A Maldição de Córzon - Capítulo II

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Há 1 semana

Aquela noite ainda pairava sobre os pensamentos de Jonathan, mesmo após anos estudando assuntos nada convencionais, aquilo era realmente muito estranho para ele. Ainda em suas lembranças, o livro velho e surrado de capa preta. Acreditava que poderia haver algum registro nele que pudesse explicar o que ocorreu naquela madrugada sombria.

Em seus ombros alguém tocou.

- “Pensativo hoje?” – um jovem, de aparência meio delicada e olhos extremamente azuis despertou Jonathan de seus devaneios – “Andou aprovando ontem a noite?” – questionou o jovem, como se soubesse por onde Jonathan andou.

- “Eduardo, já falei para você não chegar dessa forma em meu escritório” – disse Jonathan – “Além disso, o que você está fazendo por aqui? Não era para você estar na biblioteca?”.

- “Não, o diretor Magnus foi surpreendido pela visita de policiais, e suspendeu as atividades da escola” – respondeu Eduardo.

Jonathan lembrará do que o delegado havia dito na noite anterior.

- “Edu, uma pergunta, você conhece algum professor chamado Paul Córzon?” – questionou Jonathan.

- “Claro, aquela biblioteca deveria se chamar sala dos professores, nenhum aluno comparece lá” – disse Eduardo – “Córzon é um professor novo, chegou da Inglaterra. Mas porque a pergunta?”.

Jonathan coçou a barba, ainda por fazer, e contou para Eduardo:

- “Ele está morto.”

Eduardo arregalou os olhos e ficou de boca aberta.

- “Como assim, morto?!” – indagou.

- “Não conte a mais ninguém, mas meu sumiço ontem à noite tem relação com ele.” – disse Jonathan.

- “Você matou Córzon?!” – questionou Eduardo assustado.

- “Não, Eduardo! Deus! Eu o encontrei morto naquela cabana abandonada próximo à entrada do vilarejo” – respondeu Jonathan.

- “Eduardo, deixe de questionamentos e me faça um favor.” – disse Jonathan – “vá à biblioteca da escola e procure por algum livro ou algo que mencione algo sobre um livro preto antigo sem título”.

- “Mas Professor, como você quer que eu encontre algo assim?!” – exclamou Eduardo – “levaria horas ou dias para encontrar algo assim”.

Jonathan realmente sabia que seria algo impossível, mas confiava na capacidade de busca de Eduardo.

Desde que acolheu Eduardo para morar em sua casa, ele sempre foi seu braço direito. O que possibilitou a ingressão dele à escola onde lecionava.

- “Então faça o seguinte, pegue essa chave. Na sala privada, tem um livro gigante e empoeirado, se chama Index.” – disse Jonathan – “Nele estarão algumas obras secretas, não serão muitos, mas acho que ajudará a encontrar algo”.

Eduardo fez uma cara de dúvida sobre o pedido, mas pegou a chave e caminhou em direção à porta de saída da casa.

- “Ah! Só mais um detalhe, não seja visto por ninguém” – disse Jonathan.

Eduardo pegou seu sobretudo preto, e antes que saísse, deu mais uma olhada para a chave em tuas mãos. Era uma chave estranha, com um formato totalmente incomum.

Já se passavam das 2 da tarde, Jonathan ainda estava um pouco sujo da noite anterior, e precisava se limpar. Jonathan aqueceu a água e colocou na banheira de madeira em um cômodo não muito usado da casa. A fumaça do vapor subia, aquecendo o ambiente.

Jonathan foi despindo-se, e aos poucos, foi colocando os pés na água quente. Quando já estava nu, sentou-se na banheira, emitindo sons de prazer e relaxamento. Pegou a escova de corpo, e começou a passar sabão e esfregar nas costas.

O som da água respingando para dentro e fora, camuflava outros sons em outro ponto da casa. Alguém havia entrado na casa.

Jonathan continuou seu banho sem perceber que alguém se aproximava do cômodo onde estava.

Jonathan levantou-se, e ainda dentro da banheira, pegou uma jarra de ferro próximo dali, e com o restante da água que havia aquecido, jogou em seu corpo de cima pra baixo, tirando o sabão que havia esfregado. Após jogar em sua cabeça, ouviu risos atrás de si. Jonathan assustado, desequilibrou-se, mas não chegou a cair.

- “Quem está aí?” – perguntou Jonathan, que estava com os olhos fechados por conta da água.

Os risos continuaram.

Quando Jonathan conseguiu enxergar novamente, olhou para trás, e viu que era Celine, sua amiga.

- “Que inferno, Celine.” – Jonathan cobriu suas partes íntimas – “Não pode chegar assim na casa dos outros”.

Celine ainda sorrindo, pegou um roupão branco que estava acima de uma cadeira de madeira, e deu para Jonathan.

Jonathan pegou rapidamente e vestiu-se.

- “Não precisa ter vergonha, aliás, nada disso é para ter vergonha” – disse Celine.

Jonathan ficou sem jeito, há tempos, Celine tentava investir em algo mais sério com ele, mas ele não aceitava.

