de volta ao corredor, em frente à uma parede. Gregório, então, deu-se conta de que tinha descoberto o lugar secreto onde ficava o antigo porão onde sua desprezível bisavó racista praticava suas crueldades.

* * *

Conforme as noites se passavam, essas impressões do passado foram ficando mais frequentes, a ponto de Gregório adivinhar a hora em que aconteciam: sempre entre a meia-noite e 3:00hs da manhã. Além da regularidade, a manifestação era sempre a mesma todas as noites, com Gregório sendo transportado para outra época, revivendo os momentos de horror ao ver o espectro de sua bisavó castigando seus escravos daquela forma cruel e sádica, sem poder interferir. Era como estar num filme que repetia-se quando as horas mortas chegavam, obedecendo a mecanismos invisíveis e desconhecidos, que ele nem sequer se atrevia a tentar desvendar.

Mas, uma certa noite, as cosias não seriam mais as mesmas. Gregório estava em seu quarto quando começou a escutar passos e sussurros do lado de fora. Mas, ao contrário das noites anteriores, não eram os passos nem a voz de sua bisavó como de costume. Ao sair, o que viu foi um pequeno grupo de três escravos invadindo a casa e correndo em direção ao porão. Seguiu-os Gregório e, quando entrou no local, viu que eles tinham pego Brigitte de surpresa, antes dela sair à procura de mais algum deles para castigar. Ele assistiu aos escravos – tomados pela fúria e sede de vingança – amarrarem sua bisavó no tronco, despirem suas costas e, logo depois, um deles começar a desferir seguidas chicotadas, em meio aos gritos de dor da antiga algoz, agora feita prisioneira.

Apesar da revolta do sobrinho pelas atitudes de sua bisavó, era de toda forma horrível testemunhar uma tortura daquelas ser infligida a qualquer ser humano. Mas, como das outras vezes, ele nada podia fazer além de assistir. Os minutos se passavam enquanto os homens se revezavam na tortura, passando o chicote de mão em mão. Ao final, perdeu-se a conta de quantas chicotadas foram desferidas. Quando os escravos finalmente pararam, Brigitte estava caída de um lado, soltando gemidos abafados, com suas costas em carne-viva. Mas eles ainda não haviam terminado com ela, pois nesse momento um dos algozes aproximou-se segurando uma pequena faca e concluiu a sessão de vingança de forma brutal, decepando-lhe a mão direita com um único corte. Brigitte soltou um grito agudo de dor e depois os escravos fugiram levando a mão embora, como um troféu, deixando sua dona ali, amarrada e sangrando. Nesse momento, a lembrança do que Margot revelou lhe veio à mente e ele lembrou-se que dia era aquele: 13 de Maio de 1888, dia da lei Áurea e da libertação dos escravos.

Gregório, sem pensar duas vezes, resolveu ir atrás dos escravos fugidos, percebendo que aquela era uma oportunidade única de resolver o mistério da mão perdida de sua bisavó, que já durava mais de cem anos. Seguiu o trio até os fundos do terreno, onde naqueles tempos remotos se localizava a infame senzala e a plantação de café.

Ao chegarem no local, Gregório vislumbrou algo fantástico: uma grande festa dos negros estava acontecendo ali, com música, dança e comida. Era a comemoração pela liberdade enfim adquirida, depois de séculos de escravidão e sofrimento. Gregório aproximou-se deles, percebendo que suas formas eram vagas e translúcidas, revelando que todos ali eram espectros de tempos remotos, de algum modo aprisionados naquele ambiente, a reproduzir eternamente um acontecimento histórico.

Gregório caminhou entre eles, procurando pelos homens que invadiram sua casa,

logo os encontrando sem dificuldade: dois estavam comemorando junto com o restante, mas um deles – aquele que decepou a mão de sua bisavó – estava mais afastado do grupo. Gregório o viu caminhar até um poço que existia ao lado da senzala e, ao chegar na beirada, jogar o membro ensanguentado nas águas escuras. Após isso, ele voltou para junto de seus amigos e entrou também na festa. Finalmente tinham se vingado daquela mulher que por tanto tempo os havia maltratado de forma tão desumana.

Gregório tentou ainda se aproximar do poço mas então, aos poucos, aquele ambiente espectral foi-se desvanecendo e junto com ele também desapareceu a festa, a dança e a alegria dos escravos libertos. Gregório percebeu-se de volta à época atual, de pijamas no meio do quintal escuro, iluminado apenas pela fraca luz da lua minguante.

Mas algo o trazia compensação: ele havia enfim descoberto a localização da mão perdida de sua bisavó.

Finalmente aquele mistério chegava ao fim.

* * *

Mal o dia amanheceu, Gregório tomou rapidamente seu café, tamanho era o entusiasmo pela descoberta da noite passada. Contou apenas à Margot o que tinha presenciado em detalhes, desde a vingança dos escravos contra sua bisavó, até o poço onde havia sido jogada a mão cortada – e onde, talvez, ela ainda estivesse até os dias de hoje.

Naquele mesmo dia, contratou alguns trabalhadores para que escavassem no local onde ficava o antigo poço, que hoje já não mais existia. Quando a escavação começou, Gregório estava presente, permanecendo durante todo o tempo, na esperança de que encontrassem logo a mão perdida em algum lugar lá embaixo.

Durante alguns dias os trabalhos continuaram, porém nada havia sido encontrado. Gregório sentiu-se frustrado e quase desistiu da busca. Até que, uma certa tarde, estava em seu escritório quando bateram à porta: era Margot, lhe dizendo que os homens tinham encontrado e retirado uma coisa do fundo do poço seco. Sem perder tempo, Gregório dirigiu-se imediatamente para a obra. Lá chegando, viu os trabalhadores reunidos em torno de uma pequena mesinha, espantados com o bizarro achado. Gregório então viu, sobre a mesa, uma mão quase totalmente decomposta, de coloração escurecida e com partes de ossos à mostra. Mas o mais estranho não foi o estado da mão em si – afinal, as condições do ambiente no fundo do poço devem ter contribuído para preservar o membro, mesmo que parcialmente – mas sim o formato em que a mão se encontrava: fechada em punho, como se estivesse segurando algo com força. A mão, agora reencontrada depois de tanto tempo, parecia ainda ligada à sua antiga dona, pronta para empunhar um chicote, tal como fizera tantas vezes em vida.

Após a descoberta no poço, Gregório imediatamente tratou de providenciar um enterro digno para a mão perdida de sua parenta. Ele, juntamente com Margot e outros empregados, estavam presentes quando da abertura do jazigo da família e lá depositaram a mão ao lado dos restos mortais de Brigitte de Souza. Finalmente, depois de uma longa espera, o mistério da mão perdida chegava ao fim.

No entanto, passado algum tempo após o enterro da mão, alguns fatos estranhos foram notados. O coveiro que realizou o serviço revelou que, em certas ocasiões, passou a escutar sons estranhos de batidas vindas do jazigo, como se algo golpeasse com força o interior do local; e, no velho casarão onde Gregório reside ainda hoje, nunca mais se presenciou o fantasma atormentado de Brigitte a vagar de noite pelos corredores. Em vez disso, em algumas noites, ele passou a escutar um som fraco e distante de tambores e músicas africanas, nos fundos do terreno. E esses sons se tornam mais intensos sempre na véspera do dia 13 de maio.