- “Não fique envergonhado” – disse Celine – “Bom, toda vez que abro a porta, sou recepcionada pelo Eduardo, como ele não estava aqui...”.

- “Ele saiu, foi fazer um favor para mim” – Disse Jonathan.

- “Jonathan, ou melhor, Professor Savedro...” – Celine disse rindo – “...eu não consigo chamar você assim, não sei porque”.

Jonathan ficou esperando Celine ir logo ao objetivo, mas era do tipo dela ficar desviando do assunto principal, prologando os diálogos.

- “Que foi?” – perguntou Celine.

- “Celine, desembucha! Porque você veio aqui?” – disse Jonathan.

Celine olhou para cima, como se estivesse tentando lembrar o que tinha para dizer.

- “Ah! Lembrei... você ficou sabendo do professor Cor...” – antes mesmo de Celine terminar de perguntar, foi interrompida por Jonathan:

- “Córzon, sim!”.

Celine ficou surpresa, mas sem questionar, começou a falar quase que interruptamente:

- “Você não sabe da maior, esse professor novo que foi transferido havia sido expulso da escola anterior. Parece que ele mexia com algumas coisas de ocultismo e bruxaria, e o diretor da escola inglesa pediu para ele que ele se retirasse antes que descobrissem” – e continuou falando – “Hoje mais cedo, Magnus me contou que recebeu uma carta do diretor da antiga escola, pedindo para que fizesse o mesmo e expulsasse Córzon”.

Jonathan ficou de boca aberta. De certa forma, o que havia visto na noite anterior, só poderia ser algo sobrenatural.

- “Querido, já falei pra você ficar próximo de mim. Inclusive, fiquei sabendo por outros professores algo sobre o filho do diretor, parece que ele é...” – disse Celine, que ficou envergonhada de dizer a palavra.

- “Celine! Já te disse que não gosto dessas coisas!” – exclamou Jonathan.

- “Do quê? De bonecas?” – questionou Celine.

- “Não isso! É melhor parar.” – Disse Jonathan – “Me diga uma coisa, você conhecia o Professor Córzon?”.

Celine acenou com a cabeça confirmando, enquanto fazia um olhar de que sabia de tudo daquela escola.

- “Me diga, já viu ele andar com um livro de capa preta?” – perguntou Jonathan.

- “Ah sim, era um livro da sala privada” – respondeu Celine.

Jonathan ficou perplexo:

- “Celine! Como você pode entregar um livro da sala secreta para um recém chegado?!” – disse Jonathan quase que furioso – “Os livros daquela sala são proibidos e não podem ser acessados por qualquer um”.

Celine percebeu que havia feito algo de errado.

- “Ah, mas era só um livro velho. Inclusive, ele nem título possuía. Muito menos estava registrado no Index” – Disse Celine.

Jonathan colocou a mão no rosto, lembrando da missão que havia dado à Eduardo.

- “Que foi? O que eu fiz agora?” – questionou Celine.

Jonathan saiu pela porta onde Celine estava. Ela olhou para as costas de Jonathan, observando-o de baixo para cima enquanto mordia os lábios.

- “Eu preciso sair, Celine.” – disse Jonathan.

- “Ah, você quer que eu saia.” – Disse Celine – “Tudo bem, sem problemas. Mas saiba que...” – fez uma pausa dramática – “...se precisar se atualizar de mais alguma coisa, só me procurar”.

Jonathan colocou seus óculos e olhou para Celine:

- “Acredito não ser necessário, normalmente é você quem me encontra.”

Celine soltou um pequeno sorriso, e caminho até a porta da saída.

Olhou novamente Jonathan de baixo para cima, e antes de sair, piscou.

Jonathan vestiu-se e saiu. Precisava encontrar Eduardo, já que sabia que ele não encontraria nada sobre o livro.

Eram cerca de 4 da tarde.

Jonathan subiu as escadas que davam acesso à biblioteca. Chegando lá, a porta estava fechada. Abriu vagarosamente, sem que fizesse barulho.

Quando entrou, Jonathan olhou para o fundo da biblioteca. Lá estava a porta de acesso à sala privada.

Chegando lá, percebeu que ela estava semi-aberta, entrou lentamente.

Quando entrou, encontrou Eduardo no chão chorando de cabeça baixa.

- “Eduardo, o que houve?! Alguém te encontrou?” – perguntou Jonathan preocupado.

Eduardo não dizia nenhuma palavra. Jonathan insistiu:

- “Me diga o que houve...” – Jonathan colocou a mão de baixo do queixo de Eduardo, levantando o rosto lentamente – “O que é isso?”.

Na testa de Eduardo estava escrito uma palavra em tinta preta, quem escrevera aquilo, usou tanta força, que partes das letras estavam com sangue por conta do corte.

Em sua testa, estava escrito ABOMINAÇÃO.

Eduardo estava extremamente triste.

- “Porque fizeram isso?” – perguntou Jonathan.

Eduardo olhou nos olhos de Jonathan e disse:

- “Eles sabem, Jonathan.”

Comentários

Anônimo
Celine muito engraçada hsuahah
18/02/2021